Na avaliação inicial de uma criança com hipertensão arterial sistêmica (HAS), é fundamental realizar uma anamnese objetiva, aferir sinais vitais e um exame físico detalhado. Além disso, exames laboratoriais e de imagem podem auxiliar na definição do quadro clínico.
Assinale a alternativa que apresenta os exames laboratoriais indicados para essa avaliação inicial:
AHemograma completo, bioquímica e exame de urina para pesquisa de proteinúria ou hematúria.
BTeste de função pulmonar, gasometria arterial e hemocultura.
CEletrocardiograma, espirometria e radiografia de tórax e contagem de linfócitos T CD4+.
DDosagem de hormônios tireoidianos, glicemia de jejum e sorologia para hepatites e radiografia de tórax.
EUltrassonografia abdominal, teste do suor, triglicerídeos e avaliação oftalmológica.
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GabaritoA — Hemograma completo, bioquímica e exame de urina para pesquisa de proteinúria ou hematúria.
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Avaliação inicial da hipertensão arterial na criança: exames laboratoriais
Gabarito: letra A. Na avaliação inicial de uma criança com hipertensão arterial sistêmica (HAS), os exames laboratoriais indicados incluem hemograma completo, bioquímica (com ênfase em função renal e eletrólitos) e exame de urina para pesquisa de proteinúria ou hematúria. Essa conduta visa rastrear causas secundárias — sobretudo doença renal parenquimatosa, a etiologia mais comum de HAS secundária na infância — e avaliar lesão de órgão-alvo, conforme as diretrizes de hipertensão arterial.
A hipertensão arterial na criança, diferentemente do adulto, é predominantemente secundária, e a causa mais frequente é a doença renal parenquimatosa. Por isso, a investigação inicial concentra-se em detectar alterações renais: a creatinina sérica permite estimar a taxa de filtração glomerular (TFGe); o exame de urina tipo I pesquisa hematúria e proteinúria, que são marcadores de lesão glomerular; e o hemograma pode revelar anemia, comum na doença renal crônica. A diretriz brasileira de hipertensão arterial de 2025 elenca, entre os exames complementares de rotina na primeira consulta, a avaliação da função renal e a pesquisa de albuminúria/proteinúria, além do hemograma.
Na prática, diante de uma criança com HAS, o raciocínio clínico segue uma sequência: confirmar o diagnóstico com medidas adequadas da PA, realizar anamnese e exame físico detalhados (incluindo palpação de pulsos e medida da PA nos quatro membros para rastrear coarctação de aorta), e então solicitar os exames iniciais. Se houver suspeita de causa específica — como estenose de artéria renal, apneia obstrutiva do sono ou causas endócrinas —, exames adicionais direcionados são solicitados. A alternativa correta reflete exatamente essa primeira linha de investigação, que é abrangente e não direcionada a uma suspeita única.
A pegadinha da questão está em misturar exames que pertencem a contextos diferentes: alguns são de investigação de causas secundárias específicas (como ultrassonografia renal com Doppler para estenose de artéria renal, ou polissonografia para apneia do sono), outros são de avaliação de órgão-alvo (eletrocardiograma, ecocardiograma), e outros ainda não têm indicação na avaliação inicial de HAS pediátrica (como teste do suor, que é para fibrose cística, ou contagem de linfócitos T CD4+, que é para imunodeficiência). A alternativa A é a única que traz exames laboratoriais de rotina, inespecíficos e essenciais para o rastreio inicial.
Guarde o critério que separa as alternativas: a avaliação inicial da HAS pediátrica pede exames laboratoriais de rastreio de doença renal e lesão de órgão-alvo — hemograma, bioquímica (função renal, eletrólitos) e urina tipo I. Exames de imagem (como ultrassonografia) e testes específicos (como Doppler renal, polissonografia) entram apenas quando há suspeita clínica de causa secundária específica. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
HAS pediátrica — avaliação inicial
1Exames laboratoriais de rotina (gabarito)
Hemograma completo
Bioquímica (função renal, eletrólitos)
Urina tipo I (proteinúria/hematúria)
2Objetivo
Rastrear doença renal parenquimatosa (causa mais comum)
Avaliar lesão de órgão-alvo
3Exames direcionados (suspeita específica)
Ultrassonografia com Doppler
estenose de artéria renal
Polissonografia (apneia do sono)
Hormônios tireoidianos (causa endócrina)
4Exames sem indicação
Teste do suor (fibrose cística)
Linfócitos T CD4+ (imunodeficiência)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa apresenta exatamente os exames laboratoriais de rotina recomendados na avaliação inicial da HAS pediátrica. O hemograma completo avalia anemia, que pode indicar doença renal crônica; a bioquímica inclui creatinina sérica (para cálculo da TFGe), ureia, sódio e potássio, essenciais para avaliar função renal e eletrólitos; e o exame de urina pesquisa proteinúria e hematúria, marcadores de lesão glomerular. Esses exames são inespecíficos, mas fundamentais para rastrear a causa mais comum de HAS secundária na criança — a doença renal parenquimatosa — e para avaliar lesão de órgão-alvo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Teste de função pulmonar, gasometria arterial e hemocultura não fazem parte da avaliação inicial da HAS pediátrica. O teste de função pulmonar e a gasometria são indicados para doenças respiratórias; a hemocultura, para investigação de sepse ou endocardite. Nenhum desses exames tem papel no rastreio inicial de hipertensão arterial na criança. A banca incluiu exames de outros contextos clínicos para testar se o candidato sabe o que é específico da HAS.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Eletrocardiograma e radiografia de tórax podem ser solicitados na avaliação de lesão de órgão-alvo cardiovascular na HAS, mas não são exames laboratoriais — e a questão pede especificamente exames laboratoriais. Além disso, espirometria (avaliação de função pulmonar) e contagem de linfócitos T CD4+ (avaliação imunológica, típica de HIV) não têm indicação na avaliação inicial de HAS pediátrica. A alternativa mistura exames de imagem/funcionais com exames laboratoriais de outros contextos, tornando-a incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Dosagem de hormônios tireoidianos, glicemia de jejum e sorologia para hepatites não são exames de primeira linha na avaliação inicial da HAS pediátrica. A dosagem de hormônios tireoidianos pode ser considerada se houver suspeita de hipertireoidismo como causa secundária, mas não é rotina. A glicemia de jejum é útil para rastrear diabetes, comorbidade associada, mas não é o foco da avaliação inicial da HAS. A sorologia para hepatites não tem indicação nesse contexto. A radiografia de tórax, incluída na alternativa, é exame de imagem, não laboratorial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Ultrassonografia abdominal, teste do suor, triglicerídeos e avaliação oftalmológica misturam exames de diferentes naturezas e indicações. A ultrassonografia abdominal é exame de imagem que pode ser útil na investigação de causa renal, mas não é laboratorial. O teste do suor é específico para diagnóstico de fibrose cística, não tem relação com HAS. A dosagem de triglicerídeos avalia dislipidemia, que é comorbidade associada, mas não é exame de rotina na avaliação inicial da HAS pediátrica. A avaliação oftalmológica (fundo de olho) avalia lesão de órgão-alvo, mas não é exame laboratorial.
Gabarito: letra A — hemograma completo, bioquímica e exame de urina para pesquisa de proteinúria ou hematúria são os exames laboratoriais indicados na avaliação inicial da HAS pediátrica.