As cefaleias são divididas em primárias e secundárias. As primárias são aquelas em que a própria cefaleia é a principal condição do paciente, como a migrânea e a tensional, enquanto as secundárias estão relacionadas com uma condição subjacente reconhecida. As cefaleias primárias são classificadas em grupos distintos, assinale a alternativa que apresenta corretamente um dos grupos dessa classificação:
ACefaleia psicogênica crônica
BCefaleia cervicogênica pós-traumática
CCefaleia secundária à hipertensão intracraniana
DCefaleia por uso excessivo de analgésicos
ECefaleias trigêmino-autonômicas
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GabaritoE — Cefaleias trigêmino-autonômicas
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Cefaleias primárias: classificação pela ICHD-3
Gabarito: letra E. As cefaleias trigêmino-autonômicas constituem um dos grupos de cefaleias primárias reconhecidos pela Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-3), da International Headache Society (IHS). As demais alternativas descrevem cefaleias secundárias ou termos não consagrados na classificação oficial.
A classificação das cefaleias é um pilar da neurologia clínica e da atenção primária. O primeiro passo diagnóstico é sempre distinguir cefaleia primária de secundária. As cefaleias primárias são aquelas em que a própria dor é a doença — não há uma lesão estrutural, infecciosa, vascular ou metabólica subjacente que a explique. São condições funcionais, com fisiopatologia complexa envolvendo o sistema trigêmino-vascular e a modulação central da dor. Já as secundárias são sintoma de outra condição: um tumor, uma hemorragia, uma infecção, um trauma, um distúrbio metabólico, entre outros.
A ICHD-3, publicada em 2018, organiza as cefaleias primárias em grupos bem definidos. O grupo mais prevalente é o das migrâneas (enxaquecas), seguido pelas cefaleias do tipo tensional. Há ainda as cefaleias trigêmino-autonômicas — grupo que inclui a cefaleia em salvas, a hemicrania paroxística e a SUNCT — e um grupo de outras cefaleias primárias, como a cefaleia em punhalada, a cefaleia do esforço e a hemicrania contínua. É exatamente essa estrutura que a questão cobra: saber quais entidades pertencem ao grupo das primárias.
A pegadinha central está em reconhecer que os termos "psicogênica", "cervicogênica", "secundária à hipertensão intracraniana" e "por uso excessivo de analgésicos" não descrevem cefaleias primárias. A cefaleia cervicogênica, por exemplo, é classificada como secundária, pois a dor se origina de uma anormalidade na coluna cervical. A cefaleia por uso excessivo de medicamentos é uma complicação do tratamento inadequado de cefaleias primárias, mas é formalmente classificada como secundária. A "cefaleia psicogênica crônica" não é um termo da classificação oficial — a ICHD-3 não utiliza essa nomenclatura. E a cefaleia secundária à hipertensão intracraniana é, pelo próprio nome, secundária.
Guarde a fronteira: primária = a dor é a doença; secundária = a dor é sintoma de outra condição. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Cefaleias
1Primárias (a dor é a doença)
Migrânea
Tipo tensional
Trigêmino-autonômicas
salvas, hemicrania paroxística, SUNCT
Outras primárias
punhalada, esforço, hemicrania contínua
2Secundárias (a dor é sintoma)
Cervicogênica
Por uso excessivo de analgésicos
À hipertensão intracraniana
Atribuídas a transtornos psiquiátricos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O termo "cefaleia psicogênica crônica" não faz parte da classificação oficial da ICHD-3. A classificação não utiliza essa nomenclatura. Embora existam cefaleias associadas a transtornos psiquiátricos, elas são classificadas como secundárias (atribuídas a transtornos psiquiátricos) e não como um grupo primário autônomo. A alternativa erra ao inventar um grupo que não existe na taxonomia oficial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A cefaleia cervicogênica é uma cefaleia secundária, pois a dor origina-se de uma anormalidade na coluna cervical. A ICHD-3 a classifica no grupo das cefaleias secundárias atribuídas a transtornos do pescoço. A alternativa a apresenta como se fosse um grupo de cefaleia primária, o que é um erro conceitual.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A cefaleia secundária à hipertensão intracraniana é, pelo próprio nome, uma cefaleia secundária. A hipertensão intracraniana (como no pseudotumor cerebral) é uma condição subjacente que causa a dor. Portanto, não pode ser um grupo de cefaleia primária.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A cefaleia por uso excessivo de analgésicos (medication overuse headache) é classificada como secundária pela ICHD-3. Ela ocorre quando o uso frequente de analgésicos ou triptanos leva ao aumento da frequência das crises. É uma complicação do tratamento, mas formalmente é uma cefaleia secundária.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As cefaleias trigêmino-autonômicas são um grupo de cefaleias primárias reconhecido pela ICHD-3. Esse grupo inclui a cefaleia em salvas (a mais frequente), a hemicrania paroxística e a SUNCT. Caracterizam-se por dor unilateral intensa, associada a sintomas autonômicos ipsilaterais (lacrimejamento, congestão nasal, ptose, miose). A alternativa está correta ao apresentar esse grupo como parte da classificação das cefaleias primárias.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, memorize os grupos de cefaleias primárias da ICHD-3: Migrânea, Cefaleia do tipo tensional, Trigêmino-autonômicas e Outras cefaleias primárias. Na prova, desconfie de termos como "psicogênica" ou "cervicogênica" — eles não são grupos primários. A presença de uma causa subjacente (trauma, hipertensão intracraniana, uso de medicamentos) indica cefaleia secundária.