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Questão de Português — Interpretação de Textos — FACET Concursos 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg448132
Banca
FACET Concursos
Órgão
Prefeitura de Monteiro - PB
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Fundamental 2 - Língua Portuguesa
Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis explora um narrador “defunto-autor” que sabota a própria confiabilidade por digressões metalinguísticas e apartes ao leitor, convertendo a ironia em método crítico (Candido; Schwarz). Em contraste com a construtividade antissentimental de João Cabral de Melo Neto, a ironia machadiana funciona como dispositivo de desnaturalização: desloca expectativas, relativiza causalidades, convoca o leitor a recompor lacunas e reconhecer a pluralidade de vozes quando o narrador simula transparência e performa cálculo. Esse jogo enunciativo instaura polifonia e tensiona a autoridade narrativa, abrindo espaço para leituras que consideram ethos, foco e pacto ficcional. Assinale a alternativa correta.
  1. AA adoção do narrador defunto-autor neutraliza o ponto de vista, convertendo a ironia em ornamento estilístico dissociado de qualquer função crítica na estrutura do romance.
  2. BAs digressões metalinguísticas reforçam a transparência do relato, pois reduzem ambiguidades interpretativas e estabilizam um pacto ficcional unívoco entre narrador e leitor.
  3. CA interlocução direta com o leitor consolida a confiabilidade plena da voz narrativa, apresentada como instância de mediação ética e interpretativa acima das demais vozes do texto.
  4. DO jogo irônico, ao sabotar expectativas lineares e simular sinceridade, tensiona a autoridade do narrador e convoca o leitor a reconstruir sentidos a partir de uma polifonia controlada.
  5. EA polifonia machadiana esvazia a dimensão crítica do romance, na medida em que impede a identificação de qualquer posicionamento autoral minimamente reconhecível na narrativa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — O jogo irônico, ao sabotar expectativas lineares e simular sinceridade, tensiona a autoridade do narrador e convoca o leitor a reconstruir sentidos a partir de uma polifonia controlada.

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