Questão de Português — Sintaxe — Avança SP 2025
- Código
- qg425337
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- ITUPREV - SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Aadição.
- Bpossibilidade.
- Cnegação.
- Dtempo.
- Eafirmação.
GabaritoD — tempo.
Gabarito: letra D. No trecho "a facilidade que existia em 1989 já não existe mais", o advérbio "já" expressa tempo — mais precisamente, a ideia de que algo que era verdadeiro no passado deixou de ser no momento presente. A passagem do texto que ancora essa leitura é o parágrafo final: "Para grandes artistas, a facilidade que existia em 1989 já não existe mais". O "já" aqui não soma ideias, não indica possibilidade, não nega por si só (a negação vem do "não") nem afirma algo — ele situa a mudança no eixo temporal, marcando o contraste entre o passado (1989) e o presente.
A questão pede o valor semântico do advérbio "já" no contexto específico. Isso é diferente de pedir a classe gramatical (que seria "advérbio") ou a função sintática (adjunto adverbial). Aqui, o foco é o sentido que a palavra adquire na frase — e esse sentido só pode ser determinado pelo contexto. O comando "o valor que melhor descreve" indica que devemos analisar o efeito de sentido produzido pelo advérbio naquele trecho, não em abstrato.
O texto discute o boom da produção musical e seus efeitos. No último parágrafo, o autor conclui: "Para grandes artistas, a facilidade que existia em 1989 já não existe mais". A frase estabelece uma oposição temporal: em 1989, os grandes artistas tinham facilidade para permanecer no topo; hoje, com o excesso de lançamentos, essa facilidade acabou. O "já" é a peça que sinaliza essa virada no tempo — ele marca que a mudança já ocorreu, ou seja, que o estado passado não se mantém no presente.
O advérbio "já" é polissêmico: pode indicar tempo ("já cheguei"), adição ("já que você veio, fique"), ou até ênfase ("já disse que não"). Para decidir o valor, o teste é a substituição por sinônimos: se trocarmos "já" por "agora" ou "neste momento", a frase mantém o sentido — "a facilidade que existia em 1989 agora não existe mais". Isso prova o valor temporal. Se tentarmos substituir por "também" (adição) ou "talvez" (possibilidade), o sentido se perde. A negação, por sua vez, é expressa pelo "não", não pelo "já" — o advérbio apenas localiza a negação no tempo presente.
A banca explora a polissemia do "já" — o candidato que conhece o valor aditivo ("já" = "também") ou o valor de ênfase pode marcar a letra errada. O contexto é a chave: a frase compara dois momentos (1989 e hoje), o que exige leitura temporal.
Ao analisar o valor de um advérbio, faça o teste da substituição: troque a palavra por um sinônimo de cada valor possível e veja qual preserva o sentido original. O que sobreviver é o valor correto.
Adição — O "já" não soma ideias aqui. Em "já que você veio, fique", o valor é aditivo/explicativo, mas no trecho "a facilidade que existia em 1989 já não existe mais" não há acréscimo de informação; há uma constatação temporal. A substituição por "também" quebraria o sentido: "a facilidade que existia em 1989 também não existe mais" muda o foco, sugerindo que outra coisa também não existe — o que o texto não diz.
Possibilidade — O "já" não expressa dúvida ou hipótese. A frase é uma afirmação categórica sobre um fato consumado: a facilidade não existe mais. Se fosse possibilidade, o autor usaria "talvez" ou "possivelmente" — mas o texto é conclusivo: "já não existe mais". O valor de possibilidade é típico de advérbios como "talvez", "quiçá", "porventura", que não se aplicam aqui.
Negação — O "já" não nega; quem nega é o advérbio "não". Na frase, a estrutura é "já não existe mais" — a negação está explícita no "não". O "já" apenas reforça temporalmente a negação, indicando que a mudança já ocorreu. Confundir o papel do "já" com o do "não" é um erro clássico: o advérbio de tempo não se torna advérbio de negação por estar ao lado de um.
Tempo — O "já" marca o momento presente em contraste com o passado (1989). A frase compara dois tempos: a facilidade existia em 1989, mas agora (já) não existe. O valor temporal é confirmado pela substituição: "a facilidade que existia em 1989 agora não existe mais". O texto reforça essa leitura ao falar de "grandes artistas" que "não permanecem tanto tempo no topo das paradas" — uma mudança que se deu ao longo do tempo, não uma soma, possibilidade, negação ou afirmação isolada.
Afirmação — O "já" não é um advérbio de afirmação (como "sim", "certamente", "decerto"). A frase é afirmativa, mas a afirmação vem da estrutura como um todo, não do "já". Se substituíssemos por "certamente", o sentido mudaria: "a facilidade que existia em 1989 certamente não existe mais" — isso expressaria convicção do autor, não a localização temporal da mudança. O "já" não afirma; ele situa no tempo.
Gabarito: letra D — o "já" expressa tempo, marcando a mudança entre o passado (1989) e o presente. A regra de ouro: advérbios polissêmicos só revelam seu valor no contexto — teste a substituição por sinônimos e veja qual preserva o sentido original.
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