Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2025
Português›Interpretação de Textos
Código
qg425639
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Cerquilho - SP
Ano
2025
Nível
Médio
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Dois amigos e um chato
Os dois estavam tomando um cafezinho
no boteco da esquina, antes de partirem para as
suas respectivas repartições. Um tinha um nome
fácil: era o Zé. O outro (...) era o Flaudemíglio.
Acabado o café o Zé perguntou:
– Vais pra cidade?
- Vou – respondeu Flaudemíglio,
acrescentando: – Mas vou pegar o 434, que vai
pela Lapa. Eu tenho que entregar uma urinazinha
de minha mulher no laboratório da Associação,
que é ali na Mem de Sá.
Zé acendeu um cigarro e olhou para a fila
do 474, que ia direto pro centro e, por isso, era a
fila mais piruada. Tinha gente às pampas.
– Vens comigo? – quis saber
Flaudemíglio.
– Não – disse o Zé: – Eu estou atrasado e
vou pegar um direto ao centro.
– Então tá – concordou Flaudemíglio,
olhando para a outra esquina e, vendo que já
vinha o que passava pela Lapa: – Chi! Lá vem o
meu… – e correu para o ponto de parada, fazendo
sinal para o ônibus parar.
Foi aí que, segurando o guarda-chuva, um
embrulho e mais o vidrinho da urinazinha (como
ele carinhosamente chamava o material
recolhido pela mulher na véspera para o exame
de laboratório…), foi aí que o Flaudemíglio se
atrapalhou e deixou cair algo no chão.
O motorista (...) já ia botando o carro em
movimento, não dando tempo ao passageiro para
apanhar o que caíra. Flaudemíglio só teve tempo
de berrar para o amigo:
– Zé, caiu minha carteira de identidade.
Apanha e me entrega logo mais.
O 434 seguiu e Zé atravessou a rua, para
apanhar a carteira do outro. Já estava chegando
perto quando um cidadão magrelo e antipático
(...) apanhou a carteira de Flaudemíglio.
– Por favor, cavalheiro, essa carteira é de
um amigo meu – disse o Zé estendendo a mão.
Mas (...) não entregou. Examinou a
carteira e depois perguntou: – Como é o nome do
seu amigo?
– Flaudemíglio – respondeu o Zé.
– Flaudemíglio de quê? – insistiu o chato.
Mas o Zé deu-lhe um safanão e tomou-lhe
a carteira, dizendo: – Ora, seu cretino, quem
acerta Flaudemíglio não precisa acertar mais
nada!
PONTE PRETA, Stanislaw. Dois amigos e um chato. Disponível
em https://contobrasileiro.com.br/dois-amigos-e-um-chato-cronica-de-stanislaw-ponte-preta/.
Os últimos parágrafos do texto “Dois amigos e um chato”, que formam o seu desfecho, indicam que:
Aum dos personagens estava verificando se o cidadão magrelo estava dizendo a verdade, o que irritou profundamente o amigo de Flaudemíglio.
Bum dos personagens estava verificando se o Zé estava dizendo a verdade, o que irritou profundamente o amigo de Flaudemíglio.
Co cidadão magrelo e o Zé acabaram firmando amizade, por causa do estranho nome de Flaudemíglio.
Dmesmo sem conhecer o cidadão magrelo, Flaudemíglio acabou firmando amizade com ele, por ter devolvido o documento.
Eos dois personagens se desentenderam porque Flaudemíglio era só um apelido do amigo do Zé.
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GabaritoB — um dos personagens estava verificando se o Zé estava dizendo a verdade, o que irritou profundamente o amigo de Flaudemíglio.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Desfecho do Texto: A Verificação do Nome
Gabarito: letra B. O desfecho indica que o cidadão magrelo estava verificando se o Zé dizia a verdade sobre o nome do amigo, e essa desconfiança irritou profundamente o Zé. A passagem que ancora essa leitura é a pergunta do magrelo — "Como é o nome do seu amigo?" — seguida da resposta do Zé e da nova indagação: "Flaudemíglio de quê?". É essa insistência em conferir a informação que provoca a reação explosiva do Zé.
