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Questão de Medicina — Geriatria — Avança SP 2025

MedicinaGeriatria
Código
qg422929
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Varginha - MG
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Geriatra
O delirium é uma das alterações mentais mais frequentes em pacientes com doenças clínicas, especialmente em idosos hospitalizados. Com relação ás características adicionais que podem acompanhar o delirium, assinale a alternativa correta.
  1. AO delirium ocorre exclusivamente em pacientes com transtornos psiquiátricos crônicos.
  2. BOs distúrbios do sono não fazem parte do quadro clínico do delirium.
  3. CO delirium manifesta-se apenas com hipoatividade e apatia.
  4. DO quadro pode incluir distúrbio psicomotor, alterações emocionais e prejuízo do sono.
  5. EDistúrbios emocionais diversos, como medo, depressão e euforia descartam a possibilidade de delirium.
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GabaritoD — O quadro pode incluir distúrbio psicomotor, alterações emocionais e prejuízo do sono.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Delirium: características clínicas e apresentações

Gabarito: letra D. O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante que, além do déficit central de atenção, pode cursar com distúrbio psicomotor (agitação ou retardo), alterações emocionais (medo, depressão, euforia) e prejuízo do ciclo sono-vigília — exatamente o que a alternativa D descreve. As demais alternativas trazem afirmações restritivas ou excludentes que contrariam a apresentação clínica variada do delirium, conforme o DSM-5 e a literatura geriátrica.

O delirium é uma emergência neuropsiquiátrica definida por uma alteração aguda e flutuante da consciência, com comprometimento central da atenção. Diferentemente da demência, que tem instalação lenta e progressiva, o delirium se instala em horas a dias, na vigência de uma condição clínica precipitante (infecção, distúrbio metabólico, medicação, cirurgia). A atenção é o domínio cognitivo mais afetado, mas o quadro não se limita a ela: há desorganização do pensamento, alteração do nível de consciência (do torpor à hipervigilância) e, com frequência, distúrbios perceptivos, como alucinações visuais.

A apresentação clínica é notavelmente heterogênea. Classicamente, distinguem-se três formas: hiperativo (agitação psicomotora, delírios, ilusões e alucinações — típico da abstinência alcoólica ou do uso de anticolinérgicos), hipoativo (letargia, sonolência, apatia — a forma mais comum e frequentemente não diagnosticada) e misto (alternância entre os dois quadros). Além do componente psicomotor, o delirium cursa com alterações emocionais variadas — medo, ansiedade, depressão, irritabilidade ou mesmo euforia — e com perturbação do ciclo sono-vigília, que pode se manifestar como inversão do ritmo, insônia ou sonolência diurna excessiva. Esses elementos fazem parte do espectro clínico da síndrome e não a excluem.

A importância do reconhecimento dessas características é prática: o delirium hipoativo, por exemplo, é confundido com depressão, e o hiperativo, com psicose. A flutuação ao longo do dia e o início agudo são pistas-chave. O diagnóstico é clínico, apoiado por instrumentos como o CAM (Confusion Assessment Method), e o manejo exige tratar a causa precipitante, além de medidas não farmacológicas de reorientação e preservação do ciclo sono-vigília.

A pegadinha central desta questão é a tentativa de reduzir o delirium a uma única apresentação (exclusivamente psiquiátrico, apenas hipoativo, sem distúrbios do sono) ou de usar a presença de emoções como critério de exclusão. Na verdade, a síndrome é definida pela sua variabilidade: o que a caracteriza é a alteração aguda e flutuante da atenção, acompanhada de um espectro amplo de sintomas cognitivos, psicomotores, emocionais e do sono. Guarde essa heterogeneidade: é exatamente nela que as alternativas se separam.

Delirium
  • 1Definição
    • Alteração aguda e flutuante da consciência
    • Comprometimento central da atenção
    • Início em horas a dias
  • 2Apresentações
    • Hiperativo (agitação, delírios, alucinações)
    • Hipoativo (letargia, apatia)
    • Misto (alternância)
  • 3Espectro clínico
    • Distúrbio psicomotor
    • Alterações emocionais (medo, depressão, euforia)
    • Prejuízo do sono (insônia, inversão do ciclo)
    • Distúrbios perceptivos (alucinações visuais)
  • 4Diagnóstico
    • Clínico
    • CAM (Confusion Assessment Method)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o delirium ocorre exclusivamente em pacientes com transtornos psiquiátricos crônicos. Isso é duplamente errado: o delirium é uma síndrome orgânica, desencadeada por condições clínicas (infecções, distúrbios metabólicos, medicamentos, cirurgias), e não uma doença psiquiátrica primária. Além disso, a palavra "exclusivamente" é um marcador clássico de erro — o delirium acomete principalmente idosos hospitalizados, com ou sem transtorno psiquiátrico prévio. O que pode haver é um transtorno psiquiátrico de base como fator predisponente, mas nunca como condição exclusiva.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que os distúrbios do sono não fazem parte do quadro clínico do delirium. É o oposto: a perturbação do ciclo sono-vigília é uma característica frequente e relevante do delirium, podendo incluir insônia, sonolência diurna, inversão do ritmo circadiano e fragmentação do sono. A privação de sono, inclusive, é um fator de risco e precipitante reconhecido. A alternativa erra ao excluir um componente que integra o espectro clínico da síndrome.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o delirium se manifesta apenas com hipoatividade e apatia. Isso ignora as outras duas apresentações: a hiperativa (agitação psicomotora, delírios, alucinações) e a mista (alternância entre hipo e hiperatividade). A forma hipoativa é a mais comum, mas não é a única. A palavra "apenas" torna a afirmação falsa, pois o delirium pode cursar com agitação, hipervigilância e até comportamento agressivo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve corretamente o espectro clínico do delirium: pode incluir distúrbio psicomotor (agitação, retardo ou alternância), alterações emocionais (medo, depressão, euforia, ansiedade) e prejuízo do sono (insônia, inversão do ciclo, sonolência). Esses são componentes reconhecidos da síndrome, que se soma ao déficit central de atenção e à flutuação do quadro. A redação é abrangente e compatível com a apresentação heterogênea do delirium, sem restringi-lo a uma única forma.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que distúrbios emocionais diversos (medo, depressão, euforia) descartam a possibilidade de delirium. É o contrário: essas alterações emocionais são parte do quadro clínico do delirium e não o excluem. A presença de labilidade emocional, ansiedade, depressão ou euforia é compatível com a síndrome, especialmente em sua forma hiperativa ou mista. A alternativa erra ao transformar um sintoma frequente em critério de exclusão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de pensar o delirium como um quadro homogêneo (só agitação, ou só apatia, ou só confusão). Na verdade, a síndrome é definida pela variabilidade: o que a caracteriza é a alteração aguda e flutuante da atenção, acompanhada de um espectro amplo de sintomas — psicomotores, emocionais e do sono. Palavras como "exclusivamente", "apenas" e "não fazem parte" são os gatilhos para identificar as alternativas erradas. Com treino, você enxerga essas armadilhas de longe 💪.

Gabarito: letra D — a única que reconhece a apresentação multifacetada do delirium, incluindo distúrbio psicomotor, alterações emocionais e prejuízo do sono.

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