Câncer de bexiga: epidemiologia e fatores de risco
Gabarito: letra A. Apenas o item I está correto: o câncer de bexiga é mais comum em homens do que em mulheres, na proporção de cerca de 3:1. O item II erra ao afirmar que o surgimento está exclusivamente relacionado à predisposição genética — na verdade, os principais fatores de risco são ambientais e comportamentais, como o tabagismo e exposições ocupacionais, sendo a suscetibilidade genética apenas um dos fatores reconhecidos. O item III erra ao classificar o consumo de álcool como fator protetor — o álcool não é fator protetor contra o câncer de bexiga; o tabagismo é o fator de risco estabelecido.
O carcinoma urotelial de bexiga é uma neoplasia maligna que se origina no urotélio, o revestimento epitelial mais interno da bexiga. É o quarto câncer mais comum entre homens e o nono entre mulheres nos países ocidentais, o que já evidencia a diferença de incidência entre os sexos. Essa diferença é atribuída, em grande parte, à maior exposição histórica dos homens aos fatores de risco, especialmente o tabagismo e exposições ocupacionais a agentes químicos.
O tabagismo é o fator de risco mais importante e estabelecido: a taxa de incidência é quatro vezes maior em tabagistas do que em não tabagistas. As exposições ocupacionais a aminas aromáticas, hidrocarbonetos clorados e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos são responsáveis por até 20% dos casos. A suscetibilidade genética é reconhecida como um fator de risco, mas não é o único nem o principal — o risco duplica em parentes de primeiro grau de pacientes com a doença, e variantes genéticas como acetiladores lentos de NAT2 e genótipos GSTM1-nulos são fatores estabelecidos, porém a palavra "exclusivamente" torna o item II incorreto.
Sobre o álcool, não há evidência de que seja um fator protetor contra o câncer de bexiga. O consumo de álcool está associado a aumento de risco para diversos outros cânceres, mas para o câncer de bexiga o fator protetor mais conhecido é a ingestão adequada de líquidos, que dilui a urina e reduz o tempo de contato de carcinógenos com o urotélio. O álcool, portanto, não se enquadra como protetor nesse contexto.
A pegadinha da banca está em explorar o conhecimento superficial do candidato: o item II usa o termo "exclusivamente" para tornar a afirmação falsa, e o item III inverte o papel do álcool, apresentando-o como protetor quando na verdade não é. O candidato que sabe que o tabagismo é o principal fator de risco e que a genética tem algum papel pode ser induzido a marcar os itens I e II como corretos, caindo na alternativa B.
Item I — ✅ Correto
O carcinoma urotelial de bexiga é mais comum em homens do que em mulheres, na proporção de cerca de 3:1. Essa é uma informação epidemiológica clássica e amplamente documentada. A maior incidência no sexo masculino está relacionada à maior exposição histórica a fatores de risco como tabagismo e exposições ocupacionais.
Item II — ❌ Incorreto
O erro está no termo "exclusivamente". O surgimento do câncer de bexiga não está relacionado apenas à predisposição genética — os principais fatores de risco são o tabagismo (risco 4x maior em tabagistas) e exposições ocupacionais a aminas aromáticas e hidrocarbonetos. A suscetibilidade genética é um fator reconhecido, mas não é o único. A palavra "exclusivamente" torna a afirmação falsa.
Item III — ❌ Incorreto
O consumo de álcool não é fator protetor contra o câncer de bexiga. Não há evidência científica que sustente essa afirmação. O fator de risco estabelecido é o tabagismo, e o álcool não tem papel protetor nesse contexto. A afirmação inverte completamente o conhecimento epidemiológico sobre a doença.
Conclusão: Apenas o item I está correto, portanto o gabarito é a letra A.
Gabarito: letra A