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Questão de Medicina — Geriatria — Avança SP 2025

MedicinaGeriatria
Código
qg422926
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Varginha - MG
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Geriatra
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome crônica considerada um dos principais problemas de saúde pública, associada a elevada morbidade, mortalidade e custos. Além disso, relaciona-se à queda da funcionalidade e da qualidade de vida.Assinale a alternativa correta sobre insuficiência cardíaca:
  1. APacientes idosos com insuficiência cardíaca frequentemente apresentam comorbidades como hipertensão, fibrilação atrial, doença arterial coronariana, doença valvar, insuficiência renal, anemia e polifarmácia.
  2. BA insuficiência cardíaca é uma condição rara, restrita a adultos jovens sem comorbidades associadas.
  3. CO diagnóstico de insuficiência cardíaca está sempre relacionado exclusivamente a distúrbios respiratórios.
  4. DO impacto da insuficiência cardíaca sobre mortalidade e custos em saúde pública é mínimo.
  5. EA insuficiência cardíaca não interfere na qualidade de vida nem compromete a funcionalidade dos pacientes.
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GabaritoA — Pacientes idosos com insuficiência cardíaca frequentemente apresentam comorbidades como hipertensão, fibrilação atrial, doença arterial coronariana, doença valvar, insuficiência renal, anemia e polifarmácia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insuficiência Cardíaca no Idoso: comorbidades e impacto clínico

Gabarito: letra A. A alternativa correta descreve com precisão o perfil do paciente idoso com insuficiência cardíaca (IC), que frequentemente apresenta um conjunto de comorbidades — hipertensão arterial, fibrilação atrial, doença arterial coronariana, doença valvar, insuficiência renal, anemia e polifarmácia — todas reconhecidas como fatores associados à síndrome e que influenciam diretamente seu manejo e prognóstico. As demais alternativas (B, C, D e E) contêm afirmações falsas e até mesmo contrárias ao conhecimento consolidado sobre a doença.

A insuficiência cardíaca é uma síndrome clínica complexa, definida como a incapacidade do coração de bombear sangue de forma adequada às necessidades metabólicas do organismo, ou fazê-lo apenas com elevadas pressões de enchimento. Trata-se da via final comum de praticamente todas as cardiopatias — hipertensão, doença arterial coronariana, valvopatias, miocardiopatias — e sua prevalência aumenta de forma expressiva com o envelhecimento populacional, sendo a principal causa de internação hospitalar não planejada em indivíduos com mais de 65 anos. O impacto em saúde pública é enorme: elevada morbidade, mortalidade e custos, além de comprometimento da capacidade funcional e da qualidade de vida.

No idoso, a apresentação da IC é particularmente desafiadora. As comorbidades são a regra, não a exceção: hipertensão arterial sistêmica (presente na grande maioria), fibrilação atrial (arritmia muito prevalente nessa faixa etária e que tanto pode ser causa quanto consequência da IC), doença arterial coronariana (principal etiologia da IC no mundo), doença valvar (especialmente estenose aórtica degenerativa), insuficiência renal (frequentemente associada, seja por nefroesclerose hipertensiva, seja por hipoperfusão renal decorrente do baixo débito cardíaco), anemia (comum no idoso e que agrava a IC ao aumentar o trabalho cardíaco) e polifarmácia (uso de múltiplos medicamentos, com risco de interações e efeitos adversos). Essa constelação de comorbidades exige abordagem integrada e individualizada.

A fisiopatologia da IC envolve mecanismos compensatórios neuro-hormonais — ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e do sistema nervoso simpático — que, a longo prazo, são maléficos e perpetuam a disfunção cardíaca. Os sintomas clássicos incluem dispneia, fadiga, edema de extremidades e congestão pulmonar. O diagnóstico é eminentemente clínico, podendo ser auxiliado pelos critérios de Framingham, que combinam critérios maiores (dispneia paroxística noturna, distensão venosa jugular, estertores pulmonares, terceira bulha, entre outros) e menores (edema de tornozelos, tosse noturna, dispneia aos esforços, taquicardia, entre outros).

