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Questão de Português — Sintaxe — Avança SP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg425337
Banca
Avança SP
Órgão
ITUPREV - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Mais músicas foram lançadas por dia em 2024 do que em todo o ano de 1989

        Desde que a última fase evolutiva dos aparelhos de áudio aconteceu – a mudança do CD para o MP3, e finalmente para os streamings e aplicativos –, existem poucos limites para a produção musical, e qualquer um pode publicar um novo som a qualquer momento. Por isso, o boom da música não é surpresa: hoje, há menos dificuldade em escrever, criar, gravar e publicar novas canções.

        Inspirada nessa ideia, uma nova análise publicada pelo MusicRadar buscou entender o tamanho exato da margem de publicações. Will Page, ex-economista chefe do Spotify, contou ao site que “mais músicas estão sendo lançadas hoje [em um único dia] do que no ano inteiro de 1989”. O Spotify, por exemplo, já alcança mais de 100 milhões de composições disponíveis.

        Em qualquer dia da semana, cerca de 100.000 faixas de música são enviadas para o SoundCloud, Spotify, Apple Music e outros, disse Steve Cooper, ex-diretor da Warner Music Group. E não vai parar por aí. A investigação indicou que esse número só vai crescer.

        Um relatório divulgado pela MiDiA, uma empresa de análise de dados, mostrou que cerca de 75.9 milhões de pessoas se consideram criadores de música, e que até 2030 esse número deve chegar aos 198.2 milhões. Com a quantidade de artistas produzindo seu próprio material, existe uma demanda maior para os softwares de música, explica Page.

        Com as novas redes sociais, publicar uma música não exige um catálogo, registro ou produção externa. Basta ligar a câmera de um celular e cantar para quem quiser ouvir a letra e o ritmo pensado. E existe público que consome esse conteúdo. O TikTok, por exemplo, oferece aos pequenos artistas a chance de publicarem áudio e vídeo de forma rápida e fácil.

        Por um lado, os artistas têm mais liberdade criativa e pessoal. Por outro, enfrentam menores ganhos devido aos micropagamentos das plataformas de streaming. Além disso, os custos da produção musical são transferidos para os músicos.

        Enquanto as empresas de tecnologia e as plataformas de conteúdo se beneficiam dessa abundância de música barata, os músicos não recebem a mesma vantagem. Os artistas ganham cerca de $0,003 e $0,005 dólares por reprodução no Spotify – que pode variar conforme o tipo de assinatura dos ouvintes e a frequência de reprodução (distribuidores e gravadoras também podem abocanhar uma parte dos lucros).

        Em 2020, artistas independentes lançaram 9,5 milhões de faixas, contra 1,2 milhão de artistas de gravadoras. Por mais que plataformas de streaming ofereçam aos artistas pequenos a chance de se promover e disponibilizar suas músicas, “conseguir destacar a música de alguém entre as outras 99.999 faixas enviadas naquele dia é incrivelmente complexo [e] difícil”, disse Steve Cooper.

        Como resultado, gravadoras e artistas alternativos sentem dificuldades para se promover dentro da indústria e construir uma base de fãs. De acordo com o Spotify, 80% dos artistas têm menos de 50 ouvintes mensais.

        Para grandes artistas, a facilidade que existia em 1989 já não existe mais. Eles não permanecem tanto tempo no topo das paradas, graças ao grande número de novos lançamentos.

MOURÃO, M. Mais músicas foram lançadas por dia em 2024 do que em todo o ano de 1989. Revista Superinteressante. Disponível em<https: //super.abril.com.br/cultura/mais-musicasforam-lancadas-por-dia-em-2024-do-que-em-todo-oano-de-1989/> . Adaptado.
O valor que melhor descreve o sentido expresso pelo advérbio “já”, em “a facilidade que existia em 1989 já não existe mais”, é:
  1. Aadição.
  2. Bpossibilidade.
  3. Cnegação.
  4. Dtempo.
  5. Eafirmação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — tempo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor Semântico do Advérbio "Já" — Tempo

Gabarito: letra D. No trecho "a facilidade que existia em 1989 não existe mais", o advérbio "já" expressa tempo — mais precisamente, a ideia de que algo que era verdadeiro no passado deixou de ser no momento presente. A passagem do texto que ancora essa leitura é o parágrafo final: "Para grandes artistas, a facilidade que existia em 1989 já não existe mais". O "já" aqui não soma ideias, não indica possibilidade, não nega por si só (a negação vem do "não") nem afirma algo — ele situa a mudança no eixo temporal, marcando o contraste entre o passado (1989) e o presente.

