O agente etiológico da sífilis é a espiroqueta Treponema pallidum, que apresenta características estruturais e genéticas únicas que explicam seu comportamento infeccioso e sua capacidade de evasão imunológica. Com base nas informações apresentadas, assinale a alternativa correta.
AO Treponema pallidum é uma bactéria Gram-positiva, com espessa camada de peptidoglicano e lipopolissacarídeo em sua membrana externa, o que explica sua alta antigenicidade e o fácil reconhecimento pelo sistema imune.
BA principal forma de transmissão da sífilis é o contato direto com lesões infectantes, sendo a transmissão vertical rara e restrita ao parto, sem risco transplacentário.
CO Treponema pallidum é uma espiroqueta microaerófila, de crescimento lento, dotada de motilidade conferida por endoflagelos periplásmicos, cuja estrutura e organização facilitam a invasão tecidual e a evasão imunológica.
DA infecção pelo Treponema pallidum confere imunidade parcial, dificultando novas reinfecções, e sua divisão celular ocorre a cada 3 horas, o que explica o rápido aparecimento dos sintomas.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — O Treponema pallidum é uma espiroqueta microaerófila, de crescimento lento, dotada de motilidade conferida por endoflagelos periplásmicos, cuja estrutura e organização facilitam a invasão tecidual e a evasão imunológica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Sífilis e Treponema pallidum
Gabarito: letra C. O Treponema pallidum é uma espiroqueta microaerófila, de crescimento lento, com motilidade conferida por endoflagelos periplásmicos — estrutura que facilita a invasão tecidual e a evasão imunológica. As demais alternativas erram ao classificá-lo como Gram-positivo, ao minimizar a transmissão vertical ou ao afirmar imunidade protetora e divisão rápida.
A sífilis é uma infecção bacteriana sistêmica, crônica e curável, causada exclusivamente pelo Treponema pallidum, uma bactéria do grupo das espiroquetas. Diferentemente das bactérias Gram-positivas, que possuem espessa camada de peptidoglicano, o T. pallidum é uma bactéria Gram-negativa, com membrana externa contendo lipopolissacarídeos, porém em quantidade reduzida e com estrutura química peculiar — o que diminui sua antigenicidade e dificulta o reconhecimento pelo sistema imune. Essa característica é central para sua capacidade de evasão imunológica.
A motilidade do treponema é conferida por endoflagelos periplásmicos, estruturas localizadas no espaço periplasmático (entre a membrana interna e a externa), que permitem movimento em meio viscoso e facilitam a penetração nos tecidos. O T. pallidum é microaerófilo, ou seja, cresce melhor em baixas concentrações de oxigênio, e possui crescimento lento, com tempo de divisão celular de aproximadamente 30 horas — o que explica o longo período de incubação da doença (10 a 90 dias, média de 21 dias) e a progressão crônica dos estágios clínicos.
A transmissão ocorre predominantemente por contato sexual com lesões infectantes, mas também pode ocorrer por via vertical (transplacentária, em qualquer fase gestacional) e, raramente, por transfusão sanguínea. A infecção não confere imunidade protetora: os anticorpos produzidos não protegem contra novas infecções, e a pessoa pode adquirir sífilis sempre que se expuser ao T. pallidum. O tratamento adequado promove a remissão dos sintomas, mas não impede reinfecções.
A banca explora justamente as características estruturais e imunológicas do T. pallidum, que são contraintuitivas para quem conhece apenas a classificação geral de bactérias. A pegadinha está em associar o treponema a características de bactérias Gram-positivas ou a uma imunidade protetora que não existe. Guarde a fronteira entre as características reais do T. pallidum e as que são distratoras: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Afirma que o T. pallidum é Gram-positivo, com espessa camada de peptidoglicano e lipopolissacarídeo na membrana externa. O erro é duplo: o treponema é Gram-negativo, e embora possua lipopolissacarídeo na membrana externa, sua quantidade é reduzida e sua estrutura é atípica, o que diminui a antigenicidade e dificulta o reconhecimento imunológico — exatamente o oposto do que a alternativa afirma. A confusão típica é classificar todas as espiroquetas como Gram-positivas, quando na verdade são Gram-negativas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a transmissão vertical é rara e restrita ao parto, sem risco transplacentário. A transmissão vertical é uma via importante e ocorre durante a gestação, através da placenta, em qualquer fase gestacional — podendo causar aborto, natimorto, parto pré-termo e sífilis congênita. O contato com lesões no canal de parto também pode transmitir, mas é menos frequente que a via transplacentária. A alternativa inverte a realidade: a via transplacentária é a principal forma de transmissão vertical.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente o T. pallidum como espiroqueta microaerófila, de crescimento lento, com motilidade por endoflagelos periplásmicos. Essas características estruturais e fisiológicas explicam sua capacidade de invadir tecidos (motilidade em meio viscoso) e de evadir o sistema imune (baixa antigenicidade, poucos antígenos de superfície expostos e variação antigênica). A alternativa espelha com precisão as características reais do patógeno.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a infecção confere imunidade parcial e que a divisão celular ocorre a cada 3 horas. Ambos os pontos são falsos: a infecção não confere imunidade protetora — a pessoa pode ser reinfectada sempre que se expor ao T. pallidum — e o tempo de divisão celular é de aproximadamente 30 horas, não 3 horas. O crescimento lento explica o longo período de incubação e a evolução crônica da doença, não o rápido aparecimento dos sintomas.