Questão de Português — Figuras de Linguagem — Avança SP 2025
- Código
- qg426253
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Prefeitura de Morungaba - SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Ahipérbole.
- Bsilepse.
- Cperífrase.
- Dcomparação.
- Emetonímia.
GabaritoE — metonímia.
Gabarito: letra E. A expressão "está com Chagas" para designar alguém acometido pela doença de Chagas é um caso clássico de metonímia, pois substitui o nome da doença (tripanossomíase americana) pelo nome do pesquisador que a descobriu, Carlos Chagas, com quem mantém uma relação de causa e efeito (o descobridor pelo descoberto). O próprio texto estabelece essa associação ao afirmar que a doença foi batizada "em sua homenagem" e que o cientista "recusava o rótulo" de "doença de Chagas", preferindo "tripanossomíase americana".
A questão exige o reconhecimento de uma figura de palavra (metonímia) aplicada a um contexto específico. Não se trata de compreensão literal do texto, mas de identificar o recurso expressivo presente na construção linguística mencionada no enunciado. O texto-base serve de apoio para confirmar a relação entre o nome "Chagas" e a doença, mas a resposta depende do conhecimento do conceito de metonímia.
A metonímia é a substituição de um termo por outro, havendo entre eles uma relação de contiguidade (proximidade lógica, material ou causal). No caso, "Chagas" (o cientista) é usado no lugar de "doença de Chagas" (a enfermidade). Essa relação é de causa e efeito: o pesquisador descobriu a doença, então seu nome passou a designá-la. O texto confirma essa ligação ao longo de todo o relato, especialmente quando diz que a enfermidade "acabou chamada de doença de Chagas — em sua homenagem".
"A enfermidade acabou chamada de doença de Chagas, mas o próprio cientista recusava o rótulo."
Essa passagem mostra que o nome do cientista foi usado para nomear a doença, o que autoriza o uso metonímico de "Chagas" pela doença. A figura não é uma comparação explícita (como na comparação/símile), nem um exagero (hipérbole), nem uma concordância ideológica (silepse), nem uma substituição por uma característica ou qualidade (perífrase). É uma substituição por uma relação de causa e efeito, típica da metonímia.
A hipérbole é o exagero intencional, como em "morri de rir". Não há exagero na expressão "está com Chagas"; há apenas uma substituição de termos. A alternativa extrapola o conceito, confundindo uma figura de palavra com uma figura de pensamento.
A silepse é uma figura de sintaxe que consiste na concordância ideológica, ou seja, o acordo se faz com a ideia, não com a forma gramatical (ex.: "a multidão gritava, todos estavam felizes"). Não há qualquer concordância anômala na expressão. A alternativa troca o conceito, aplicando uma figura de construção a um caso de figura de palavra.
A perífrase (ou antonomásia) é a substituição de um nome por uma expressão que o designa por alguma característica ou qualidade (ex.: "Cidade Maravilhosa" pelo Rio de Janeiro). Na expressão "está com Chagas", não há uma qualidade ou característica substituindo o nome; há o nome do descobridor substituindo o nome da doença. A alternativa confunde perífrase com metonímia, pois ambas são figuras de substituição, mas a relação entre os termos é diferente.
A comparação (ou símile) é uma figura que estabelece uma relação de semelhança explícita, geralmente com conectivos como "como", "tal qual", "assim como" (ex.: "forte como um touro"). Na expressão "está com Chagas", não há comparação entre dois elementos; há uma substituição. A alternativa contradiz a natureza da figura, pois a comparação exige dois termos distintos, enquanto a metonímia opera com um só termo no lugar de outro.
A metonímia é a figura de palavra que substitui um termo por outro com base em uma relação de proximidade lógica, material ou causal. No caso, "Chagas" (o cientista) substitui "doença de Chagas" (a enfermidade), numa relação de causa e efeito (o descobridor pelo descoberto). O texto confirma essa relação ao afirmar que a doença foi batizada "em sua homenagem" e que o cientista "recusava o rótulo" de "doença de Chagas". A expressão "está com Chagas" é, portanto, um exemplo claro de metonímia.
A banca oferece a perífrase (C) como distratora, pois ambas são figuras de substituição. A diferença está na relação: na perífrase, substitui-se por uma qualidade ou característica; na metonímia, por uma relação de causa, efeito, parte-todo, autor-obra, etc. Aqui, a relação é de causa e efeito (o descobridor pela doença), o que caracteriza metonímia.
Para diferenciar metonímia de perífrase, pergunte: "a substituição é por uma qualidade/característica?" Se sim, é perífrase. "A substituição é por uma relação de causa, efeito, parte-todo, autor-obra?" Se sim, é metonímia.
Gabarito: letra E. A expressão "está com Chagas" é metonímia porque substitui o nome da doença pelo nome do seu descobridor, numa relação de causa e efeito, como o texto confirma ao dizer que a enfermidade foi batizada "em sua homenagem".
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