O delirium é uma das alterações mentais mais frequentes em pacientes com doenças clínicas, especialmente em idosos hospitalizados. Com relação ás características adicionais que podem acompanhar o delirium, assinale a alternativa correta.
AO delirium ocorre exclusivamente em pacientes com transtornos psiquiátricos crônicos.
BOs distúrbios do sono não fazem parte do quadro clínico do delirium.
CO delirium manifesta-se apenas com hipoatividade e apatia.
DO quadro pode incluir distúrbio psicomotor, alterações emocionais e prejuízo do sono.
EDistúrbios emocionais diversos, como medo, depressão e euforia descartam a possibilidade de delirium.
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GabaritoD — O quadro pode incluir distúrbio psicomotor, alterações emocionais e prejuízo do sono.
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Delirium: características clínicas e apresentações
Gabarito: letra D. O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante que, além do déficit central de atenção, pode cursar com distúrbio psicomotor (agitação ou retardo), alterações emocionais (medo, depressão, euforia) e prejuízo do ciclo sono-vigília — exatamente o que a alternativa D descreve. As demais alternativas trazem afirmações restritivas ou excludentes que contrariam a apresentação clínica variada do delirium, conforme o DSM-5 e a literatura geriátrica.
O delirium é uma emergência neuropsiquiátrica definida por uma alteração aguda e flutuante da consciência, com comprometimento central da atenção. Diferentemente da demência, que tem instalação lenta e progressiva, o delirium se instala em horas a dias, na vigência de uma condição clínica precipitante (infecção, distúrbio metabólico, medicação, cirurgia). A atenção é o domínio cognitivo mais afetado, mas o quadro não se limita a ela: há desorganização do pensamento, alteração do nível de consciência (do torpor à hipervigilância) e, com frequência, distúrbios perceptivos, como alucinações visuais.
A apresentação clínica é notavelmente heterogênea. Classicamente, distinguem-se três formas: hiperativo (agitação psicomotora, delírios, ilusões e alucinações — típico da abstinência alcoólica ou do uso de anticolinérgicos), hipoativo (letargia, sonolência, apatia — a forma mais comum e frequentemente não diagnosticada) e misto (alternância entre os dois quadros). Além do componente psicomotor, o delirium cursa com alterações emocionais variadas — medo, ansiedade, depressão, irritabilidade ou mesmo euforia — e com perturbação do ciclo sono-vigília, que pode se manifestar como inversão do ritmo, insônia ou sonolência diurna excessiva. Esses elementos fazem parte do espectro clínico da síndrome e não a excluem.
A importância do reconhecimento dessas características é prática: o delirium hipoativo, por exemplo, é confundido com depressão, e o hiperativo, com psicose. A flutuação ao longo do dia e o início agudo são pistas-chave. O diagnóstico é clínico, apoiado por instrumentos como o CAM (Confusion Assessment Method), e o manejo exige tratar a causa precipitante, além de medidas não farmacológicas de reorientação e preservação do ciclo sono-vigília.
A pegadinha central desta questão é a tentativa de reduzir o delirium a uma única apresentação (exclusivamente psiquiátrico, apenas hipoativo, sem distúrbios do sono) ou de usar a presença de emoções como critério de exclusão. Na verdade, a síndrome é definida pela sua variabilidade: o que a caracteriza é a alteração aguda e flutuante da atenção, acompanhada de um espectro amplo de sintomas cognitivos, psicomotores, emocionais e do sono. Guarde essa heterogeneidade: é exatamente nela que as alternativas se separam.
Delirium
1Definição
Alteração aguda e flutuante da consciência
Comprometimento central da atenção
Início em horas a dias
2Apresentações
Hiperativo (agitação, delírios, alucinações)
Hipoativo (letargia, apatia)
Misto (alternância)
3Espectro clínico
Distúrbio psicomotor
Alterações emocionais (medo, depressão, euforia)
Prejuízo do sono (insônia, inversão do ciclo)
Distúrbios perceptivos (alucinações visuais)
4Diagnóstico
Clínico
CAM (Confusion Assessment Method)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o delirium ocorre exclusivamente em pacientes com transtornos psiquiátricos crônicos. Isso é duplamente errado: o delirium é uma síndrome orgânica, desencadeada por condições clínicas (infecções, distúrbios metabólicos, medicamentos, cirurgias), e não uma doença psiquiátrica primária. Além disso, a palavra "exclusivamente" é um marcador clássico de erro — o delirium acomete principalmente idosos hospitalizados, com ou sem transtorno psiquiátrico prévio. O que pode haver é um transtorno psiquiátrico de base como fator predisponente, mas nunca como condição exclusiva.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que os distúrbios do sono não fazem parte do quadro clínico do delirium. É o oposto: a perturbação do ciclo sono-vigília é uma característica frequente e relevante do delirium, podendo incluir insônia, sonolência diurna, inversão do ritmo circadiano e fragmentação do sono. A privação de sono, inclusive, é um fator de risco e precipitante reconhecido. A alternativa erra ao excluir um componente que integra o espectro clínico da síndrome.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o delirium se manifesta apenas com hipoatividade e apatia. Isso ignora as outras duas apresentações: a hiperativa (agitação psicomotora, delírios, alucinações) e a mista (alternância entre hipo e hiperatividade). A forma hipoativa é a mais comum, mas não é a única. A palavra "apenas" torna a afirmação falsa, pois o delirium pode cursar com agitação, hipervigilância e até comportamento agressivo.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente o espectro clínico do delirium: pode incluir distúrbio psicomotor (agitação, retardo ou alternância), alterações emocionais (medo, depressão, euforia, ansiedade) e prejuízo do sono (insônia, inversão do ciclo, sonolência). Esses são componentes reconhecidos da síndrome, que se soma ao déficit central de atenção e à flutuação do quadro. A redação é abrangente e compatível com a apresentação heterogênea do delirium, sem restringi-lo a uma única forma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que distúrbios emocionais diversos (medo, depressão, euforia) descartam a possibilidade de delirium. É o contrário: essas alterações emocionais são parte do quadro clínico do delirium e não o excluem. A presença de labilidade emocional, ansiedade, depressão ou euforia é compatível com a síndrome, especialmente em sua forma hiperativa ou mista. A alternativa erra ao transformar um sintoma frequente em critério de exclusão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tendência de pensar o delirium como um quadro homogêneo (só agitação, ou só apatia, ou só confusão). Na verdade, a síndrome é definida pela variabilidade: o que a caracteriza é a alteração aguda e flutuante da atenção, acompanhada de um espectro amplo de sintomas — psicomotores, emocionais e do sono. Palavras como "exclusivamente", "apenas" e "não fazem parte" são os gatilhos para identificar as alternativas erradas. Com treino, você enxerga essas armadilhas de longe 💪.
Gabarito: letra D — a única que reconhece a apresentação multifacetada do delirium, incluindo distúrbio psicomotor, alterações emocionais e prejuízo do sono.