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Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg426722
Banca
Avança SP
Órgão
SAAE de Cerquilho - SP
Ano
2025
Nível
Médio
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Furto de flor

    Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida. Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer. Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:
– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim! 


ANDRADE, Carlos Drummond de. Furto de flor. Contos plausíveis.
1985. Disponível em <https://www.culturagenial.com/cronicas-curtascom-interpretacao/>.
Em relação ao texto “Furto de flor”, é correto afirmar que ele:
  1. Abaseia-se num acontecimento do cotidiano, real ou imaginário, para desenvolver ideias e transmitir ensinamentos.
  2. Bdemonstra a característica do autor como um indivíduo sem sentimento, maldoso, que gosta de destruir a natureza.
  3. Capresenta o porteiro do edifício como o personagem central da história.
  4. Dapresenta o porteiro do edifício como um indivíduo sem sentimento, maldoso, que gosta de destruir a natureza.
  5. Eapresenta a flor do jardim como um ser desprezível, que não faz nenhuma falta.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — baseia-se num acontecimento do cotidiano, real ou imaginário, para desenvolver ideias e transmitir ensinamentos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Furto de flor — Crônica e cotidiano

Gabarito: letra A. O texto de Drummond parte de um acontecimento banal do dia a dia — furtar uma flor de um jardim — para desenvolver uma reflexão sobre responsabilidade, cuidado e a relação do ser humano com a natureza. A alternativa A é a única que descreve com precisão essa estrutura: um fato cotidiano (real ou imaginário) que serve de ponto de partida para ideias e ensinamentos.

O comando pede que se identifique uma afirmação correta sobre o texto — ou seja, uma leitura de compreensão, que deve estar ancorada no que está escrito, sem acréscimos de fora. A banca testa se o candidato consegue distinguir o que o texto realmente diz (e como diz) de leituras apressadas ou preconcebidas sobre os personagens.

O texto é uma crônica narrativa: há um narrador em primeira pessoa que furta uma flor, percebe que ela não se adapta ao copo, transfere-a para um vaso, cuida dela, vê-a murchar e, por fim, a devolve ao jardim — onde é repreendido pelo porteiro, que a vê como "lixo". O movimento central é o do cuidado e da culpa: o narrador assume a obrigação de conservar a flor que furtou e sofre ao vê-la morrer. Não há, em nenhum momento, maldade ou desprezo — há, ao contrário, delicadeza e arrependimento.

A técnica que decide esta questão é simples: teste cada alternativa perguntando se o texto a autoriza. As alternativas B, C, D e E atribuem ao texto características que ele não contém — ou porque invertem o papel dos personagens, ou porque projetam sentimentos que o narrador não expressa. A correta, A, é a única que descreve a estrutura do texto sem acrescentar nada de fora.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "é correto afirmar" pede compreensão — a resposta deve estar explícita ou ser uma paráfrase fiel do texto, sem inferências ousadas. Desconfie de alternativas que atribuem intenções ou julgamentos aos personagens que não aparecem no texto.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que o texto "baseia-se num acontecimento do cotidiano, real ou imaginário, para desenvolver ideias e transmitir ensinamentos". Isso é exatamente o que ocorre: o narrador furta uma flor — um fato banal, do dia a dia — e, a partir daí, reflete sobre a responsabilidade de quem age sem pensar, sobre o cuidado com a natureza e sobre a incompreensão alheia. O texto é uma crônica, gênero que parte do cotidiano para extrair uma reflexão. A passagem que sustenta isso é o próprio enredo: o furto, a tentativa de cuidar da flor, a morte dela e a repreensão final do porteiro. Não há acréscimo de informação externa: a alternativa descreve a estrutura do texto, não um detalhe específico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B diz que o texto "demonstra a característica do autor como um indivíduo sem sentimento, maldoso, que gosta de destruir a natureza". Isso contradiz o texto. O narrador, ao contrário, demonstra cuidado e culpa: ele assume a obrigação de conservar a flor, renova a água, teme por sua vida e, ao vê-la murchar, a devolve ao jardim. Veja o trecho:

"Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida."

O narrador não sente prazer em destruir; sente remorso e tenta reparar o erro. A alternativa B projeta uma maldade que não existe no texto — é uma extrapolação com base em um estereótipo de "ladrão", ignorando o que o texto realmente mostra.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que o porteiro é o "personagem central da história". Isso é falso. O personagem central é o narrador, que conta a história em primeira pessoa e é o protagonista de todas as ações: furta, cuida, devolve. O porteiro aparece apenas no final, para repreender o narrador. Ele é um personagem secundário, com função de desfecho irônico. O texto não dá a ele o papel central — ele não tem nome, não tem pensamentos, não conduz a narrativa. A alternativa C inverte o protagonismo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz que o porteiro é "um indivíduo sem sentimento, maldoso, que gosta de destruir a natureza". Isso é uma extrapolação e uma distorção. O porteiro apenas repreende o narrador por jogar "lixo" no jardim:

"Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!"

Ele não demonstra maldade nem prazer em destruir a natureza; ele apenas não reconhece a flor como algo que pertence ao jardim — para ele, é lixo. A fala do porteiro é irônica: o narrador devolve a flor com carinho, mas o porteiro a vê como lixo. Não há, no texto, qualquer indício de que o porteiro seja maldoso ou que goste de destruir a natureza. A alternativa D inventa uma característica que não está no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que a flor é "um ser desprezível, que não faz nenhuma falta". Isso contradiz o texto. O narrador trata a flor com delicadeza e importância: ele a observa, percebe suas "novidades", cuida dela e sofre ao vê-la morrer. Veja:

"Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem."

A flor é tratada como algo valioso e digno de cuidado, não como algo desprezível. A alternativa E inverte o valor que o texto atribui à flor. Além disso, o porteiro, ao repreender o narrador, mostra que a flor "faz falta" — ela não deveria estar ali como lixo. A alternativa E é uma leitura contrária ao texto.

Conclusão: a única alternativa que descreve corretamente o texto é a A, pois ela capta a essência da crônica: um fato cotidiano que gera reflexão. As demais ou contradizem o texto (B, E), ou invertem o papel dos personagens (C), ou extrapolam características não presentes (D).

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora oferecer alternativas que atribuem maldade ou desprezo a personagens que, no texto, agem com cuidado ou são apenas coadjuvantes. Sempre confira se a característica está explícita ou se é uma inferência que o texto não autoriza.

Gabarito: letra A

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