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Questão de Português — Morfologia - Verbos — Avança SP 2025

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
qg426718
Banca
Avança SP
Órgão
SAAE de Cerquilho - SP
Ano
2025
Nível
Médio
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Furto de flor

    Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida. Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer. Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:
– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim! 


ANDRADE, Carlos Drummond de. Furto de flor. Contos plausíveis.
1985. Disponível em <https://www.culturagenial.com/cronicas-curtascom-interpretacao/>.
“Eu a furtara, eu a via morrer. Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara.”

As formas verbais destacadas acima, no tempo em que se encontram, indicam ações:
  1. Aque começaram no passado e continuam até o presente.
  2. Bque acontecem no momento presente da história contada pelo autor.
  3. Cprojetadas para acontecerem num futuro próximo.
  4. Dpresas a alguma condição.
  5. Eque aconteceram no passado, antes de outras ações também passadas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — que aconteceram no passado, antes de outras ações também passadas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor do Pretérito Mais-que-Perfeito

Gabarito: letra E. As formas "furtara" e "desabrochara" estão no pretérito mais-que-perfeito do indicativo, tempo que expressa uma ação passada anterior a outra ação também passada. No trecho, o narrador diz que "furtara" a flor (ação anterior) e depois "via" ela morrer (ação posterior no passado); e que a depositou no jardim "onde desabrochara" (ação ainda mais remota). A alternativa E é a única que capta exatamente esse valor de anterioridade em relação a outro fato passado.

O que o comando pede

A questão pergunta "no tempo em que se encontram" — ou seja, exige que você identifique o tempo verbal das formas destacadas e o valor semântico que ele carrega no contexto. Não é uma questão de interpretação de sentido figurado, mas de morfologia verbal aplicada ao texto: você precisa reconhecer o pretérito mais-que-perfeito e saber o que ele significa.

O texto e as formas verbais

No trecho:

"Eu a furtara, eu a via morrer. Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara."

  • "furtara" = pretérito mais-que-perfeito de furtar (1ª pessoa do singular). Indica que o furto ocorreu antes do momento em que ele "via" a flor morrer.

  • "desabrochara" = pretérito mais-que-perfeito de desabrochar (3ª pessoa do singular). Indica que a flor havia desabrochado antes de ele a depositar no jardim.

O pretérito mais-que-perfeito do indicativo é formado, nos verbos regulares, pela desinência -ra (ou -re, na 2ª pessoa do plural) acrescida ao tema. Ele expressa um fato passado anterior a outro fato passado, ou seja, uma ação que já estava concluída quando outra ação passada aconteceu. É o tempo da anterioridade no passado.

A técnica que decide

Para resolver, você precisa reconhecer o tempo verbal e entender o valor semântico que ele carrega no contexto. Não basta saber que é "passado"; é preciso perceber que o mais-que-perfeito indica anterioridade em relação a outro passado. No trecho, o narrador furtou a flor (ação 1), depois viu ela morrer (ação 2), e só então a depositou no jardim (ação 3). O mais-que-perfeito marca as ações 1 e 3 como anteriores às demais.

Análise das alternativas

  1. 1Identificar desinência -ra/-re
  2. 2Ação concluída no passado
  3. 3Anterior a outro passado
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que as ações "começaram no passado e continuam até o presente". Isso descreveria o presente do indicativo ou o pretérito perfeito composto (ex.: "tenho furtado"), não o mais-que-perfeito. No texto, o furto e o desabrochar são ações concluídas no passado, sem qualquer ligação com o presente. O trecho "eu a via morrer" mostra que a flor já estava morta, não que algo continua até hoje.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa diz que as ações "acontecem no momento presente da história contada pelo autor". Isso seria o presente do indicativo (ex.: "furto", "vejo"). No trecho, as formas "furtara" e "desabrochara" são claramente passadas — o narrador está contando algo que já ocorreu, não algo que ocorre agora. A presença de "via" (pretérito imperfeito) e "peguei" (pretérito perfeito) confirma que toda a cena é passada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que as ações são "projetadas para acontecerem num futuro próximo". Isso seria o futuro do presente (ex.: "furtarei") ou o futuro do pretérito (ex.: "furtaria"). No trecho, não há qualquer ideia de futuro — o narrador já furtou, já viu morrer, já depositou. As formas "furtara" e "desabrochara" são passadas, não futuras.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa diz que as ações estão "presas a alguma condição". Isso seria o futuro do pretérito (ex.: "furtaria, se pudesse") ou o pretérito imperfeito do subjuntivo (ex.: "se furtasse"). No trecho, não há qualquer condição expressa — o narrador furtou a flor sem condição alguma, e a flor desabrochou sem condição. As formas estão no indicativo, não no subjuntivo, e não há conjunção condicional ("se", "caso") no trecho.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. As formas "furtara" e "desabrochara" estão no pretérito mais-que-perfeito do indicativo, que expressa uma ação passada anterior a outra ação também passada. No trecho:

"Eu a furtara, eu a via morrer."

O narrador furtou a flor (ação 1) antes de vê-la morrer (ação 2). E:

"fui depositá-la no jardim onde desabrochara."

A flor desabrochou (ação 3) antes de ele a depositar no jardim (ação 4). Portanto, o mais-que-perfeito marca exatamente a anterioridade de uma ação passada em relação a outra também passada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece alternativas que descrevem outros tempos verbais (presente, futuro, condicional) para desviar do valor de anterioridade do mais-que-perfeito. A pegadinha está em confundir o mais-que-perfeito com o pretérito perfeito simples ("furtou") ou com o imperfeito ("furtava"), que não indicam anterioridade.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o mais-que-perfeito, procure a desinência -ra (ou -re) e pergunte: "essa ação aconteceu antes de outra ação passada?". Se sim, é mais-que-perfeito. Ex.: "Quando cheguei, ele já saíra" — "saira" é anterior a "cheguei".

Conclusão: a alternativa E é a única que descreve corretamente o valor do pretérito mais-que-perfeito: ações que aconteceram no passado, antes de outras ações também passadas. As demais alternativas descrevem outros tempos verbais (presente, futuro, condicional) ou extrapolam o sentido do texto.

Gabarito: letra E

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