As doenças infecciosas continuam sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade em idosos, apesar dos avanços na medicina. Entre os fatores que aumentam a vulnerabilidade dessa população estão a imunossenescência, as comorbidades e a exposição a procedimentos invasivos durante internações hospitalares. Considerando essas informações, assinale a alternativa correta.
AAs infecções virais são as principais causas de hospitalização e morte entre idosos, com destaque para meningite meningocócica e infecção por Haemophilus influenzae.
BAs meningites em idosos são predominantemente causadas por Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae, agentes típicos dessa faixa etária.
CAs infecções respiratórias e urinárias estão entre as mais prevalentes em idosos, sendo agravadas pela maior exposição a procedimentos invasivos e pela presença de comorbidades como DPOC e diabetes melito.
DA incidência de ITU em idosos é menor que em adultos jovens, pois o sistema imune adaptativo é mais eficiente nessa faixa etária.
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GabaritoC — As infecções respiratórias e urinárias estão entre as mais prevalentes em idosos, sendo agravadas pela maior exposição a procedimentos invasivos e pela presença de comorbidades como DPOC e diabetes melito.
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Infecções em idosos: epidemiologia e vulnerabilidade
Gabarito: letra C. As infecções respiratórias e urinárias estão entre as mais prevalentes em idosos, agravadas por procedimentos invasivos e comorbidades como DPOC e diabetes melito — exatamente o que o enunciado aponta como fatores de vulnerabilidade (imunossenescência, comorbidades e exposição a procedimentos invasivos). As demais alternativas erram ao atribuir aos idosos agentes etiológicos típicos de outras faixas etárias ou ao inverter a epidemiologia da ITU.
O enunciado descreve um quadro clássico da geriatria: o idoso é mais vulnerável a infecções por três mecanismos principais. O primeiro é a imunossenescência — o envelhecimento do sistema imune, com declínio da imunidade celular e humoral, redução da resposta a novos antígenos e maior susceptibilidade a infecções. O segundo são as comorbidades — doenças crônicas como DPOC, diabetes melito, insuficiência cardíaca e doença renal crônica, que comprometem barreiras e mecanismos de defesa. O terceiro é a exposição a procedimentos invasivos durante internações — sondas vesicais, cateteres venosos, ventilação mecânica e dispositivos que rompem as barreiras naturais e facilitam a entrada de patógenos.
As infecções mais prevalentes nessa população são as do trato respiratório (pneumonia, exacerbação de DPOC, influenza) e do trato urinário (ITU). A pneumonia é a principal causa de morte por doença infecciosa no mundo, e a ITU é a infecção bacteriana mais comum em idosos, especialmente em mulheres e em pacientes institucionalizados ou com sondas. A sepse, frequentemente originada de pneumonia ou ITU, é uma das principais causas de mortalidade hospitalar, com 60 a 85% dos casos em pacientes com mais de 65 anos.
A banca explora aqui uma pegadinha recorrente: atribuir aos idosos agentes etiológicos de meningite que são típicos de crianças e adultos jovens. A meningite bacteriana em idosos é predominantemente causada por Streptococcus pneumoniae, Listeria monocytogenes e bacilos gram-negativos aeróbicos — não por Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae, que são agentes de crianças e adultos jovens. Da mesma forma, a alternativa D inverte completamente a epidemiologia da ITU: a incidência é maior em idosos, não menor, e o sistema imune adaptativo é menos eficiente, não mais.
Guarde o critério decisivo: a epidemiologia das infecções no idoso é dominada por pneumonia e ITU, com agentes bacterianos específicos da faixa etária (pneumococo, Listeria, gram-negativos) — é nesse contraste que as alternativas se dividem.
Infecções em idosos: Fatores de vulnerabilidade (Imunossenescência, Comorbidades (DPOC, diabetes), Procedimentos invasivos); Infecções mais prevalentes (Respiratórias (pneumonia), Urinárias (ITU)); Meningite no idoso (Streptococcus pneumoniae, Listeria monocytogenes, Bacilos gram-negativos, Não: meningococo/H. influenzae (crianças))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as infecções virais são as principais causas de hospitalização e morte entre idosos, citando meningite meningocócica e Haemophilus influenzae. Há dois erros: (1) as principais causas de hospitalização e morte por infecção em idosos são as bacterianas (pneumonia, ITU, sepse), não as virais — embora influenza e COVID-19 sejam relevantes, não superam as bacterianas em mortalidade; (2) meningite meningocócica e H. influenzae são agentes típicos de crianças e adultos jovens, não de idosos. A banca troca o perfil etiológico da faixa etária.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Repete o erro da alternativa A: afirma que as meningites em idosos são predominantemente causadas por Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae. Na verdade, em maiores de 50 anos, os agentes predominantes são Streptococcus pneumoniae, N. meningitidis, Listeria monocytogenes e bacilos gram-negativos aeróbicos. O H. influenzae é típico de crianças (2 meses a 2 anos), e o meningococo, de crianças e adultos jovens. A alternativa erra ao generalizar agentes de outras faixas etárias para o idoso.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que as infecções respiratórias e urinárias estão entre as mais prevalentes em idosos, agravadas por procedimentos invasivos e comorbidades como DPOC e diabetes melito. Isso está correto: pneumonia e ITU são as infecções mais comuns nessa população; a exposição a sondas, cateteres e ventilação mecânica aumenta o risco; e comorbidades como DPOC e diabetes comprometem a defesa do hospedeiro. A alternativa espelha exatamente os fatores de vulnerabilidade citados no enunciado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a incidência de ITU em idosos é menor que em adultos jovens, pois o sistema imune adaptativo é mais eficiente nessa faixa etária. É o oposto: a incidência de ITU é maior em idosos, devido à imunossenescência, à maior prevalência de comorbidades, à obstrução urinária (hiperplasia prostática, prolapso), à incontinência e ao uso de sondas. O sistema imune adaptativo é menos eficiente no idoso, não mais. A alternativa inverte a epidemiologia e a fisiologia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar os agentes etiológicos entre faixas etárias. Nesta questão, as alternativas A e B atribuem aos idosos Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae — agentes de crianças e adultos jovens — quando o correto para maiores de 50 anos é Streptococcus pneumoniae, Listeria monocytogenes e bacilos gram-negativos. E a alternativa D inverte a incidência da ITU. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões de infecções em idosos, memorize o tripé: (1) infecções mais prevalentes = respiratórias e urinárias; (2) agentes de meningite no idoso = pneumococo, Listeria, gram-negativos; (3) fatores de risco = imunossenescência, comorbidades, procedimentos invasivos. Se a alternativa citar meningococo ou H. influenzae como agentes principais do idoso, está errada.