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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg423148
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Varginha - MG
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Geral
A identificação de sangramento deve ser tratada com reposição volêmica de acordo com a estimativa de sangue perdido. Um diagnóstico diferencial ocorre no tamponamento cardíaco.Assinale a alternativa correta sobre o tamponamento cardíaco:
  1. ANo tamponamento cardíaco, o aumento da pressão intra-abdominal impede a expansão pulmonar e eleva a pressão arterial sistêmica.
  2. BNo tamponamento cardíaco, o acúmulo de líquido pleural estimula a contração miocárdica, otimizando o débito cardíaco.
  3. CNo tamponamento cardíaco, a compressão do estômago gera bradicardia reflexa e aumento da perfusão coronariana.
  4. DNo tamponamento cardíaco, a obstrução das vias aéreas superiores reduz o retorno venoso e colapsa o átrio direito.
  5. ENo tamponamento cardíaco, após um trauma, ocorre enchimento do espaço pericárdico com sangue, levando a restrição do enchimento das câmaras cardíacas devido à diminuição do retorno venoso e, portanto, diminuição da pré-carga.
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GabaritoE — No tamponamento cardíaco, após um trauma, ocorre enchimento do espaço pericárdico com sangue, levando a restrição do enchimento das câmaras cardíacas devido à diminuição do retorno venoso e, portanto, diminuição da pré-carga.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tamponamento cardíaco no trauma

Gabarito: letra E. No tamponamento cardíaco pós-traumático, o sangue se acumula no espaço pericárdico, comprime as câmaras cardíacas e restringe o enchimento diastólico — o que reduz o retorno venoso, diminui a pré-carga e, consequentemente, o débito cardíaco. As demais alternativas descrevem mecanismos de outras emergências (pneumotórax hipertensivo, hemotórax, etc.) ou efeitos fisiológicos invertidos.

O tamponamento cardíaco é uma emergência potencialmente fatal em que o acúmulo de líquido — no trauma, geralmente sangue — no espaço pericárdico (entre o coração e o saco pericárdico que o envolve) exerce pressão sobre o coração, comprimindo as cavidades e limitando seu enchimento adequado durante a diástole. Isso leva à diminuição do volume de sangue que o coração consegue bombear na sístole, reduzindo o débito cardíaco e resultando em hipotensão e choque.

A fisiopatologia é essencialmente mecânica: o pericárdio tem distensibilidade limitada, e mesmo pequenos volumes — de 60 a 100 mL de sangue — podem causar tamponamento clínico quando esse limite é atingido. O aumento da pressão intrapericárdica eleva as pressões de enchimento de todas as câmaras, que se equalizam, e o coração fica com volume total fixo. Na inspiração, o aumento do retorno venoso ao ventrículo direito desloca o septo interventricular em direção ao ventrículo esquerdo, reduzindo ainda mais o volume sistólico do VE — fenômeno que gera o pulso paradoxal (queda inspiratória da pressão arterial sistólica > 10 mmHg).

Os achados clássicos incluem a tríade de Beck (hipofonese de bulhas, hipotensão e distensão venosa jugular), taquicardia, taquipneia e pulso paradoxal. No trauma, o diagnóstico é feito pela ultrassonografia à beira do leito (protocolo FAST com POCUS), que avalia a presença de derrame pericárdico e sinais de tamponamento. O principal diagnóstico diferencial é o pneumotórax hipertensivo, que pode apresentar quadro clínico semelhante. O tratamento definitivo é a drenagem do pericárdio — pericardiocentese de alívio em pacientes instáveis ou toracotomia para controle da lesão —, sendo a reanimação volêmica importante para aumentar a pré-carga e o enchimento das câmaras.

A pegadinha central desta questão é que a banca mistura mecanismos de outras emergências torácicas com o tamponamento: o pneumotórax hipertensivo causa desvio do mediastino e compressão da veia cava (reduzindo o retorno venoso), o hemotórax maciço comprime o pulmão por acúmulo de sangue no espaço pleural, e o tamponamento cardíaco comprime diretamente as câmaras. Guarde a fronteira: no tamponamento, o problema está no espaço pericárdico e o efeito é a restrição do enchimento cardíaco por aumento da pressão intrapericárdica — é exatamente nesse ponto que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Descreve o mecanismo do pneumotórax hipertensivo, não do tamponamento cardíaco. No pneumotórax hipertensivo, o ar aprisionado no espaço pleural aumenta a pressão intrapleural, desvia o mediastino e comprime o pulmão contralateral, dificultando a expansão pulmonar e reduzindo o retorno venoso — o que leva a hipotensão, não a elevação da pressão arterial sistêmica. A alternativa inverte o efeito hemodinâmico: a compressão mediastinal compromete o retorno venoso e o débito cardíaco, causando choque obstrutivo, jamais hipertensão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Confunde tamponamento cardíaco com hemotórax maciço. O acúmulo de líquido no espaço pleural (hemotórax) comprime o pulmão e pode desviar o mediastino, mas não "estimula a contração miocárdica" nem otimiza o débito cardíaco — pelo contrário, o hemotórax maciço compromete a ventilação e, se volumoso, também o retorno venoso, reduzindo o débito cardíaco. Não existe qualquer mecanismo pelo qual líquido pleural estimule a contratilidade miocárdica; a alternativa é fisiologicamente absurda.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Não há relação entre tamponamento cardíaco e compressão do estômago. A alternativa mistura conceitos de outras emergências: a compressão gástrica pode ocorrer em situações de distensão abdominal, mas não gera bradicardia reflexa nem aumento da perfusão coronariana no contexto de tamponamento. No tamponamento, o que ocorre é taquicardia (resposta compensatória à queda do débito cardíaco, mediada por descarga de catecolaminas), não bradicardia. A perfusão coronariana, aliás, tende a piorar pela redução do débito e da pressão arterial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Descreve o mecanismo do pneumotórax hipertensivo (ou obstrução de via aérea superior com aumento da pressão intratorácica), não do tamponamento. A obstrução das vias aéreas superiores aumenta a pressão intratorácica, dificultando o retorno venoso — mas no tamponamento cardíaco o problema é o acúmulo de líquido no pericárdio comprimindo diretamente as câmaras, não a obstrução de vias aéreas. O colapso do átrio direito ocorre por aumento da pressão intrapericárdica, não por obstrução de vias aéreas.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve com precisão a fisiopatologia do tamponamento cardíaco pós-traumático: o sangue preenche o espaço pericárdico, restringe o enchimento das câmaras cardíacas, diminui o retorno venoso e, portanto, reduz a pré-carga. Essa é exatamente a sequência fisiopatológica: acúmulo de sangue no pericárdio → aumento da pressão intrapericárdica → compressão das câmaras → limitação do enchimento diastólico → queda do volume sistólico e do débito cardíaco. A alternativa amarra corretamente os termos-chave: enchimento do espaço pericárdico, restrição do enchimento das câmaras, diminuição do retorno venoso e diminuição da pré-carga.

Gabarito: letra E

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