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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg422932
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Varginha - MG
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Geriatra
Um idoso apresenta lapsos de memória, confusão mental e períodos de inatenção. Sofreu quedas imotivadas que resultaram em arranhaduras e escoriações desproporcionais ao trauma. Durante os episódios, foram observados sintomas como mordedura lateral da língua, liberação esfincteriana, afasia e paresia pós-ictais.Com base nesse quadro clínico, assinale o diagnóstico mais provável:
  1. APneumonia comunitária.
  2. BEpilepsia.
  3. CGastrite crônica.
  4. DInsuficiência renal aguda.
  5. EDermatite atópica.
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GabaritoB — Epilepsia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Epilepsia no idoso: reconhecendo a crise convulsiva

Gabarito: letra B. O quadro descrito — lapsos de memória, confusão mental, inatenção, quedas imotivadas com escoriações desproporcionais, mordedura lateral da língua, liberação esfincteriana, afasia e paresia pós-ictais — é altamente sugestivo de epilepsia, especificamente de crises parciais complexas que podem generalizar-se, com fenômenos pós-ictais típicos. As demais alternativas (pneumonia, gastrite, insuficiência renal, dermatite) não explicam o conjunto de sintomas neurológicos focais e os sinais semiológicos de crise epiléptica.

A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada pela predisposição persistente do cérebro a gerar crises epilépticas, que são descargas elétricas anormais e excessivas de um grupo de neurônios. No idoso, a epilepsia é uma condição frequente e subdiagnosticada, pois as crises podem ser sutis, com manifestações como lapsos de memória, confusão mental e períodos de inatenção, que muitas vezes são atribuídos a demência ou a outras causas. As crises parciais complexas, que se originam em uma área específica do cérebro (foco epileptogênico), podem cursar com alteração do nível de consciência, automatismos (como movimentos repetitivos) e, ao se generalizarem, evoluir para uma crise tônico-clônica generalizada, com perda de consciência, rigidez muscular (fase tônica) e abalos rítmicos (fase clônica).

A mordedura lateral da língua é um sinal clássico de crise tônico-clônica generalizada, ocorrendo durante a fase tônica, quando os músculos da mandíbula se contraem fortemente. A liberação esfincteriana (perda de urina ou fezes) também é comum durante a crise generalizada. Os sintomas pós-ictais — afasia (dificuldade de linguagem) e paresia (fraqueza muscular) — são decorrentes da disfunção neurológica transitória que se segue à crise, podendo durar de minutos a horas. As quedas imotivadas com escoriações desproporcionais ao trauma são consequência da perda súbita de consciência e da contração muscular intensa durante a crise, que podem levar a traumatismos. A confusão mental e os lapsos de memória podem ser manifestações ictais (durante a crise) ou pós-ictais (após a crise), e no idoso podem ser a única manifestação de uma crise parcial complexa, o que dificulta o diagnóstico.

É importante diferenciar a epilepsia de outras causas de perda de consciência e quedas no idoso, como a síncope (perda súbita de consciência por hipoperfusão cerebral, geralmente de causa cardiovascular) e os acidentes vasculares cerebrais (AVC), que podem cursar com déficits neurológicos focais, mas sem o padrão ictal e pós-ictal característico. Na síncope, a perda de consciência é breve, sem fase tônica-clônica, e o paciente recupera-se rapidamente, sem confusão mental prolongada. No AVC, os déficits são persistentes e não há o padrão de crise convulsiva. A afasia e a paresia pós-ictais são transitórias e se resolvem espontaneamente, o que as distingue dos déficits permanentes do AVC.

A banca explora a dificuldade de reconhecer a epilepsia no idoso, que muitas vezes se apresenta de forma atípica, com sintomas que podem ser confundidos com demência ou outras condições. A presença de mordedura lateral da língua, liberação esfincteriana e sintomas pós-ictais é o conjunto de sinais que fecha o diagnóstico de crise epiléptica, pois são altamente específicos. As demais alternativas (pneumonia, gastrite, insuficiência renal, dermatite) não cursam com esse padrão semiológico neurológico.

Guarde o critério decisivo: a combinação de sinais ictais (mordedura lateral da língua, liberação esfincteriana) e sinais pós-ictais (afasia, paresia, confusão) é o que separa a epilepsia de todas as outras condições listadas. É exatamente nessa combinação que as alternativas se dividem.

