Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025
- Código
- qg423002
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Prefeitura de Varginha - MG
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Neuropediatra
- AF – V – F
- BV – V – V
- CV – F – F
- DF – V – V
- EV – V – F
GabaritoB — V – V – V
Gabarito: letra B (V – V – V). As três afirmativas estão corretas: a avaliação clínica da criança hipotônica exige distinguir causa central (suprassegmentar) de periférica (unidade motora); fatores de risco pré/peri/pós-natais, abortamento, atraso cognitivo, epilepsia e alerta precário apontam para causa central; e atraso/diminuição de movimentos fetais, apresentação pélvica, luxação de quadril, pés tortos, distúrbios de deglutição, suporte ventilatório sem causa evidente e hipo/arreflexia apontam para causa periférica. O raciocínio clínico se baseia na localização da lesão no sistema nervoso, conforme a semiologia neurológica pediátrica.
A síndrome da criança hipotônica é um desafio diagnóstico porque a hipotonia — diminuição do tônus muscular — pode ter origens muito distintas. O tônus muscular é mantido por uma via que vai do córtex cerebral até a fibra muscular, passando por tronco encefálico, medula, nervo periférico e junção neuromuscular. Quando a lesão está em qualquer ponto dessa via, o resultado pode ser hipotonia. Por isso, o primeiro passo é localizar o nível da lesão: se está no sistema nervoso central (suprassegmentar) ou na unidade motora (periférica). Essa distinção é essencial porque muda completamente a investigação etiológica, o prognóstico e a conduta.
Na prática clínica, a diferenciação começa pela história e pelo exame físico. Na hipotonia central, frequentemente há comprometimento cognitivo, epilepsia, alteração do nível de consciência (alerta precário) e fatores de risco gestacionais ou perinatais — como prematuridade, hipóxia, infecções congênitas. Já na hipotonia periférica, o padrão é diferente: a criança costuma estar alerta e com boa interação, mas apresenta fraqueza muscular evidente, reflexos miotáticos diminuídos ou abolidos (hipo ou arreflexia), e frequentemente há história de diminuição dos movimentos fetais, apresentação pélvica, luxação congênita de quadril, pés tortos e dificuldades de deglutição ou ventilação. Esses sinais refletem o comprometimento da unidade motora desde a vida intrauterina.
Um exemplo concreto ajuda a fixar: um recém-nascido com hipotonia, alerta, com choro fraco, reflexos ausentes e pés tortos sugere fortemente uma causa periférica, como doença do neurônio motor inferior ou miopatia congênita. Por outro lado, um lactente hipotônico com crises epilépticas, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor e história de asfixia perinatal aponta para uma encefalopatia de causa central. A presença de reflexos osteotendíneos vivos ou abolidos é um dos marcadores mais úteis: reflexos vivos favorecem causa central; reflexos abolidos ou muito diminuídos favorecem causa periférica.
A banca explora exatamente essa dicotomia central × periférica, e a pegadinha está em inverter os sinais típicos de cada grupo. O candidato que decora os sinais sem entender o mecanismo pode trocar, por exemplo, "alerta precário" (central) por "criança alerta" (periférica), ou "hiporreflexia" (periférica) por "hiperreflexia" (central). A chave é associar cada sinal ao nível da lesão: comprometimento do córtex/tronco → alterações de consciência, cognição e epilepsia; comprometimento da unidade motora → fraqueza, hipotonia com reflexos diminuídos e deformidades congênitas.
A banca adora inverter os sinais entre causa central e periférica. Aqui, as três afirmativas estão corretas, mas em outras questões o examinador pode trocar "hiporreflexia" (periférica) por "hiperreflexia" (central), ou "alerta precário" (central) por "criança alerta" (periférica). Grave o par: central = consciência/cognição/epilepsia alteradas; periférica = fraqueza + reflexos diminuídos + deformidades congênitas.
A afirmativa está correta. A avaliação clínica da criança hipotônica é complexa e o passo fundamental é definir se a hipotonia é de causa central (suprassegmentar) ou periférica (unidade motora). Essa distinção é o eixo da abordagem diagnóstica, pois direciona toda a investigação etiológica — exames de imagem e eletroencefalograma para causas centrais; eletroneuromiografia, dosagens enzimáticas e biópsia muscular para causas periféricas.
A afirmativa está correta. Fatores de risco pré, peri ou pós-natais (como prematuridade, hipóxia perinatal, infecções congênitas), histórico de abortamentos (que pode sugerir doença genética ou metabólica), atraso cognitivo, epilepsia e alerta precário são características que apontam para comprometimento do sistema nervoso central. A presença de epilepsia e alteração do nível de consciência é particularmente sugestiva de disfunção suprassegmentar, pois essas manifestações raramente ocorrem em doenças da unidade motora isoladas.
A afirmativa está correta. Atraso ou diminuição dos movimentos fetais, apresentação pélvica, luxação de quadril, pés tortos, distúrbios de deglutição, necessidade de suporte ventilatório sem causa evidente e hipo ou arreflexia são sinais clássicos de comprometimento da unidade motora (causa periférica). A diminuição dos movimentos fetais reflete fraqueza muscular intraútero; a apresentação pélvica e as deformidades (luxação de quadril, pés tortos) são consequências da hipocinesia fetal; e a hipo/arreflexia indica lesão do neurônio motor inferior, nervo periférico, junção neuromuscular ou músculo.
Gabarito: letra B — todas as afirmativas são verdadeiras (V – V – V).
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