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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg424148
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral
Epilepsia é caracterizada pela ocorrência de crises epilépticas, que se repetem a intervalos variáveis. Essas crises são as manifestações clínicas de uma descarga anormal de neurônios, que são as células que compõem o cérebro. Analise os itens a seguir e assinale a alternativa correta sobre epilepsia.I - As crises epilépticas podem se manifestar de diferentes maneiras, sendo a crise convulsiva a forma mais conhecida pelas pessoas e é identificada como “ataque epiléptico”. Durante o ataque epiléptico a pessoa fica com o olhar fixo, perde contato com o meio por alguns segundos. Por ser de curtíssima duração, muitas vezes não é percebida pelas pessoas que estão próximas.II - A causa da epilepsia pode ser uma lesão no cérebro, decorrente de uma forte pancada na cabeça, uma infecção (meningite, por exemplo), neurocisticercose (“ovos de solitária” no cérebro), abuso de bebidas alcoólicas, de drogas, etc.
  1. AA asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
  2. BAs asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é um complemento da I.
  3. CA asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
  4. DAs asserções I e II são proposições falsas.
  5. EAs asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é um complemento da I.
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GabaritoA — A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Epilepsia: crises epilépticas e etiologia

Gabarito: letra A. A asserção I é falsa porque descreve a crise de ausência (típica do "pequeno mal") como se fosse a crise convulsiva, o "ataque epiléptico" — na verdade, a crise convulsiva é a tônico-clônica generalizada, com perda de consciência e abalos musculares, não um simples olhar fixo de poucos segundos. A asserção II é verdadeira: trauma craniano, infecções como meningite, neurocisticercose e abuso de álcool/drogas são causas reconhecidas de epilepsia, conforme a classificação etiológica da ILAE (estrutural, infecciosa, metabólica, entre outras).

A epilepsia é uma doença crônica do sistema nervoso central, caracterizada por predisposição sustentada a crises epilépticas espontâneas. Diferencia-se da crise epiléptica isolada, que pode ocorrer em qualquer pessoa diante de um insulto agudo (como um trauma ou uma infecção), sem que isso configure epilepsia. O diagnóstico de epilepsia exige, em regra, pelo menos duas crises não provocadas com intervalo superior a 24 horas, ou uma crise não provocada com alta probabilidade de recorrência, evidenciada por EEG ou neuroimagem.

As crises epilépticas são manifestações clínicas de descargas neuronais anormais, excessivas e síncronas. Elas se dividem, conforme a classificação da ILAE, em crises de início focal, generalizado ou desconhecido. As crises de ausência (típicas do pequeno mal) são um subtipo de crise generalizada não motora: a pessoa fica com o olhar fixo, perde contato com o meio por alguns segundos e, por serem de curtíssima duração, muitas vezes não são percebidas pelas pessoas próximas. Já a crise convulsiva, popularmente chamada de "ataque epiléptico", é a crise tônico-clônica generalizada, caracterizada por perda súbita de consciência, rigidez muscular (fase tônica) seguida de abalos rítmicos (fase clônica), podendo haver liberação esfincteriana e mordedura de língua.

A asserção I mistura os dois tipos: atribui à crise convulsiva as características da crise de ausência. Essa é a pegadinha central da questão — a banca troca as manifestações clínicas de um tipo de crise pelo outro. A crise de ausência é um subtipo de crise generalizada não motora, enquanto a crise convulsiva é uma crise generalizada motora (tônico-clônica). A distinção é essencial para o diagnóstico e manejo, pois cada tipo tem implicações terapêuticas e prognósticas diferentes.

Quanto à etiologia, a asserção II está correta. A epilepsia pode ter causas estruturais (como lesão cerebral por trauma, AVC, tumor), infecciosas (como meningite, encefalite, neurocisticercose), genéticas, metabólicas, imunes e desconhecidas. O abuso de álcool e drogas também pode baixar o limiar convulsivo e precipitar crises, sendo um fator de risco reconhecido. A classificação etiológica da ILAE de 2017 é a referência atual, e a neurocisticercose é um exemplo clássico de causa infecciosa, especialmente prevalente em regiões endêmicas.

A distinção entre crise epiléptica isolada e epilepsia é fundamental: uma crise provocada por um fator agudo (como febre, hipoglicemia, intoxicação) não configura epilepsia, que exige recorrência ou alta probabilidade de recorrência. A asserção II não é um complemento da I, pois tratam de aspectos distintos — a I descreve (erroneamente) a manifestação clínica, e a II trata das causas. Portanto, a alternativa correta é a que afirma que I é falsa e II é verdadeira.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A asserção I é falsa porque descreve a crise de ausência (olhar fixo, perda de contato por segundos) como se fosse a crise convulsiva. A crise convulsiva é a tônico-clônica generalizada, com perda de consciência e abalos musculares. A asserção II é verdadeira: trauma craniano, meningite, neurocisticercose e abuso de álcool/drogas são causas reconhecidas de epilepsia, conforme a classificação etiológica da ILAE. Portanto, a combinação "I falsa, II verdadeira" é a correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que ambas são verdadeiras e que II é complemento de I. A I é falsa, pois confunde crise de ausência com crise convulsiva. Além disso, mesmo que ambas fossem verdadeiras, a II não seria complemento da I, pois tratam de aspectos distintos (manifestação clínica vs. etiologia).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que I é verdadeira e II é falsa. A I é falsa, como explicado. A II é verdadeira, pois as causas citadas (trauma, infecções, neurocisticercose, álcool/drogas) são reconhecidamente associadas à epilepsia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que ambas são falsas. A II é verdadeira, pois as causas citadas são reconhecidas. A I é falsa, mas a combinação "ambas falsas" está incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que ambas são verdadeiras, mas que II não é complemento de I. A I é falsa, portanto a alternativa está incorreta. A parte sobre a não complementaridade é correta, mas a premissa de que I é verdadeira invalida a alternativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca as manifestações clínicas da crise de ausência (olhar fixo, perda de contato por segundos) pelas da crise convulsiva (tônico-clônica generalizada). O candidato que não domina a classificação das crises da ILAE cai na armadilha de achar que a descrição da I é correta. Lembre-se: crise de ausência é não motora e de curtíssima duração; crise convulsiva é motora, com abalos musculares e perda de consciência prolongada.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de epilepsia, domine a classificação das crises da ILAE (focal, generalizada, desconhecida) e a classificação etiológica (estrutural, genética, infecciosa, metabólica, imune, desconhecida). A banca frequentemente explora a confusão entre crise de ausência e crise convulsiva, e entre crise epiléptica isolada e epilepsia. Revise os exemplos de cada etiologia (neurocisticercose = infecciosa; esclerose temporal mesial = estrutural; ausência da infância = genética).

Gabarito: letra A

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