O comando pede que você indique o que os últimos parágrafos revelam — ou seja, uma tarefa de interpretação/inferência: a resposta não está escrita palavra por palavra, mas é deduzida diretamente das ações e falas das personagens. Diferente de uma questão de compreensão (que localiza informação explícita), aqui você precisa ler o subtexto: por que o magrelo pergunta o nome completo? Por que o Zé se irrita?
O texto é uma crônica narrativa de Stanislaw Ponte Preta. O conflito final se monta assim: o magrelo apanha a carteira de Flaudemíglio, o Zé pede de volta, mas o outro não entrega e começa a interrogar: "Como é o nome do seu amigo?" — o Zé responde "Flaudemíglio"; o magrelo insiste: "Flaudemíglio de quê?". Aí o Zé dá um safanão, toma a carteira e dispara: "Ora, seu cretino, quem acerta Flaudemíglio não precisa acertar mais nada!". A fala final é a chave: o Zé entende que, se alguém é capaz de dizer um nome tão inusitado e específico, não há motivo para desconfiar — a pergunta do magrelo era uma verificação de veracidade, e essa desconfiança é que o irrita.
A técnica para resolver: identifique quem age e quem reage. O magrelo age (pergunta, examina, não entrega); o Zé reage (responde, se irrita, toma a carteira). A alternativa correta precisa manter essa direção: o verificador é o magrelo; o verificado é o Zé; o irritado é o Zé. Qualquer inversão nessa cadeia derruba a alternativa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o sujeito da verificação. Na letra A, ela troca: "o Zé verificando o magrelo" — mas o texto mostra exatamente o contrário. Fique atento a quem pratica a ação e quem a sofre.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de desfecho, sublinhe os verbos de fala e ação dos últimos parágrafos. Eles revelam a intenção dos personagens melhor do que qualquer narração.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto (inversão de papéis). A alternativa afirma que "um dos personagens estava verificando se o cidadão magrelo estava dizendo a verdade". No texto, quem verifica é o magrelo, não o Zé. O magrelo pergunta "Como é o nome do seu amigo?" e depois "Flaudemíglio de quê?" — são perguntas de conferência. O Zé, por sua vez, não questiona nada; ele apenas responde e, irritado, age. A alternativa inverte o sujeito da verificação, contradizendo a cena.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta: parafraseia fielmente o desfecho. O magrelo, ao segurar a carteira, examina e pergunta: "Como é o nome do seu amigo?" — o Zé responde "Flaudemíglio"; o magrelo insiste: "Flaudemíglio de quê?". Essa insistência é uma verificação da veracidade da afirmação do Zé. A irritação do Zé é explícita: ele "deu-lhe um safanão e tomou-lhe a carteira" e o chama de "seu cretino". A fala final — "quem acerta Flaudemíglio não precisa acertar mais nada" — confirma que o Zé se sentiu ofendido pela desconfiança. Tudo isso está no texto, sem acréscimos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. A alternativa afirma que "o cidadão magrelo e o Zé acabaram firmando amizade". O texto não menciona amizade; ao contrário, o Zé toma a carteira à força e o chama de "cretino". Não há qualquer aproximação amistosa. A alternativa inventa um desfecho que não existe.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação + troca de personagem. A alternativa diz que "Flaudemíglio acabou firmando amizade com ele [o magrelo]". Primeiro, Flaudemíglio nem está presente no desfecho — ele já embarcou no ônibus. Segundo, quem interage com o magrelo é o Zé, e a interação é hostil, não amistosa. A alternativa mistura personagens e inventa uma amizade inexistente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que "Flaudemíglio era só um apelido do amigo do Zé". O texto deixa claro que Flaudemíglio é o nome real do amigo: o narrador diz que um tinha nome fácil (Zé) e o outro era Flaudemíglio. Além disso, o desfecho não trata de apelido, mas da verificação do nome. A alternativa inventa uma informação que contradiz o texto.
Conclusão: a única alternativa que mantém a direção correta da cena — magrelo verifica, Zé se irrita — é a letra B. As demais ou invertem os papéis, ou extrapolam amizades inexistentes, ou contradizem o texto. Gabarito: letra B.