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Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg422882
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Varginha - MG
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologista
Obesidade é o acúmulo de tecido gorduroso localizado ou generalizado, provocado por desequilíbrio nutricional, associado ou não a distúrbios genéticos ou endócrino-metabólicos. Quais são os critérios clínicos mais utilizados para o diagnóstico e a classificação da obesidade?
  1. AÍndice de massa corporal (IMC) e circunferência abdominal.
  2. BEletrocardiograma e pressão arterial.
  3. CHemograma e exame de urina.
  4. DTeste de visão e audiometria.
  5. ETemperatura corporal e frequência respiratória.
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GabaritoA — Índice de massa corporal (IMC) e circunferência abdominal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diagnóstico e classificação da obesidade: IMC e circunferência abdominal

Gabarito: letra A. O diagnóstico e a classificação da obesidade na prática clínica são feitos, primordialmente, por dois critérios antropométricos: o índice de massa corporal (IMC), que estima a gordura corporal total a partir da relação peso/altura², e a circunferência abdominal (CA), que avalia a distribuição da gordura visceral — ambos consagrados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e amplamente adotados em diretrizes brasileiras, como o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde para sobrepeso e obesidade.

A obesidade é definida pela OMS como o acúmulo excessivo ou anormal de gordura corporal capaz de trazer prejuízos à saúde. O diagnóstico é essencialmente clínico e começa pela antropometria. O IMC é o indicador mais utilizado por ser de fácil aplicação, baixo custo e permitir tanto a classificação do estado nutricional quanto a estratificação de risco para comorbidades. A fórmula é simples: divide-se o peso em quilogramas pelo quadrado da altura em metros (IMC = peso/altura²). Para adultos, os pontos de corte da OMS são: abaixo do peso (< 18,5 kg/m²), eutrófico (18,5–24,9 kg/m²), sobrepeso (25,0–29,9 kg/m²), obesidade grau I (30,0–34,9 kg/m²), obesidade grau II (35,0–39,9 kg/m²) e obesidade grau III (≥ 40,0 kg/m²).

Contudo, o IMC tem limitações importantes: ele não é uma medida direta de gordura corporal, não informa sobre a distribuição dessa gordura e não distingue massa magra de massa gorda — um atleta com grande massa muscular pode ter IMC elevado sem excesso de adiposidade. É exatamente por isso que a circunferência abdominal entra como segundo critério essencial: ela reflete o acúmulo de gordura visceral (intra-abdominal), que é metabolicamente mais ativa e está mais associada a risco cardiovascular, diabetes tipo 2 e mortalidade por todas as causas, independentemente da gordura corporal total. A medida é feita no ponto médio entre o rebordo costal inferior e a crista ilíaca, com fita métrica firme, sem comprimir a pele, ao final de uma expiração normal. Os pontos de corte de risco aumentado da OMS são: ≥ 94 cm para homens e ≥ 80 cm para mulheres (risco muito aumentado: ≥ 102 cm e ≥ 88 cm, respectivamente).

Na prática, o raciocínio clínico é o seguinte: o IMC classifica o grau de obesidade (I, II ou III) e a circunferência abdominal complementa a avaliação, identificando a obesidade central e o risco cardiometabólico adicional. As diretrizes brasileiras — incluindo o PCDT do Ministério da Saúde e a Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica — reforçam esse par como a base do diagnóstico e da classificação. Exames laboratoriais (glicemia, perfil lipídico, função hepática) e outros métodos (bioimpedância, pregas cutâneas) são complementares, solicitados quando há suspeita de comorbidades, e não substituem a antropometria inicial.

A pegadinha desta questão é justamente a banca oferecer, nas alternativas erradas, exames complementares e sinais vitais que fazem parte da avaliação geral do paciente, mas que não são critérios diagnósticos ou de classificação da obesidade. O candidato que não tem o conceito claro pode se confundir e marcar uma opção com exames que, embora possam ser solicitados no acompanhamento, não respondem à pergunta feita. Guarde a fronteira: diagnóstico e classificação da obesidade = antropometria (IMC + circunferência abdominal); exames laboratoriais e outros métodos = avaliação complementar de comorbidades.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O IMC e a circunferência abdominal são, de fato, os critérios clínicos mais utilizados para o diagnóstico e a classificação da obesidade. O IMC classifica o estado nutricional (sobrepeso, obesidade graus I, II e III) e a circunferência abdominal avalia a distribuição da gordura visceral, complementando a avaliação de risco. Essa é a recomendação da OMS e das diretrizes brasileiras, como o PCDT do Ministério da Saúde, que define o diagnóstico como clínico, com base na estimativa do IMC, acrescido da medida da circunferência da cintura para avaliar o risco cardiometabólico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Eletrocardiograma e pressão arterial são exames que avaliam o sistema cardiovascular e podem ser solicitados no acompanhamento de pacientes com obesidade para rastrear comorbidades (hipertensão, doença coronariana), mas não são critérios para o diagnóstico ou a classificação da obesidade em si. A obesidade é diagnosticada por antropometria; o ECG e a PA entram na investigação de complicações associadas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Hemograma e exame de urina são exames laboratoriais complementares, úteis para investigar comorbidades ou causas secundárias, mas não definem nem classificam a obesidade. O diagnóstico é clínico e antropométrico, não laboratorial. A banca incluiu exames que podem ser pedidos no acompanhamento, mas que não respondem à pergunta sobre critérios diagnósticos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Teste de visão e audiometria são exames de triagem sensorial, sem qualquer relação com o diagnóstico ou a classificação da obesidade. São distratores completamente alheios ao tema, incluídos apenas para testar se o candidato sabe o que realmente define a obesidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Temperatura corporal e frequência respiratória são sinais vitais, avaliados na anamnese e no exame físico geral de qualquer paciente, mas não são critérios para diagnosticar ou classificar a obesidade. A obesidade é uma condição de acúmulo de gordura corporal, avaliada por medidas antropométricas, não por sinais vitais.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura exames complementares e sinais vitais (eletrocardiograma, hemograma, temperatura) com os critérios diagnósticos reais. O candidato que sabe que o diagnóstico é clínico e antropométrico elimina as alternativas B, C, D e E de imediato. O par IMC + circunferência abdominal é a base consagrada pela OMS e pelas diretrizes brasileiras — memorize esse binômio e você não erra mais.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de diagnóstico de obesidade, lembre-se da sequência: (1) IMC classifica o grau; (2) circunferência abdominal avalia a distribuição da gordura e o risco cardiometabólico; (3) exames laboratoriais são complementares, apenas quando há suspeita de comorbidades. Essa hierarquia resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra A

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