Questão de Medicina — Urologia — Avança SP 2025
- Código
- qg424164
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Prefeitura de Vinhedo - SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Clínico Geral
- AHérnia inguinal
- BCistite
- CSinusite
- DPielonefrite
- ENefrolitíase
GabaritoE — Nefrolitíase
Gabarito: letra E (Nefrolitíase). O quadro de dor lombar intensa em cólica, com irradiação para a virilha, associado a náuseas, vômitos, hematúria e sintomas urinários obstrutivos é a apresentação clássica da cólica nefrética, causada pela passagem de um cálculo renal pelo trato urinário. O diagnóstico diferencial com pielonefrite, cistite e hérnia inguinal se resolve pela presença de febre e pelo padrão da dor, como veremos a seguir.
A nefrolitíase, também chamada de cálculo renal ou litíase urinária, é a formação de cristais sólidos no trato urinário. Quando um cálculo se desloca do rim e obstrui o ureter, ocorre a chamada cólica renal ou cólica nefrética. A dor é visceral, causada pela distensão aguda da pelve renal e do ureter, e não pela irritação peritoneal. Por isso, ela tem um padrão característico: começa na região lombar (flanco), irradia-se para o abdome e para a virilha (seguindo o trajeto do ureter), e é descrita como "em cólica", ou seja, com picos de intensidade seguidos de alívio parcial. Essa dor é frequentemente incapacitante, e o paciente pode ficar agitado, sem encontrar posição de conforto.
Os sintomas associados são a chave para o diagnóstico. A hematúria (sangue na urina) está presente em cerca de 90% dos casos, podendo ser macroscópica ou microscópica. As náuseas e vômitos são comuns, pois o estímulo doloroso intenso ativa o sistema nervoso autônomo e o reflexo vagal. Já a suspensão ou diminuição do fluxo urinário e o aumento da frequência urinária (polaciúria) podem ocorrer quando o cálculo está na porção distal do ureter, próximo à bexiga, irritando-a e causando sintomas obstrutivos. A febre, quando presente, sugere infecção associada (pielonefrite obstrutiva), mas não é o sintoma principal do quadro descrito.
O diagnóstico diferencial é essencial, pois outras condições podem mimetizar a cólica renal. A pielonefrite aguda também causa dor lombar, mas é uma dor contínua, acompanhada de febre alta, calafrios e sinal de Giordano positivo. A cistite causa dor suprapúbica, disúria e polaciúria, mas não a dor irradiada em cólica. A hérnia inguinal pode causar dor na virilha, mas geralmente está associada a um abaulamento local e não apresenta hematúria. A sinusite é uma condição totalmente distinta, com dor facial e congestão nasal, sem relação com o trato urinário.
A banca explora exatamente a confusão entre a cólica renal e a pielonefrite, pois ambas cursam com dor lombar. A distinção crucial é a presença de febre: na pielonefrite, a febre alta é um sintoma cardinal, enquanto na cólica renal ela está ausente (a menos que haja infecção associada). Além disso, o padrão da dor é diferente: na cólica renal, é uma dor em cólica, intermitente e irradiada; na pielonefrite, é uma dor contínua e fixa. Guarde essa fronteira: cólica renal = dor em cólica + hematúria + irradiação para virilha, sem febre; pielonefrite = dor lombar contínua + febre alta + sinal de Giordano positivo.
A hérnia inguinal pode causar dor na virilha, mas não explica a dor lombar em cólica, a hematúria, as náuseas e os vômitos. O quadro descrito é de obstrução do trato urinário, não de uma falha na parede abdominal. A hérnia geralmente se apresenta com um abaulamento na região inguinal, que pode ser redutível, e a dor costuma piorar com esforço ou tosse.
A cistite é uma infecção da bexiga, mais comum em mulheres, que causa dor suprapúbica, disúria, polaciúria e urgência miccional. Embora o paciente apresente aumento da frequência urinária, a dor em cólica irradiada para a virilha e a hematúria macroscópica não são características da cistite não complicada. A cistite não causa obstrução ureteral nem a dor lombar intensa descrita.
A sinusite é uma inflamação dos seios paranasais, causando dor facial, congestão nasal, secreção e cefaleia. Não há qualquer relação com o trato urinário, e o quadro descrito (dor lombar, hematúria, náuseas) é completamente incompatível. Esta alternativa é um distrator óbvio, provavelmente incluída para testar o conhecimento básico de anatomia e semiologia.
A pielonefrite aguda é uma infecção do parênquima renal, que causa dor lombar contínua, febre alta, calafrios, náuseas e vômitos. O sinal de Giordano é positivo. A diferença crucial é a febre: o paciente do enunciado não apresenta febre, e a dor é descrita como "em cólicas", com picos e alívios, o que é típico da obstrução por cálculo, não da inflamação infecciosa. Além disso, a irradiação para a virilha é característica da cólica renal.
A nefrolitíase, com a consequente cólica renal, é o diagnóstico que melhor explica todos os sintomas: dor lombar intensa em cólica com irradiação para a virilha (trajeto do ureter), náuseas e vômitos (reflexo vagal), hematúria (lesão da mucosa pelo cálculo) e sintomas urinários obstrutivos (diminuição do fluxo e polaciúria, quando o cálculo está próximo à bexiga). A ausência de febre reforça o diagnóstico, afastando a pielonefrite.
A banca tenta confundir a cólica renal com a pielonefrite, pois ambas causam dor lombar. A chave é a febre: a pielonefrite cursa com febre alta e dor contínua, enquanto a cólica renal tem dor em cólica, hematúria e irradiação para a virilha, sem febre. Fique atento a esse detalhe na prova!
Para diferenciar cólica renal de pielonefrite, monte um quadro mental rápido: cólica renal = dor em cólica + hematúria + irradiação para virilha + ausência de febre; pielonefrite = dor lombar contínua + febre alta + sinal de Giordano positivo. Essa distinção é clássica em provas de urologia e clínica médica.
Gabarito: letra E
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