Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2025
Português›Interpretação de Textos
Código
qg426741
Banca
Avança SP
Órgão
SAAE de Cerquilho - SP
Ano
2025
Nível
Fundamental
Leia o texto a seguir para responder à questão.
A fábula do porco-espinho
Durante a era glacial, muitos animais
morriam por causa do frio. Os porcos-espinhos,
percebendo a situação, resolveram se juntar em
grupos; assim, se agasalhavam e se protegiam
mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam
os companheiros mais próximos, justamente os
que ofereciam mais calor.
Por isso decidiram se afastar uns dos outros e
voltaram a morrer congelados. Então precisavam
fazer uma escolha: ou desapareceriam da Terra
ou aceitavam os espinhos dos companheiros.
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.
Aprenderam, assim, a conviver com as
pequenas feridas que a relação muito próxima
podia causar, já que o mais importante era o calor
do outro. E sobreviveram.
Moral da história: o melhor
relacionamento não é aquele que une pessoas
perfeitas, mas aquele em que cada um aprende a
conviver com os defeitos do outro
e consegue admirar suas qualidades.
ALVES, Rubem. A fábula do porco-espinho. Disponível em <https://radioesmeralda.com.br/mensagens/a-fbula-do-porcoespinho/>.
A característica fundamental do texto como uma fábula é o fato de apresentar:
Aelementos não humanos com características e comportamentos humanos, além de uma lição de moral.
Belementos humanos com características e comportamentos animais, além de uma lição de moral.
Cum acontecimento da realidade, transformando-o numa lição de moral.
Duma história sem nenhuma lógica, transformando-a numa lição de moral.
Euma história infantil com uma lição de moral que serve apenas para crianças, não para adultos.
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GabaritoE — uma história infantil com uma lição de moral que serve apenas para crianças, não para adultos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A Fábula do Porco-Espinho: Características do Gênero
Gabarito: letra A. A característica fundamental da fábula é apresentar elementos não humanos com características e comportamentos humanos, além de uma lição de moral — exatamente o que o texto faz ao atribuir aos porcos-espinhos a capacidade de "perceber", "decidir" e "aprender", e ao fechar com a "Moral da história". A alternativa E, apesar de citar "história infantil", extrapola ao afirmar que a lição "serve apenas para crianças", o que o texto não diz em momento algum.
O comando pede que você identifique a característica fundamental do texto como uma fábula. Isso é uma questão de compreensão (informação que se extrai diretamente do texto e do conhecimento do gênero), não de inferência profunda. A banca quer que você reconheça os dois pilares do gênero fabular: a personificação (atribuir ações e sentimentos humanos a animais) e a moral explícita.
O texto é uma narrativa alegórica: os porcos-espinhos "percebendo a situação, resolveram se juntar", "decidiram se afastar", "precisavam fazer uma escolha" e, "com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos". Todas essas são ações tipicamente humanas — raciocínio, deliberação, escolha — atribuídas a animais. No final, o autor explicita o ensinamento:
"Moral da história: o melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele em que cada um aprende a conviver com os defeitos do outro e consegue admirar suas qualidades."
Essa passagem é a lição de moral, o segundo elemento essencial. A alternativa A é a única que reúne os dois requisitos com precisão.
A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando: o texto AUTORIZA isto, ou exige acrescentar algo de fora? A letra E, por exemplo, introduz a ideia de que a fábula "serve apenas para crianças" — isso é uma opinião de senso comum que não está no texto. O texto não diz que a moral é exclusiva para crianças; pelo contrário, a mensagem sobre conviver com defeitos e admirar qualidades é universal. A banca adora esse tipo de pegadinha: extrapolar com um fato verdadeiro no mundo real (fábulas são associadas ao público infantil) que, porém, não está sustentado no texto.
Fábula: Personificação (Animais com ações humanas, Raciocínio, deliberação, escolha); Moral explícita (Ensinamento universal, "Moral da história"); Narrativa alegórica (Fictícia, não fato real, Cadeia causal coerente)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão os dois elementos estruturais da fábula: personificação ("elementos não humanos com características e comportamentos humanos") e moral ("além de uma lição de moral"). No texto, os porcos-espinhos pensam, decidem e aprendem — comportamentos humanos — e a "Moral da história" explicita o ensinamento. É a definição canônica do gênero, aplicada corretamente ao texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto (inversão). A alternativa inverte os polos: diz que há "elementos humanos com características e comportamentos animais". No texto, os animais (porcos-espinhos) é que têm comportamentos humanos — não o contrário. Não há nenhum humano na narrativa. A banca troca os termos para testar se você leu com atenção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: fora do escopo (tangencia). A fábula não relata "um acontecimento da realidade"; ela é uma narrativa fictícia e alegórica. Os porcos-espinhos da era glacial são uma construção simbólica, não um fato real transformado em lição. A alternativa confunde fábula com crônica ou notícia, que partem de fatos reais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A história tem lógica interna clara: os animais se juntam (se aquecem, mas se ferem), se afastam (morrem de frio), e então escolhem conviver com as feridas para sobreviver. Há uma cadeia causal perfeitamente coerente. Dizer que é "sem nenhuma lógica" é o oposto do que o texto apresenta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapola (acrescenta opinião). A alternativa mistura um dado verdadeiro (é uma história infantil, no sentido de ser contada a crianças) com uma opinião que o texto não sustenta: que a lição "serve apenas para crianças, não para adultos". O texto não faz essa restrição; a moral sobre relacionamentos é universal. A banca apela ao senso comum de que "fábula é coisa de criança" para induzir ao erro. Desconfie de palavras absolutas como "apenas" — elas quase sempre restringem indevidamente o alcance do texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora o estereótipo de que fábula é gênero infantil. A letra E parece correta porque fábulas são comumente associadas a crianças, mas o texto não diz que a moral serve "apenas" para elas. A resposta certa é a que descreve a estrutura do gênero (personificação + moral), não a que traz um juízo de valor de fora.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o gênero textual, foque na estrutura (o que o caracteriza formalmente) e não em associações culturais. Pergunte: "o que define uma fábula?" — resposta: animais com atitudes humanas + moral. Isso elimina as alternativas que apelam a opiniões externas.
Gabarito: letra A — a única que descreve com fidelidade os dois pilares do gênero fabular presentes no texto: a personificação dos porcos-espinhos e a moral explícita no final.