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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg422984
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Varginha - MG
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurologista
Thiago, de 6 anos, tem apresentado episódios noturnos que preocupam seus pais. Aproximadamente duas horas após dormir, ele acorda aterrorizado, não reconhece os familiares e fica inconsolável. Durante o episódio, ele grita incoerentemente, corre pela casa se não for contido e, ao final, volta a dormir. Mais tarde, não se recorda do ocorrido.Considerando apenas as alternativas apresentadas, assinale a alternativa que corresponde ao distúrbio apresentado por Thiago.
  1. ATerror noturno
  2. BSonambulismo
  3. CNarcolepsia-cataplexia
  4. DInsônia inicial
  5. EApneia obstrutiva do sono
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Terror noturno

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Parassonias: Terror Noturno e Diagnóstico Diferencial

Gabarito: letra A. O quadro de Thiago — acordar aterrorizado cerca de duas horas após dormir, gritar, não reconhecer os familiares, ficar inconsolável, correr pela casa e não se lembrar do episódio no dia seguinte — é a descrição clássica de terror noturno, uma parassonia do despertar que ocorre na primeira metade do sono, em estágio de sono de ondas lentas (N3). O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história típica, e o apoio didático confirma que o terror noturno "ocorre geralmente entre 4 e 12 anos de idade", "inicia com um grito e a criança fica muito agitada, chorosa, inconsolável" e "não é lembrado no dia seguinte".

O terror noturno pertence ao grupo das parassonias, que são eventos indesejáveis relacionados ao sono, ocorrendo nas transições entre os estágios do sono. No material de apoio, as parassonias são definidas como eventos que "costumam ocorrer nas transições sono-vigília, podendo afetar até 50% das crianças, geralmente desaparecendo na puberdade", e incluem o sonambulismo, o sonilóquio, o despertar confusional, o terror noturno e o pesadelo. Um ponto crucial para o diagnóstico é a fase do sono em que ocorrem: a maioria das parassonias (incluindo o terror noturno) acontece na primeira metade do sono, durante o sono de ondas lentas (NREM), e as crianças não se lembram do evento. Já o pesadelo ocorre mais frequentemente na segunda metade do sono, durante o sono REM, e a criança lembra-se do conteúdo do sonho. Essa distinção é fundamental e explica por que Thiago não recorda do episódio.

O diagnóstico diferencial mais importante é com o despertar confusional, outra parassonia do despertar. O material de apoio destaca que é frequente a confusão entre os dois. O despertar confusional é mais comum até os 5 anos, ocorre nas primeiras 2 a 3 horas de sono, a criança fica sentada na cama, parecendo acordada e confusa, porém irresponsiva e chorosa, e o episódio dura de 5 a 30 minutos. O terror noturno, por sua vez, ocorre geralmente entre 4 e 12 anos, inicia com um grito, a criança fica muito agitada, inconsolável, com rubor facial e sudorese, e o episódio dura de 10 a 20 minutos. Ambos não são lembrados no dia seguinte. A idade de Thiago (6 anos) e a descrição de "grita incoerentemente" e "fica inconsolável" apontam mais especificamente para o terror noturno, embora o despertar confusional seja um diagnóstico diferencial próximo.

Outro diferencial relevante é com crises convulsivas durante o sono (epilepsia). O material de apoio menciona que "é relevante fazer o diagnóstico diferencial com crises convulsivas durante o sono; caso a distinção não fique clara na história, pode estar indicado fazer um eletrencefalograma". No caso de Thiago, a história é típica de terror noturno, sem elementos que sugiram atividade epiléptica (como movimentos tônico-clônicos, mordedura de língua ou padrão estereotipado).

O tratamento, quando os episódios são esporádicos, envolve tranquilização e evitar fatores precipitantes, em especial a privação de sono. Quando os episódios são frequentes, pode ser indicada a polissonografia para investigar outros fatores precipitantes, e, se a parassonia for muito frequente e incômoda, pode estar indicado o uso de benzodiazepínico (como clonazepam antes de dormir).

A pegadinha desta questão está em distinguir o terror noturno das demais parassonias e distúrbios do sono. A banca explora a confusão entre terror noturno e pesadelo (que ocorre no REM e é lembrado), entre terror noturno e sonambulismo (que envolve deambulação sem o componente de terror intenso e inconsolável), e entre terror noturno e outras condições como narcolepsia, insônia e apneia. O critério decisivo é a combinação de horário (primeira metade do sono), comportamento (grito, agitação, inconsolabilidade) e amnésia do evento.

