Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2025
- Código
- qg425039
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- UNITAU
- Ano
- 2025
- Nível
- Fundamental
- Cargo
- Ajudante de Serviços Gerais
- ACondição
- BTemporalidade
- CConformidade
- DFinalidade
- EComparação
GabaritoE — Comparação
Gabarito: letra E. Na frase "Ele pula como se o chão não existisse.", o termo destacado "como se" estabelece relação de comparação — mais precisamente, uma comparação hipotética (ou irreal). A oração "como se o chão não existisse" compara o modo de pular de "ele" com uma situação imaginária, e não expressa condição, tempo, conformidade ou finalidade. A pista decisiva é a própria locução: "como" é a conjunção comparativa; o "se" apenas introduz a hipótese irreal, mas o valor nuclear é comparativo.
A questão pede que você identifique a relação de sentido estabelecida pelo conectivo "como se" entre a oração principal ("Ele pula") e a subordinada ("o chão não existisse"). Isso é uma questão de sintaxe e semântica dos conectivos: você precisa reconhecer o valor semântico da locução conjuntiva no contexto. Não se trata de interpretar um texto longo, mas de analisar a relação lógica entre as orações de um período. O comando "estabelece uma relação de" indica que você deve nomear o valor semântico do conectivo — e, para isso, a técnica é substituir o conectivo por outro de mesmo valor e ver se o sentido se mantém.
A frase é curta e o foco está no conectivo. Veja como a substituição confirma a comparação:
"Ele pula como se o chão não existisse." → "Ele pula como pularia se o chão não existisse." (comparação)
"Ele pula como se o chão não existisse." → "Ele pula tal qual alguém que não tem chão." (comparação)
A locução "como se" é formada pela conjunção comparativa "como" + a conjunção condicional "se". Juntas, elas introduzem uma comparação hipotética (também chamada de comparativa irreal). O fato de o chão não existir é uma hipótese contrafactual — algo que não corresponde à realidade —, mas a relação entre as orações é de comparação: compara-se o modo de pular com uma situação imaginária. A banca adora usar "como se" justamente porque o "se" embutido pode levar o candidato a pensar em condição. Mas atenção: em "como se", o "se" não é condicional; ele apenas marca a irrealidade da comparação. Se fosse condicional, a frase seria "Ele pula se o chão não existisse" — sem o "como", e aí sim teríamos condição.
Condição. A condição é introduzida por conectivos como "se", "caso", "contanto que", "desde que". Na frase, o "se" está presente, mas não sozinho: ele vem precedido de "como", formando a locução "como se". O valor da locução é comparativo, não condicional. Se fosse condicional, a oração seria "Ele pula se o chão não existisse" — sem o "como". A banca explora exatamente essa confusão: o candidato vê o "se" e marca condição, mas o "como" é a chave. Erro: troca de conceito — confunde a locução "como se" com a conjunção condicional "se".
Temporalidade. A temporalidade é marcada por conectivos como "quando", "enquanto", "logo que", "assim que", "antes que", "depois que". Nada na frase indica tempo: não há relação de anterioridade, simultaneidade ou posterioridade entre "pular" e "o chão não existir". A oração subordinada não responde à pergunta "quando?", mas sim "de que modo?" ou "como?". Erro: troca de conceito — atribui à locução um valor que ela não tem no contexto.
Conformidade. A conformidade é introduzida por "conforme", "como", "segundo", "de acordo com" — e expressa que algo ocorre de acordo com um modelo ou regra. Exemplo: "Ele age como o pai ensinou." (conformidade). Na frase, "como se o chão não existisse" não expressa conformidade com uma regra ou modelo; expressa uma comparação com uma situação hipotética. A diferença é sutil, mas crucial: na conformidade, o segundo termo é real ou tido como referência; na comparação hipotética, o segundo termo é imaginário. O "se" é o marcador da irrealidade — e isso afasta a conformidade. Erro: troca de conceito — confunde comparação com conformidade, que são vizinhas, mas distintas.
Finalidade. A finalidade é introduzida por "para que", "a fim de que", "com o intuito de". Expressa o objetivo da ação. Na frase, "o chão não existisse" não é o objetivo de pular; é o termo de comparação. Não há ideia de intenção ou propósito. Erro: troca de conceito — atribui à locução um valor que ela não tem.
Comparação. A locução "como se" é clássica das orações subordinadas adverbiais comparativas hipotéticas. Ela compara a ação de "pular" com uma situação imaginária — a inexistência do chão. A comparação é o valor nuclear: "Ele pula como pularia se o chão não existisse". O "se" apenas sinaliza que a comparação é com um fato irreal, mas não muda o valor comparativo. A alternativa está correta porque é a única que nomeia a relação que o conectivo realmente estabelece.
A banca usa "como se" para atrair o candidato para "condição", por causa do "se". Mas o "como" é a conjunção comparativa; o "se" apenas marca a hipótese irreal. Se fosse condição, não haveria o "como".
Para distinguir comparação de condição, substitua "como se" por "como" + verbo no futuro do pretérito: "Ele pula como pularia se...". Se fizer sentido, é comparação. Para condição, use apenas "se": "Ele pula se..." — sem o "como".
Conclusão: a questão testa o reconhecimento do valor semântico da locução "como se". A alternativa E é a única que nomeia corretamente a relação de comparação hipotética. As demais trocam o conceito, atribuindo à locução valores que ela não tem no contexto. Lembre-se: o conectivo "como se" é comparativo, não condicional — o "se" é apenas o marcador da irrealidade.
Gabarito: letra E
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