Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025
- Código
- qg423003
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Prefeitura de Varginha - MG
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Neuropediatra
- ADoença de Parkinson
- BEsclerose múltipla
- CEpilepsia
- DEnxaqueca
- EMeningite viral
GabaritoB — Esclerose múltipla
Gabarito: letra B. A descrição do enunciado — doença autoimune, inflamatória, desmielinizante e neurodegenerativa, que envolve a substância branca e cinzenta do SNC — é a definição clássica de esclerose múltipla (EM), o protótipo das doenças desmielinizantes do sistema nervoso central. As demais alternativas não se encaixam: Parkinson é neurodegenerativa, mas não autoimune nem desmielinizante; epilepsia e enxaqueca são distúrbios funcionais sem desmielinização; meningite viral é infecciosa e inflamatória, mas não desmielinizante.
A esclerose múltipla é uma doença crônica do sistema nervoso central, de caráter autoimune, na qual o sistema imunológico ataca a bainha de mielina — a camada que envolve e isola os axônios neuronais, essencial para a condução rápida dos impulsos nervosos. Esse ataque gera inflamação e desmielinização, ou seja, a destruição da mielina, formando as placas características da doença. Historicamente classificada como uma doença da substância branca, sabe-se hoje que a substância cinzenta também é acometida, o que explica os déficits cognitivos e a atrofia cerebral observados em muitos pacientes. Além disso, há um componente neurodegenerativo — perda axonal e neuronal — que se acumula ao longo do tempo e é o principal responsável pela incapacidade progressiva.
A patologia clássica da EM consiste em lesões desmielinizantes na substância branca, com infiltração perivascular de células mononucleares (monócitos, macrófagos e linfócitos) e presença variável de anticorpos e complemento ativado. As lesões agudamente ativas rompem a barreira hematencefálica, o que é visível na ressonância magnética com contraste de gadolínio. A doença é mais comum em mulheres (razão de 2:1 a 4:1) e em indivíduos de ascendência do norte da Europa, com forte associação genética ao HLA-DR (especialmente DRB1*15:01) e fatores ambientais como baixa vitamina D, tabagismo e infecção pelo vírus Epstein-Barr.
Na prática clínica, a EM se manifesta tipicamente em surtos (recidivas) que afetam diferentes regiões do SNC — neurite óptica, mielite transversa, sintomas cerebelares, sensitivos ou motores — com recuperação parcial ou total entre os episódios. Com o tempo, a maioria dos pacientes evolui para a forma progressiva, acumulando incapacidade neurológica. O diagnóstico é clínico, apoiado por ressonância magnética (lesões em T2/FLAIR na substância branca e cinzenta) e análise do líquido cefalorraquidiano (bandas oligoclonais). O tratamento inclui terapias modificadoras da doença, que reduzem a frequência de surtos e retardam a progressão.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que a EM é ao mesmo tempo autoimune, inflamatória, desmielinizante e neurodegenerativa — uma combinação única entre as alternativas. A doença de Parkinson, por exemplo, é neurodegenerativa, mas não autoimune nem desmielinizante; a meningite viral é inflamatória e infecciosa, mas não desmielinizante nem neurodegenerativa. Guarde essa tríade: autoimune + desmielinizante + SNC = esclerose múltipla.
A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa — caracterizada pela perda de neurônios dopaminérgicos na via nigroestriatal e presença de corpúsculos de Lewy — mas não é autoimune nem desmielinizante. Não há processo inflamatório autoimune contra a mielina; a degeneração é primariamente neuronal. A banca a inclui como distrator por ser uma doença neurológica conhecida, mas ela não preenche os critérios do enunciado.
A esclerose múltipla é exatamente o que o enunciado descreve: doença autoimune (o sistema imunológico ataca a mielina), inflamatória (infiltrado perivascular de células mononucleares), desmielinizante (destruição da bainha de mielina) e neurodegenerativa (perda axonal e neuronal progressiva), envolvendo tanto a substância branca quanto a cinzenta do SNC. É o protótipo das doenças desmielinizantes do sistema nervoso central.
A epilepsia é um distúrbio neurológico caracterizado por descargas elétricas anormais e recorrentes no cérebro, resultando em crises convulsivas. Não é uma doença autoimune, inflamatória, desmielinizante ou neurodegenerativa na sua essência — embora possa ser consequência de diversas lesões cerebrais, não é definida por esses processos. A banca a coloca como distrator por ser uma condição neurológica comum, mas sem relação com a fisiopatologia descrita.
A enxaqueca (migrânea) é um tipo de cefaleia primária, caracterizada por dor pulsátil, geralmente unilateral, associada a náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som. É um distúrbio funcional do processamento da dor, sem desmielinização, sem neurodegeneração e sem componente autoimune. Não se enquadra na definição do enunciado.
A meningite viral é uma infecção das meninges (membranas que envolvem o SNC), causada por vírus, com quadro de febre, cefaleia, vômitos e fotofobia. É uma doença inflamatória e infecciosa, mas não é autoimune, não é desmielinizante e não é neurodegenerativa. O processo inflamatório atinge as meninges, não a substância branca ou cinzenta do parênquima cerebral de forma primária.
Gabarito: letra B — a esclerose múltipla é a única alternativa que reúne todas as características descritas: autoimune, inflamatória, desmielinizante e neurodegenerativa, com envolvimento da substância branca e cinzenta do SNC.
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