Critério

Terror Noturno (gabarito)

Sonambulismo

Pesadelo

Fase do sono

NREM (sono de ondas lentas, N3)

NREM (sono de ondas lentas)

REM

Momento típico

1ª metade da noite

1ª metade da noite

2ª metade da noite

Comportamento

Grito, agitação, inconsolável, rubor facial, sudorese

Deambulação, olhar vago, sem terror intenso

Sonho vívido e assustador

Memória do evento

Amnésia total

Amnésia total

Lembrança do conteúdo do sonho

Idade típica

4–12 anos

Mais comum em crianças

Qualquer idade

1Terror noturno
Grito + agitação + inconsolável
Amnésia do episódio
2Sonambulismo
Deambulação sem terror
Amnésia do episódio
3Despertar confusional
Irresponsivo e choroso
Amnésia do episódio
4Pesadelo (REM, 2ª metade)
Lembrança do conteúdo
5Diagnóstico diferencial
Crises convulsivas noturnas
Apneia obstrutiva do sono
Parassonias do despertar (NREM, 1ª metade)
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Parassonias do despertar (NREM, 1ª metade): Terror noturno (Grito + agitação + inconsolável, Amnésia do episódio); Sonambulismo (Deambulação sem terror, Amnésia do episódio); Despertar confusional (Irresponsivo e choroso, Amnésia do episódio); Pesadelo (REM, 2ª metade) (Lembrança do conteúdo); Diagnóstico diferencial (Crises convulsivas noturnas, Apneia obstrutiva do sono)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O terror noturno é uma parassonia do despertar que ocorre na primeira metade do sono, em estágio de sono de ondas lentas (N3). O quadro de Thiago é típico: acorda aterrorizado cerca de duas horas após dormir, não reconhece os familiares, fica inconsolável, grita incoerentemente, corre pela casa e não se recorda do episódio. O material de apoio confirma que o terror noturno "ocorre geralmente entre 4 e 12 anos de idade", "inicia com um grito e a criança fica muito agitada, chorosa, inconsolável, com rubor facial e sudorese", e "não é lembrado no dia seguinte". A idade de Thiago (6 anos) e a descrição dos sintomas se encaixam perfeitamente nesse diagnóstico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O sonambulismo é outra parassonia do despertar, mas se caracteriza por deambulação (caminhar durante o sono) sem o componente de terror intenso, grito e inconsolabilidade descritos no caso. Embora Thiago "corra pela casa se não for contido", o quadro é dominado pelo terror, agitação e choro inconsolável, que são a marca do terror noturno. O sonambulismo, isoladamente, não explica o grito inicial e o estado de pavor. A banca troca o sintoma predominante: no sonambulismo, a criança caminha com olhar vago e não responde; no terror noturno, há pavor intenso e agitação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A narcolepsia-cataplexia é um distúrbio do sono caracterizado por sonolência diurna excessiva, cataplexia (perda súbita do tônus muscular desencadeada por emoções), paralisia do sono e alucinações hipnagógicas. Nada no quadro de Thiago sugere sonolência diurna ou cataplexia. Os episódios noturnos de terror e agitação não são compatíveis com narcolepsia. A banca insere um distúrbio do sono conhecido, mas com fisiopatologia e manifestações completamente diferentes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A insônia inicial é a dificuldade para iniciar o sono, ou seja, a criança demora a pegar no sono. O caso de Thiago não descreve dificuldade para adormecer, mas sim um despertar abrupto e aterrorizado após aproximadamente duas horas de sono. A insônia inicial não explica o comportamento descrito (gritos, agitação, inconsolabilidade, amnésia). A banca troca o sintoma: insônia é dificuldade para dormir; terror noturno é um despertar anormal durante o sono.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A apneia obstrutiva do sono (AOS) é caracterizada por episódios de obstrução das vias aéreas superiores durante o sono, levando a roncos, pausas respiratórias e despertares. Em crianças, é frequente, com prevalência entre 1 e 5%, e o pico de incidência entre 2 e 8 anos, coincidindo com o aumento das amígdalas. No entanto, o quadro de Thiago não descreve roncos, pausas respiratórias ou sonolência diurna. O comportamento de terror noturno não é uma manifestação típica da AOS, embora a AOS possa ser um fator precipitante de parassonias. A banca insere um distúrbio do sono comum na infância, mas com apresentação clínica distinta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as parassonias do despertar (terror noturno, sonambulismo, despertar confusional) e o pesadelo. A chave é lembrar: parassonias do despertar ocorrem na primeira metade do sono (NREM) e não são lembradas; o pesadelo ocorre na segunda metade (REM) e é lembrado. Thiago não se recorda do episódio e o evento ocorre cerca de duas horas após dormir — isso aponta para parassonia do despertar, e o grito + inconsolabilidade fecham o diagnóstico de terror noturno. Com esse critério, você elimina as outras opções com segurança.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as parassonias na prova, monte um quadro mental com três eixos: quando ocorre (1ª metade NREM vs 2ª metade REM), comportamento (grito/terror vs deambulação vs sonho vívido) e memória do evento (amnésia vs lembrança). O terror noturno é o único que combina grito + agitação + inconsolabilidade + amnésia na primeira metade do sono. Se a criança lembra do conteúdo do sonho, é pesadelo; se apenas caminha sem terror, é sonambulismo.

Gabarito: letra A

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