A insuficiência renal crônica acarreta diversas repercussões sistêmicas pela perda progressiva das funções endócrinas e metabólicas renais. Entre as alterações descritas, assinale a alternativa correta:
AA redução da produção de eritropoietina leva à policitemia, que pode agravar a hipertensão arterial crônica.
BA anemia associada à insuficiência renal crônica é decorrente exclusivamente da deficiência de ferro dietético.
CO aumento da produção de calcitriol na insuficiência renal resulta em hipercalcemia e maior risco de fraturas.
DA hipertensão arterial observada decorre principalmente do excesso de eritropoietina produzido pelos rins lesados.
EA deficiência de calcitriol acarreta alterações ósseas e, em crianças, prejuízo no crescimento dos ossos.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — A deficiência de calcitriol acarreta alterações ósseas e, em crianças, prejuízo no crescimento dos ossos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Insuficiência renal crônica: repercussões endócrinas e metabólicas
Gabarito: letra E. A insuficiência renal crônica (IRC) cursa com deficiência de calcitriol (forma ativa da vitamina D), pois o rim é o principal sítio de sua produção; essa deficiência compromete a mineralização óssea e, em crianças, o crescimento. As demais alternativas invertem ou distorcem os mecanismos fisiopatológicos: a redução de eritropoietina causa anemia (e não policitemia), e a produção de calcitriol está diminuída (e não aumentada).
A doença renal crônica (DRC) é definida como a deterioração progressiva e irreversível das funções renais — glomerular, tubular e endócrina. O rim não é apenas um órgão excretor: ele produz hormônios essenciais, como a eritropoietina (que estimula a eritropoiese na medula óssea) e o calcitriol (1,25-diidroxivitamina D3, que regula a homeostase de cálcio e fósforo). Quando a função renal declina, essas produções hormonais caem, gerando um conjunto de repercussões sistêmicas que caracterizam a síndrome urêmica.
A anemia da DRC é multifatorial, mas o mecanismo central é a deficiência relativa de eritropoietina — os rins lesados produzem menos desse hormônio, reduzindo a estimulação da medula óssea. Outros fatores contribuem: deficiência de ferro, inflamação crônica, hiperparatireoidismo secundário e menor sobrevida das hemácias. Não é, portanto, "exclusivamente" deficiência de ferro dietético, como afirma a alternativa B.
No metabolismo mineral, o rim converte a vitamina D em sua forma ativa (calcitriol). Com a perda de massa renal, essa conversão cai, levando a hipocalcemia e hiperfosfatemia. A hipocalcemia estimula o paratormônio (PTH), gerando hiperparatireoidismo secundário, que, junto com a deficiência de calcitriol, causa osteodistrofia renal — alterações ósseas como osteíte fibrosa cística e osteomalacia. Em crianças, o comprometimento do crescimento é uma consequência clássica, pois o osso em formação depende do eixo cálcio-fósforo-vitamina D intacto.
A hipertensão arterial na DRC é multifatorial, relacionada principalmente à retenção de sódio e água (hipervolemia), à ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e à disfunção endotelial — não ao excesso de eritropoietina, que, na verdade, está diminuída. A alternativa D inverte completamente o mecanismo.
A pegadinha central desta questão é a inversão de mecanismos: a banca troca "diminuição" por "aumento" e "anemia" por "policitemia", testando se o candidato domina a direção das alterações hormonais na IRC. Guarde o par: rim lesado → menos eritropoietina → anemia; rim lesado → menos calcitriol → doença óssea. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
IRC: repercussões endócrinas: Eritropoietina (Rim lesado produz menos, Anemia (não policitemia)); Calcitriol (Rim lesado produz menos, Hipocalcemia e hiperfosfatemia, Osteodistrofia renal, Prejuízo do crescimento (crianças)); Hipertensão arterial (Hipervolemia (retenção de sódio/água), Ativação do SRAA, Disfunção endotelial)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A redução da produção de eritropoietina leva à anemia, não à policitemia. A policitemia (aumento da massa de hemácias) é o oposto do que ocorre na IRC. A alternativa inverte o efeito da deficiência hormonal: menos eritropoietina → menos estímulo à medula óssea → menos hemácias → anemia. A hipertensão arterial, por sua vez, não é agravada por policitemia nesse contexto, mas sim por hipervolemia e ativação do sistema renina-angiotensina.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A anemia da IRC não é exclusivamente por deficiência de ferro dietético. O mecanismo principal é a produção insuficiente de eritropoietina pelos rins. A deficiência de ferro pode coexistir e agravar o quadro, mas não é a causa exclusiva — o termo "exclusivamente" torna a alternativa incorreta. Outros fatores incluem inflamação crônica, hiperparatireoidismo e redução da sobrevida eritrocitária.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Na IRC, a produção de calcitriol está diminuída, não aumentada. O rim lesado perde a capacidade de hidroxilar a vitamina D em sua forma ativa. A consequência é hipocalcemia (não hipercalcemia) e maior risco de doença óssea (osteodistrofia renal), não de fraturas por hipercalcemia. A alternativa inverte a direção da alteração hormonal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipertensão arterial na IRC decorre principalmente de hipervolemia (retenção de sódio e água) e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, não do excesso de eritropoietina. Na verdade, a eritropoietina está diminuída na IRC, e não aumentada. A alternativa troca o mecanismo fisiopatológico da hipertensão.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A deficiência de calcitriol é uma consequência direta da perda da função renal endócrina. O calcitriol é essencial para a absorção intestinal de cálcio e para a mineralização óssea. Sua deficiência leva a alterações ósseas (osteodistrofia renal) e, em crianças, a prejuízo no crescimento — pois o osso em desenvolvimento depende do eixo cálcio-fósforo-vitamina D. A alternativa descreve corretamente a fisiopatologia da doença mineral e óssea da DRC.
Gabarito: letra E — a única alternativa que descreve corretamente a consequência da deficiência de calcitriol na insuficiência renal crônica.