Assinale a alternativa que descreve corretamente os distúrbios paroxísticos não epilépticos.
ASão infecções virais que acometem exclusivamente o sistema gastrointestinal de adultos imunocomprometidos.
BTratam-se de tumores cerebrais de crescimento rápido que causam alucinações visuais persistentes.
CSão manifestações exclusivamente psiquiátricas que ocorrem apenas em idosos com demência avançada.
DSão eventos clínicos que se caracterizam por sintomas motores ou comportamentais que geralmente têm início e fim determinados sendo facilmente confundidos com crises epilépticas. Podem ocorrer em qualquer grupo etário, porém mais comuns na infância.
ESão distúrbios musculares degenerativos causados pela deficiência de potássio, restritos à adolescência.
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GabaritoD — São eventos clínicos que se caracterizam por sintomas motores ou comportamentais que geralmente têm início e fim determinados sendo facilmente confundidos com crises epilépticas. Podem ocorrer em qualquer grupo etário, porém mais comuns na infância.
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Distúrbios paroxísticos não epilépticos
Gabarito: letra D. Os distúrbios paroxísticos não epilépticos são eventos clínicos que mimetizam crises epilépticas, com sintomas motores ou comportamentais de início e fim determinados, podendo ocorrer em qualquer idade, mas sendo mais comuns na infância. A alternativa D descreve exatamente essa definição, enquanto as demais trazem conceitos completamente alheios ao tema (infecções virais, tumores, transtornos psiquiátricos de idosos e distúrbios musculares por deficiência de potássio).
O termo "paroxístico" vem do grego paroxysmos, que significa irritação ou excitação súbita — na medicina, designa eventos que surgem de forma abrupta, duram um período curto e terminam de maneira igualmente rápida, voltando o paciente ao seu estado basal. Quando falamos em "distúrbios paroxísticos não epilépticos", estamos nos referindo a um grupo heterogêneo de condições que se apresentam com episódios súbitos e transitórios de alteração motora, sensitiva, comportamental ou de consciência, mas que NÃO são causados por descargas neuronais anormais e sincrônicas típicas da epilepsia. A importância clínica desse conceito é enorme: estima-se que 5 a 20% dos pacientes encaminhados a ambulatórios de epilepsia tenham, na verdade, crises não epilépticas, e o diagnóstico incorreto leva a tratamentos ineficazes, desnecessários e potencialmente prejudiciais, além de atraso no diagnóstico correto.
A confusão entre esses eventos e as crises epilépticas é frequente porque ambos compartilham características semelhantes: início súbito, duração limitada, movimentos anormais, alteração de responsividade e, por vezes, perda de consciência. A diferença fundamental está na origem: na epilepsia, há uma descarga elétrica anormal e sincronizada de neurônios cerebrais; nos distúrbios não epilépticos, a causa é outra — pode ser cardiovascular (síncope), metabólica (hipoglicemia), psicológica (crises psicogênicas não epilépticas), neurológica não epiléptica (enxaqueca, vertigem, distúrbios do movimento) ou até fisiológica (crises de perda de fôlego na infância).
A distribuição etária é um ponto-chave: embora possam ocorrer em qualquer idade, são mais comuns na infância. Isso se deve à imaturidade do sistema nervoso e à maior frequência de condições como crises de perda de fôlego (síncopes reflexas), terror noturno, vertigem paroxística benigna e distonia induzida por medicamentos. Na idade adulta, predominam síncopes (vasovagal, cardíaca, ortostática), crises psicogênicas não epilépticas, enxaqueca, ataques isquêmicos transitórios e distúrbios do movimento. O diagnóstico diferencial é feito principalmente pela história clínica detalhada, e o vídeo-EEG é o exame definitivo para distinguir crises epilépticas de não epilépticas, especialmente as psicogênicas.
A banca explora aqui um padrão clássico: alternativas absurdas e desconectadas do tema, com a correta sendo a única que apresenta uma definição tecnicamente precisa. A pegadinha está em o candidato, ao ler "não epilépticos", associar imediatamente a "psiquiátrico" (como na alternativa C) ou a qualquer outra causa orgânica específica, esquecendo que o conceito abrange um espectro amplo de condições. O critério decisivo para separar as alternativas é justamente a abrangência da definição: os distúrbios paroxísticos não epilépticos não se restringem a nenhuma faixa etária, causa ou sistema orgânico específico — são definidos pela apresentação clínica (eventos paroxísticos que mimetizam crises) e pela exclusão da epilepsia.
