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Questão de Português — Conjunções: Relação de causa e consequência — Avança SP 2025

PortuguêsConjunções: Relação de causa e consequência
Código
qg426307
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Morungaba - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Leia o texto a seguir para responder as questão.

Charlatões


Um amigo meu diz que em todos nós existe o charlatão. Concordei. Sinto em mim a charlatã me espreitando. Só não vence, primeiro porque não é realmente verdade, segundo porque minha honestidade básica até me enjoa. Há outra coisa que me espreita e que me faz sorrir: o mau gosto. Ah, a vontade que tenho de ceder ao mau gosto. Em quê? Ora, o campo é ilimitado, simplesmente ilimitado. Vai desde o instante em que se pode dizer a palavra errada exatamente quando ela cairia pior – até o instante em que se diriam palavras de grande beleza e verdade quando o interlocutor está desprevenido e levaria um susto de constrangimento, e haveria o silêncio depois. Em que mais? Em se vestir, por exemplo. Não necessariamente o óbvio do equivalente a plumas. Não sei descrever, mas saberia usar um mau gosto perfeito. E em escrever? A tentação é grande, pois a linha divisória é quase invisível entre o mau gosto e a verdade. E mesmo porque, pior que o mau gosto em matéria de escrever, é um certo tipo horrível de bom gosto. Às vezes, de puro prazer, de pura pesquisa simples, ando sobre linha bamba.

Como é que eu seria charlatã? Eu fui, e com toda a sinceridade, pensando que acertava. Sou, por exemplo, formada em direito, e com isso enganei a mim e aos outros. Não, mais a mim que a todos. No entanto, como eu era sincera: fui estudar direito porque desejava reformar as penitenciárias no Brasil.

O charlatão é um contrabandista de si mesmo. Que é mesmo o que estou dizendo? Era uma coisa, mas já me escapou. O charlatão se prejudica? Não sei, mas sei que às vezes a charlatanice dói e muito. Imiscui-se nos momentos mais graves. Dá uma vontade de não ser, exatamente quando se é com toda a força. Não posso infelizmente me alongar mais nesse assunto.


LISPECTOR, C. Charlatões. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 1973. Disponível em

A segunda oração que ocorre no excerto “A tentação é grande, pois a linha divisória é quase invisível entre o mau gosto e a verdade” é introduzida por uma conjunção que exprime:
  1. Aexplicação.
  2. Bconcessão.
  3. Cconformidade.
  4. Dfinalidade.
  5. Eproporcionalidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — explicação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor Semântico da Conjunção "Pois"

Gabarito: letra A. No excerto, a conjunção "pois" introduz uma explicação: a segunda oração justifica a afirmação anterior, apresentando o motivo que a sustenta. A passagem "A tentação é grande, pois a linha divisória é quase invisível entre o mau gosto e a verdade" mostra que a linha invisível é a razão que explica por que a tentação é grande — não uma causa que a produz, mas uma justificativa lógica.

"A tentação é grande, pois a linha divisória é quase invisível entre o mau gosto e a verdade"

Aqui, o "pois" equivale a "porque" no sentido de explicação: a segunda oração esclarece o porquê da primeira, sem estabelecer uma relação de causa e efeito direta. A banca cobra exatamente essa distinção sutil entre explicação e causa, que é clássica em provas de português.

O Comando da Questão

O enunciado pede que você identifique a relação semântica expressa pela conjunção que inicia a segunda oração. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber que "pois" é uma conjunção; é preciso analisar o contexto para determinar se ela exprime explicação, causa, conclusão, etc. A banca quer que você perceba que o "pois" aqui não é causal (não indica a causa que gera o fato), mas sim explicativo (justifica logicamente a afirmação).

A Técnica para Resolver

  1. Identifique a conjunção: no trecho, a conjunção é "pois".

  2. Analise a relação entre as orações: a primeira oração afirma "A tentação é grande"; a segunda apresenta o motivo que explica essa afirmação: "a linha divisória é quase invisível entre o mau gosto e a verdade".

  3. Diferencie explicação de causa: na causa, o fato da segunda oração produz o fato da primeira (ex.: "A calçada está molhada porque choveu"). Na explicação, a segunda oração justifica a primeira, sem que haja uma relação de causa e efeito direta (ex.: "Choveu, porque a calçada está molhada" — a calçada molhada não causa a chuva, apenas a explica).

No trecho, a linha divisória invisível não causa a tentação; ela explica por que a tentação é grande. Portanto, a relação é de explicação.

Conjunção "pois"
  • 1Explicativa (gabarito)
    • Justifica a afirmação anterior
    • Equivale a "porque" (justificativa lógica)
  • 2Causal (não é o caso)
    • Segunda oração produz o fato
    • Ex.: "calçada molhada porque choveu"
  • 3Teste da inversão
    • Deslocável ao início → causal
    • Fica melhor depois → explicativa
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Análise das Alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conjunção "pois" introduz uma explicação. A segunda oração justifica a afirmação anterior: a tentação é grande porque a linha divisória entre o mau gosto e a verdade é quase invisível. Essa é a relação clássica de oração coordenada sindética explicativa, em que o conectivo (pois, porque, que, porquanto) apresenta uma justificativa lógica para o que foi dito.

"A tentação é grande, pois a linha divisória é quase invisível entre o mau gosto e a verdade"

Aqui, o "pois" poderia ser substituído por "porque" ou "já que" sem alterar o sentido, mantendo a ideia de explicação. A banca explora exatamente essa equivalência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A concessão exprime uma ideia de contrariedade ou ressalva que não impede a realização do fato principal. Conjunções concessivas típicas são "embora", "ainda que", "mesmo que". No trecho, não há nenhuma quebra de expectativa ou oposição; a segunda oração apenas explica a primeira. Portanto, a relação não é de concessão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A conformidade indica que um fato está de acordo com outro, sendo introduzida por conjunções como "conforme", "segundo", "como". No trecho, a segunda oração não estabelece uma relação de conformidade (não diz que algo é feito "conforme" algo), mas sim de explicação. Logo, a alternativa está incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A finalidade exprime objetivo ou propósito, sendo introduzida por conjunções como "para que", "a fim de que". No trecho, a segunda oração não indica uma finalidade (não diz "para que a tentação seja grande"); ela apenas explica o motivo. Portanto, a relação não é de finalidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A proporcionalidade indica uma relação de simultaneidade ou proporção, sendo introduzida por locuções como "à medida que", "ao passo que", "quanto mais... mais". No trecho, não há ideia de proporção ou simultaneidade; a segunda oração apenas explica a primeira. Logo, a alternativa está incorreta.

Conclusão

A questão cobra a distinção entre explicação e causa, um dos pontos mais traiçoeiros das conjunções. A dica de ouro: pergunte-se se a segunda oração é a causa que produz o fato ou a justificativa que o explica. Se for justificativa, é explicação. No trecho, a linha divisória invisível não causa a tentação; ela a explica. Portanto, a resposta é a letra A.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar "pois" ou "porque", teste a inversão: se a oração iniciada pelo conectivo puder ser deslocada para o início sem prejuízo de sentido, tende a ser causal; se ficar melhor depois, tende a ser explicativa. Aqui, "A tentação é grande, pois a linha divisória é quase invisível" — a segunda parte justifica a primeira, logo é explicação.

Gabarito: letra A

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