Urticária: manifestações clínicas e classificação
Gabarito: letra A. Apenas o item I está correto, pois descreve com precisão a lesão elementar da urticária — pápulas/vergões pruriginosos com eritema reflexo circundante. Os itens II e III são falsos: a maioria dos casos é aguda e autolimitada (não crônica com lesões permanentes), e a urticária aguda tem causas adquiridas (alérgicas, infecciosas, medicamentosas, físicas), não sendo exclusivamente genética.
A urticária é uma dermatose caracterizada pelo aparecimento de pápulas ou vergões (urticas), que são lesões elevadas, edematosas, de tamanho variável, com centro pálido e eritema periférico (o chamado eritema reflexo). Essas lesões são intensamente pruriginosas e podem ter sensação de queimação ou picada. Um aspecto fundamental é o caráter fugaz: cada lesão individual dura poucas horas (geralmente menos de 24 horas) e desaparece sem deixar cicatriz, podendo surgir novas lesões em outras áreas — é isso que diferencia a urticária de outras dermatoses com lesões fixas.
A classificação temporal é o ponto central para entender os itens II e III. A urticária é dividida em:
Critério | Urticária aguda | Urticária crônica |
|---|
Duração | Menos de 6 semanas | Mais de 6 semanas |
Frequência | Mais comum (maioria dos casos) | Menos comum |
Causas | Alérgicas (alimentos, medicamentos, picadas), infecciosas, físicas, idiopáticas | Frequentemente idiopática; associada a doenças autoimunes, tireoidite, infecções crônicas |
Evolução | Autolimitada, resolve em dias a semanas | Recorrente, pode persistir por meses ou anos |
A urticária aguda é a forma mais prevalente e tem múltiplos desencadeantes adquiridos: alimentos, medicamentos (como antibióticos e AINEs), infecções virais ou bacterianas, picadas de insetos, estímulos físicos (frio, calor, pressão, exercício) e reações transfusionais. Não há predomínio de causas genéticas hereditárias — embora existam formas familiares raras (como o angioedema hereditário, que cursa com edema profundo e não com urticas típicas), elas não são a regra e não se aplicam à urticária aguda comum. A afirmação de que a urticária aguda é "exclusivamente genética" é um erro conceitual grave.
A distinção entre urticária e angioedema também é relevante: enquanto a urticária acomete a derme superficial (pápulas pruriginosas), o angioedema envolve a derme profunda e o subcutâneo, causando edema mal delimitado, principalmente em lábios, pálpebras e genitália, geralmente sem prurido intenso. Ambos podem ocorrer juntos.
A pegadinha da banca está em inverter a epidemiologia: o candidato que sabe que a urticária crônica é um desafio terapêutico pode ser levado a acreditar que ela é a forma mais comum, mas a literatura é clara — a forma aguda é a mais frequente. Além disso, o item III mistura conceitos de herança genética com causas adquiridas, uma armadilha clássica para quem não domina a etiologia.
Guarde o critério temporal (6 semanas) e a natureza adquirida da maioria dos casos: são exatamente esses dois pontos que separam os itens corretos dos incorretos.
Item I — ✅ Correto
A descrição está fiel à lesão elementar da urticária: pápulas ou vergões com inchaço central (edema dérmico) e eritema reflexo circundante (vasodilatação periférica), acompanhados de prurido e sensação de queimação. É a definição clássica da urtica, confirmada pela semiologia dermatológica.
Item II — ❌ Incorreto
A maioria dos casos de urticária é aguda (duração inferior a 6 semanas), não crônica. Além disso, as lesões da urticária são fugazes — cada pápula dura horas e desaparece sem deixar marcas —, jamais permanentes. A urticária crônica (mais de 6 semanas) é a minoria dos casos e exige investigação etiológica mais ampla.
Item III — ❌ Incorreto
A urticária aguda não é causada exclusivamente por fatores genéticos hereditários. Suas causas são predominantemente adquiridas: alérgicas (alimentos, medicamentos, venenos de insetos), infecciosas (virais e bacterianas), físicas (frio, calor, pressão, exercício) e idiopáticas. As formas hereditárias são raras e não caracterizam o quadro agudo comum.
Conclusão: apenas o item I está correto, portanto o gabarito é a letra A.
Gabarito: letra A