Distúrbios paroxísticos não epilépticos
1Definição
Eventos súbitos e transitórios
Mimetizam crises epilépticas
Sem descarga neuronal anormal
2Causas
Cardiovasculares (síncope)
Metabólicas (hipoglicemia)
Psicológicas (crises psicogênicas)
Neurológicas não epilépticas (enxaqueca)
Fisiológicas (perda de fôlego)
3Epidemiologia
Qualquer idade
Mais comuns na infância
4Diagnóstico
História clínica detalhada
Vídeo-EEG (definitivo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que são infecções virais que acometem exclusivamente o sistema gastrointestinal de adultos imunocomprometidos. Erro múltiplo: não são infecções virais, não acometem exclusivamente o sistema gastrointestinal, não se restringem a adultos imunocomprometidos e não têm relação com o conceito de distúrbio paroxístico não epiléptico. A descrição se aproximaria, na verdade, de uma gastroenterite viral em imunossuprimidos — condição que nada tem a ver com eventos paroxísticos que mimetizam crises epilépticas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que se tratam de tumores cerebrais de crescimento rápido que causam alucinações visuais persistentes. Erro: distúrbios paroxísticos não epilépticos não são tumores, e as alucinações visuais persistentes não são características desses eventos — que são, por definição, paroxísticos (súbitos e transitórios), não persistentes. Tumores cerebrais podem causar crises epilépticas secundárias, mas isso é outra categoria diagnóstica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que são manifestações exclusivamente psiquiátricas que ocorrem apenas em idosos com demência avançada. Erro duplo: (1) nem todos os distúrbios paroxísticos não epilépticos são psiquiátricos — há causas cardiovasculares, metabólicas, neurológicas e fisiológicas; (2) não ocorrem apenas em idosos com demência — são mais comuns na infância, como afirma a alternativa correta. As crises psicogênicas não epilépticas são um subgrupo, não a totalidade do conceito.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão o conceito: "eventos clínicos que se caracterizam por sintomas motores ou comportamentais que geralmente têm início e fim determinados, sendo facilmente confundidos com crises epilépticas. Podem ocorrer em qualquer grupo etário, porém mais comuns na infância." Cada elemento da definição está correto: (1) sintomas motores ou comportamentais — abrange a diversidade de apresentações (movimentos anormais, alterações de comportamento, perda de consciência); (2) início e fim determinados — a característica paroxística; (3) facilmente confundidos com crises epilépticas — o motivo da importância clínica; (4) qualquer grupo etário, mais comuns na infância — a distribuição epidemiológica correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que são distúrbios musculares degenerativos causados pela deficiência de potássio, restritos à adolescência. Erro: não são distúrbios musculares degenerativos, não são causados por deficiência de potássio e não se restringem à adolescência. A deficiência de potássio (hipocalemia) pode causar fraqueza muscular e, em casos graves, paralisia, mas isso não configura um distúrbio paroxístico não epiléptico no sentido do conceito cobrado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca aposta na associação automática: ao ler "não epiléptico", o candidato tende a pensar em "psiquiátrico" (alternativa C) ou em alguma causa orgânica específica. Mas o conceito é muito mais amplo — abrange síncopes, hipoglicemia, enxaqueca, distúrbios do movimento, crises psicogênicas e até fenômenos fisiológicos da infância. A palavra-chave é "paroxístico": evento súbito, de início e fim determinados, que mimetiza crise epiléptica, mas não é causado por descarga neuronal anormal. Guarde isso e você elimina as alternativas absurdas na hora.
PEGA ESSA DICA!
Para questões que pedem a definição de um conceito médico, leia a alternativa correta procurando os elementos estruturais da definição: (1) o que é (eventos clínicos), (2) como se apresenta (sintomas motores ou comportamentais), (3) qual a característica temporal (início e fim determinados), (4) qual a relação com o diagnóstico diferencial (confundidos com crises epilépticas) e (5) qual a epidemiologia (qualquer idade, mais comum na infância). Se a alternativa contém todos esses elementos, é a correta. As demais quase sempre erram em pelo menos um desses pilares — como as alternativas A, B, C e E, que erram em todos.