1Sinais ictais
Mordedura lateral da língua
Liberação esfincteriana
Perda de consciência
Fase tônica e clônica
2Sinais pós-ictais
Confusão mental
Afasia
Paresia
Lapsos de memória
3Diagnóstico diferencial
Síncope (breve, sem fase convulsiva)
AVC (déficits persistentes, sem padrão ictal)
Crise epiléptica
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Crise epiléptica: Sinais ictais (Mordedura lateral da língua, Liberação esfincteriana, Perda de consciência, Fase tônica e clônica); Sinais pós-ictais (Confusão mental, Afasia, Paresia, Lapsos de memória); Diagnóstico diferencial (Síncope (breve, sem fase convulsiva), AVC (déficits persistentes, sem padrão ictal))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A pneumonia comunitária é uma infecção do parênquima pulmonar que cursa com febre, tosse, dispneia, dor torácica e, em idosos, pode manifestar-se com confusão mental (delirium). No entanto, não explica a mordedura lateral da língua, a liberação esfincteriana nem os sintomas pós-ictais (afasia e paresia). A confusão mental na pneumonia é um delirium, que é um estado confusional agudo e flutuante, sem o padrão de crise convulsiva. A ausência de sintomas respiratórios e a presença de sinais neurológicos focais e ictais tornam a pneumonia um diagnóstico improvável.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A epilepsia é o diagnóstico mais provável, pois o quadro clínico é composto por manifestações típicas de crise epiléptica: mordedura lateral da língua (sinal clássico de crise tônico-clônica generalizada), liberação esfincteriana (perda de controle dos esfíncteres durante a crise), afasia e paresia pós-ictais (disfunção neurológica transitória após a crise) e quedas imotivadas com escoriações (consequência da perda de consciência e da atividade motora intensa). Os lapsos de memória, confusão mental e inatenção podem ser manifestações de crises parciais complexas ou do período pós-ictal. No idoso, a epilepsia é uma causa comum de quedas e de sintomas cognitivos, e o reconhecimento dos sinais semiológicos é fundamental para o diagnóstico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A gastrite crônica é uma inflamação da mucosa gástrica que cursa com dor epigástrica, dispepsia, náuseas e, em casos de sangramento, anemia. Não há qualquer relação com os sintomas neurológicos descritos, como mordedura lateral da língua, liberação esfincteriana, afasia ou paresia. A gastrite não causa perda de consciência, crises convulsivas ou déficits neurológicos focais. A presença de sintomas ictais e pós-ictais exclui completamente essa hipótese.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A insuficiência renal aguda (IRA) é uma síndrome caracterizada pela redução abrupta da função renal, cursando com azotemia, distúrbios hidroeletrolíticos e, em casos graves, encefalopatia urêmica, que pode causar confusão mental e rebaixamento do nível de consciência. No entanto, a IRA não explica a mordedura lateral da língua, a liberação esfincteriana nem os sintomas pós-ictais (afasia e paresia). A encefalopatia urêmica é um estado confusional difuso, sem o padrão de crise convulsiva focal com generalização. A ausência de sinais de disfunção renal (oligúria, edema, alterações laboratoriais) e a presença de sinais neurológicos focais tornam a IRA um diagnóstico improvável.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por prurido, eritema, descamação e lesões eczematosas. Não há qualquer relação com os sintomas neurológicos descritos, como mordedura lateral da língua, liberação esfincteriana, afasia ou paresia. A dermatite atópica não causa perda de consciência, crises convulsivas ou déficits neurológicos focais. As escoriações descritas no enunciado são consequência das quedas durante as crises, e não uma manifestação dermatológica primária.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a dificuldade de reconhecer a epilepsia no idoso, que muitas vezes se apresenta de forma atípica, com sintomas como confusão mental e lapsos de memória, que podem ser confundidos com demência ou delirium. A pegadinha está em focar apenas nos sintomas cognitivos e ignorar os sinais semiológicos de crise epiléptica — mordedura lateral da língua, liberação esfincteriana e sintomas pós-ictais — que são altamente específicos e fecham o diagnóstico. Na prova, ao ver esses sinais, pense imediatamente em epilepsia, mesmo que o paciente seja idoso e os sintomas pareçam inespecíficos. 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões de neurologia, monte um checklist mental dos sinais de crise epiléptica: mordedura lateral da língua, liberação esfincteriana, automatismos, perda de consciência, fase tônica e clônica, e sintomas pós-ictais (confusão, afasia, paresia, cefaleia). Se o enunciado trouxer esses elementos, o diagnóstico é epilepsia, independentemente da idade do paciente. Compare com a síncope (perda de consciência breve, sem fase convulsiva, recuperação rápida) e com o AVC (déficits focais persistentes, sem padrão ictal). Essa distinção é a chave para acertar questões semelhantes.

Gabarito: letra B

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