O Comando

A questão pede o valor semântico do advérbio "já" no contexto específico. Isso é diferente de pedir a classe gramatical (que seria "advérbio") ou a função sintática (adjunto adverbial). Aqui, o foco é o sentido que a palavra adquire na frase — e esse sentido só pode ser determinado pelo contexto. O comando "o valor que melhor descreve" indica que devemos analisar o efeito de sentido produzido pelo advérbio naquele trecho, não em abstrato.

O Texto e o Movimento Argumentativo

O texto discute o boom da produção musical e seus efeitos. No último parágrafo, o autor conclui: "Para grandes artistas, a facilidade que existia em 1989 já não existe mais". A frase estabelece uma oposição temporal: em 1989, os grandes artistas tinham facilidade para permanecer no topo; hoje, com o excesso de lançamentos, essa facilidade acabou. O "já" é a peça que sinaliza essa virada no tempo — ele marca que a mudança já ocorreu, ou seja, que o estado passado não se mantém no presente.

A Técnica que Decide

O advérbio "já" é polissêmico: pode indicar tempo ("já cheguei"), adição ("já que você veio, fique"), ou até ênfase ("já disse que não"). Para decidir o valor, o teste é a substituição por sinônimos: se trocarmos "já" por "agora" ou "neste momento", a frase mantém o sentido — "a facilidade que existia em 1989 agora não existe mais". Isso prova o valor temporal. Se tentarmos substituir por "também" (adição) ou "talvez" (possibilidade), o sentido se perde. A negação, por sua vez, é expressa pelo "não", não pelo "já" — o advérbio apenas localiza a negação no tempo presente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia do "já" — o candidato que conhece o valor aditivo ("já" = "também") ou o valor de ênfase pode marcar a letra errada. O contexto é a chave: a frase compara dois momentos (1989 e hoje), o que exige leitura temporal.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar o valor de um advérbio, faça o teste da substituição: troque a palavra por um sinônimo de cada valor possível e veja qual preserva o sentido original. O que sobreviver é o valor correto.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Adição — O "já" não soma ideias aqui. Em "já que você veio, fique", o valor é aditivo/explicativo, mas no trecho "a facilidade que existia em 1989 já não existe mais" não há acréscimo de informação; há uma constatação temporal. A substituição por "também" quebraria o sentido: "a facilidade que existia em 1989 também não existe mais" muda o foco, sugerindo que outra coisa também não existe — o que o texto não diz.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Possibilidade — O "já" não expressa dúvida ou hipótese. A frase é uma afirmação categórica sobre um fato consumado: a facilidade não existe mais. Se fosse possibilidade, o autor usaria "talvez" ou "possivelmente" — mas o texto é conclusivo: "já não existe mais". O valor de possibilidade é típico de advérbios como "talvez", "quiçá", "porventura", que não se aplicam aqui.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Negação — O "já" não nega; quem nega é o advérbio "não". Na frase, a estrutura é "já não existe mais" — a negação está explícita no "não". O "já" apenas reforça temporalmente a negação, indicando que a mudança já ocorreu. Confundir o papel do "já" com o do "não" é um erro clássico: o advérbio de tempo não se torna advérbio de negação por estar ao lado de um.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Tempo — O "já" marca o momento presente em contraste com o passado (1989). A frase compara dois tempos: a facilidade existia em 1989, mas agora (já) não existe. O valor temporal é confirmado pela substituição: "a facilidade que existia em 1989 agora não existe mais". O texto reforça essa leitura ao falar de "grandes artistas" que "não permanecem tanto tempo no topo das paradas" — uma mudança que se deu ao longo do tempo, não uma soma, possibilidade, negação ou afirmação isolada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirmação — O "já" não é um advérbio de afirmação (como "sim", "certamente", "decerto"). A frase é afirmativa, mas a afirmação vem da estrutura como um todo, não do "já". Se substituíssemos por "certamente", o sentido mudaria: "a facilidade que existia em 1989 certamente não existe mais" — isso expressaria convicção do autor, não a localização temporal da mudança. O "já" não afirma; ele situa no tempo.

Gabarito: letra D — o "já" expressa tempo, marcando a mudança entre o passado (1989) e o presente. A regra de ouro: advérbios polissêmicos só revelam seu valor no contexto — teste a substituição por sinônimos e veja qual preserva o sentido original.

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