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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg422907
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Varginha - MG
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Gastroenterologista Pediatra
Julgue os itens abaixo sobre doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e assinale a alternativa correta.I – A DRGE pode ser classificada em primária, quando existe disfunção no nível esofagogástrico, e secundária, quando existem causas subjacentes que predispõem ao RGE, como infecções, distúrbios metabólicos, malformações congênitas, obstruções duodenogástricas, lesões do sistema nervoso central, alergia à proteína do leite de vaca, colagenoses, drogas etc.II – Na população infantil, particularmente no recém-nascido e nos lactentes nos primeiros meses de vida, o RGE é um fenômeno quase habitual e frequentemente assintomático, manifestando-se comumente como tosse e vômitos, e ausência de refluxo.
  1. AA asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
  2. BAs asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é um complemento da I.
  3. CA asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
  4. DAs asserções I e II são proposições falsas.
  5. EAs asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é um complemento da I.
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GabaritoC — A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) na infância

Gabarito: letra C. A asserção I é verdadeira, pois descreve corretamente a classificação da DRGE em primária (disfunção do esfíncter esofágico inferior) e secundária (causas subjacentes como infecções, alergia à proteína do leite de vaca, malformações, etc.). A asserção II é falsa, pois afirma que o refluxo gastroesofágico (RGE) no recém-nascido e lactente se manifesta com "tosse e vômitos, e ausência de refluxo" — um contrassenso: o RGE é justamente caracterizado pela presença de refluxo do conteúdo gástrico, e a "ausência de refluxo" contradiz a própria definição da condição.

A DRGE é uma condição multifatorial que envolve o refluxo do conteúdo gástrico (e muitas vezes duodenal) para o esôfago, causando sintomas e/ou complicações. Na população pediátrica, especialmente em recém-nascidos e lactentes, o RGE fisiológico é extremamente comum devido à imaturidade do esfíncter esofágico inferior, ao esôfago curto e à dieta líquida. Estima-se que a regurgitação simples ocorra em quase 50% dos bebês, e na maioria dos casos os sintomas se limitam a regurgitações orais, remitindo por volta de 1 ano de idade. É importante distinguir o RGE fisiológico (regurgitação do lactente) da DRGE propriamente dita, que envolve sintomas mais graves, falha de crescimento, esofagite, ou complicações respiratórias.

A classificação da DRGE em primária e secundária é um conceito didático importante. A forma primária está relacionada a uma disfunção intrínseca do mecanismo antirrefluxo, principalmente do esfíncter esofágico inferior (EEI), com relaxamentos transitórios inadequados. A forma secundária ocorre quando há uma condição subjacente que predispõe ao refluxo, como alergia à proteína do leite de vaca (APLV), distúrbios metabólicos, malformações congênitas (atresia de esôfago, hérnia diafragmática), obstruções duodenogástricas, lesões do sistema nervoso central, colagenoses, e uso de certas drogas. Essa distinção é crucial porque o tratamento da forma secundária deve abordar a causa de base, além de controlar os sintomas do refluxo.

Na prática clínica, o diagnóstico diferencial entre RGE fisiológico, DRGE e APLV é um desafio frequente na pediatria. A APLV pode mimetizar os sintomas da DRGE, e vice-versa. O Guia Prático de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que, diante de um lactente com sintomas compatíveis, a exclusão das proteínas do leite de vaca da dieta materna (em crianças amamentadas) ou o uso de fórmulas de hidrolisados (em não amamentadas) pode ser um teste terapêutico válido antes de iniciar tratamento medicamentoso. Isso porque a APLV é uma causa secundária importante de DRGE nessa faixa etária.

A pegadinha desta questão está na asserção II, que contém uma contradição interna: afirmar que o RGE se manifesta com "ausência de refluxo" é logicamente impossível. O RGE é definido pela passagem do conteúdo gástrico para o esôfago — ou seja, a presença de refluxo é o achado central. O que a banca provavelmente quis testar foi o conhecimento de que o RGE no lactente é fisiológico e frequentemente assintomático, mas errou ao adicionar "ausência de refluxo" como manifestação, tornando a frase absurda. O candidato atento percebe que a asserção II é falsa por esse detalhe.

DRGE na infância
  • 1Classificação
    • Primária
      • Disfunção do EEI
    • Secundária
      • APLV
      • Infecções
      • Malformações
      • Distúrbios metabólicos
      • Lesões do SNC
  • 2RGE fisiológico no lactente
    • Quase habitual
    • Frequentemente assintomático
    • Regurgitações
    • Remite ~1 ano
  • 3Diagnóstico diferencial
    • RGE fisiológico
    • DRGE
    • APLV
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Item I — ✅ Correto

A asserção I está correta. Ela descreve com precisão a classificação da DRGE em primária (disfunção no nível esofagogástrico, ou seja, do esfíncter esofágico inferior) e secundária (causas subjacentes que predispõem ao refluxo). A lista de causas secundárias apresentada — infecções, distúrbios metabólicos, malformações congênitas, obstruções duodenogástricas, lesões do SNC, alergia à proteína do leite de vaca, colagenoses, drogas — está correta e é amplamente aceita na literatura pediátrica. A APLV, em particular, é uma causa secundária de DRGE muito relevante em lactentes, como destacado no Guia Prático de Aleitamento Materno da SBP.

Item II — ❌ Incorreto

A asserção II é falsa. Embora seja verdade que o RGE é um fenômeno quase habitual e frequentemente assintomático no recém-nascido e lactente, a afirmação de que se manifesta com "tosse e vômitos, e ausência de refluxo" é contraditória. O RGE é, por definição, a presença de refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago. A "ausência de refluxo" não pode ser uma manifestação da condição. Além disso, a tosse e os vômitos são sintomas possíveis, mas a "ausência de refluxo" invalida a proposição. O erro está na inclusão desse termo, que torna a frase logicamente impossível.

Gabarito: letra C — a asserção I é verdadeira e a II é falsa.

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