Função discursiva da repetição no poema
Gabarito: letra C. A repetição do verso "Índio eu não sou" ao longo do poema funciona como uma negação da identidade imposta pelo colonizador e, ao mesmo tempo, como afirmação de reexistência simbólica, concretizada na enumeração de diferentes povos indígenas. Como se lê nos versos finais:
"Sou Kambeba, sou Tembé / Sou kokama, sou Sataré / Sou Guarani, sou Arawaté / [...] / Resisto com raça e fé."
A repetição não cria dúvida, mas reforça a certeza identitária. A função é, portanto, temática e ideológica, não apenas musical.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação de que o erro de Colombo "não gerou consequências de ordem cultural, ideológica e histórica" contradiz diretamente o poema, que narra dor, violência e extermínio: "Meu grito na mata ecoou / Meu sangue na terra jorrou" e "Dizimar para a civilização". Além disso, a expressão "somente o erro linguístico" é redutora; o poema denuncia muito mais. Erro: contradiz o texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A repetição não sugere dúvida. Pelo contrário, o eu lírico afirma com clareza sua identidade: "Sou Kambeba, sou Tembé...". A negação de "índio" é uma recusa a um nome que não lhe pertence, não uma incerteza sobre quem é. Erro: contradiz o texto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A repetição reafirma a negação da identidade genérica imposta ("índio") e propõe uma reexistência simbólica ao listar os nomes dos povos indígenas. Essa enumeração funciona como resistência e afirmação de pertencimento, conforme os versos citados. Totalmente apoiado no texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Embora a repetição possa contribuir para a musicalidade, a alternativa nega sua carga semântica, afirmando que não tem relevância temática. O poema, porém, centra-se justamente na recusa do termo "índio" e na valorização das identidades específicas. Erro: contradiz o texto (falsa afirmação de irrelevância semântica).
Gabarito: letra C