A banca explora, nesta questão, o conhecimento básico sobre a epidemiologia e o perfil clínico da IC no idoso. A alternativa A é a única que reflete a realidade da prática clínica e da literatura médica. As demais alternativas são distratores que negam aspectos fundamentais da doença — sua prevalência, sua etiologia, seu impacto — e devem ser identificadas como incorretas por contradizerem o conhecimento consolidado.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta porque descreve fielmente o perfil do paciente idoso com insuficiência cardíaca. A hipertensão arterial é a comorbidade mais prevalente e uma das principais causas de IC, especialmente a IC com fração de ejeção preservada. A fibrilação atrial é extremamente comum no idoso e está associada a pior prognóstico na IC. A doença arterial coronariana é a principal etiologia da IC em todo o mundo. A doença valvar, particularmente a estenose aórtica degenerativa, é frequente no idoso e pode levar à IC. A insuficiência renal é uma comorbidade comum, que se relaciona à IC por mecanismos hemodinâmicos e neuro-hormonais. A anemia é prevalente no idoso e agrava a IC. A polifarmácia é uma realidade no manejo do idoso com IC, que frequentemente utiliza múltiplas classes de medicamentos (IECA/BRA, betabloqueadores, diuréticos, antialdosterônicos, entre outros), além de medicações para as comorbidades. A alternativa sintetiza corretamente esse cenário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B está incorreta ao afirmar que a insuficiência cardíaca é uma condição rara, restrita a adultos jovens sem comorbidades. Na realidade, a IC é uma síndrome frequente, que afeta cerca de 2% da população adulta, com prevalência que aumenta progressivamente com a idade, chegando a mais de 10% em indivíduos acima de 70 anos. É a principal causa de internação hospitalar em idosos. Além disso, a IC raramente ocorre em adultos jovens sem comorbidades; ao contrário, está associada a múltiplas comorbidades, especialmente no idoso. A banca inverte completamente o perfil epidemiológico da doença.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C está incorreta ao afirmar que o diagnóstico de insuficiência cardíaca está sempre relacionado exclusivamente a distúrbios respiratórios. Embora a dispneia seja um sintoma cardinal da IC, o diagnóstico é eminentemente clínico e baseia-se na combinação de sintomas e sinais de congestão (dispneia, ortopneia, edema, estertores pulmonares, distensão venosa jugular) e de baixo débito (fadiga, intolerância aos esforços). A IC é uma síndrome cardíaca, não respiratória. Os distúrbios respiratórios podem ser consequência da congestão pulmonar, mas não são a causa do diagnóstico. A banca tenta confundir o candidato ao associar a IC a uma doença de outro sistema.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D está incorreta ao afirmar que o impacto da insuficiência cardíaca sobre mortalidade e custos em saúde pública é mínimo. Na verdade, a IC é um dos principais problemas de saúde pública, com elevada morbidade e mortalidade. A mortalidade é alta: cerca de 10 a 15% dos pacientes com IC aguda descompensada morrem durante a hospitalização, e a taxa de mortalidade em um ano após a alta é de 20 a 30%. Os custos são enormes, relacionados a internações frequentes, medicamentos, procedimentos e perda de produtividade. A banca nega um fato epidemiológico bem estabelecido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E está incorreta ao afirmar que a insuficiência cardíaca não interfere na qualidade de vida nem compromete a funcionalidade dos pacientes. A IC é uma síndrome que compromete significativamente a capacidade funcional e a qualidade de vida. Os sintomas de dispneia e fadiga limitam a tolerância aos esforços físicos, dificultando atividades da vida diária. A doença leva à queda da funcionalidade, com impacto negativo na independência e no bem-estar do paciente. A banca nega um dos aspectos mais relevantes da doença, que é justamente o comprometimento funcional e da qualidade de vida.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de o candidato marcar alternativas que parecem "óbvias" ou que negam o óbvio. As alternativas B, C, D e E contêm afirmações absolutamente falsas e até mesmo absurdas do ponto de vista clínico ("condição rara", "exclusivamente distúrbios respiratórios", "impacto mínimo", "não interfere na qualidade de vida"). A pegadinha está em reconhecer que a alternativa A é a única que descreve corretamente o perfil do paciente idoso com IC, com suas múltiplas comorbidades. Não caia na tentação de marcar uma alternativa que nega a realidade da doença — a IC é prevalente, grave e impactante.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre insuficiência cardíaca, memorize o perfil do paciente típico: idoso, com múltiplas comorbidades (hipertensão, fibrilação atrial, DAC, valvopatia, IRC, anemia) e polifarmácia. A IC é uma síndrome frequente, de alto impacto em mortalidade, custos e qualidade de vida. Qualquer alternativa que negue esses fatos está incorreta. Essa é uma questão de perfil epidemiológico e clínico — não de detalhes de fisiopatologia ou tratamento.

Gabarito: letra A

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