Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Pneumologia — FUNDATEC 2025

MedicinaPneumologia
Código
qg469300
Banca
FUNDATEC
Órgão
FUNDATEC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Multiprofisisonal - Profissão: Biomedicina
As Doenças Pulmonares Parenquimatosas Difusas (DPPDs) constituem um grupo heterogêneo de doenças que afetam o parênquima pulmonar, e são caracterizadas por dispneia progressiva, infiltrado pulmonar difuso e comprometimento das trocas gasosas. O diagnóstico requer abordagem clínica, radiológica e laboratorial integrada. Sendo assim, assinale a alternativa correta.
  1. AAs provas de função pulmonar têm alto valor diagnóstico inicial e permitem distinguir as diferentes causas de DPPD, sendo dispensável a avaliação radiológica.
  2. BNa ausência de diagnóstico após avaliação clínica e laboratorial, é contraindicada a broncoscopia com lavado broncoalveolar, pois o exame apresenta alto risco e baixo rendimento diagnóstico.
  3. CEm casos de DPPD aguda (<4 semanas), mesmo em imunocompetentes, deve-se inicialmente excluir causas ambientais e autoimunes, já que infecções raramente são responsáveis.
  4. DA tomografia computadorizada de tórax de alta resolução é um exame complementar sensível, capaz de identificar padrões intersticiais típicos e orientar o local mais adequado para eventual biópsia pulmonar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A tomografia computadorizada de tórax de alta resolução é um exame complementar sensível, capaz de identificar padrões intersticiais típicos e orientar o local mais adequado para eventual biópsia pulmonar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doenças Pulmonares Parenquimatosas Difusas (DPPDs): diagnóstico

Gabarito: letra D. A tomografia computadorizada de tórax de alta resolução (TCAR) é um exame complementar sensível, capaz de identificar padrões intersticiais típicos e orientar o local mais adequado para eventual biópsia pulmonar — é exatamente o papel que a alternativa D descreve. As demais alternativas erram ao dispensar a radiologia, contraindicar a broncoscopia ou inverter a prioridade diagnóstica nas DPPDs agudas.

As DPPDs (também chamadas de doenças intersticiais pulmonares — DIPs) são um grupo heterogêneo de mais de 200 entidades que afetam o interstício pulmonar, os alvéolos e, frequentemente, as pequenas vias aéreas. O diagnóstico é um desafio clínico porque os sintomas — dispneia progressiva, tosse seca, infiltrado difuso — são comuns a muitas doenças, e o raciocínio exige uma abordagem integrada: história clínica detalhada (incluindo exposições ocupacionais, ambientais, medicamentosas e história familiar), exame físico, provas de função pulmonar, exames laboratoriais e, sobretudo, imagem de alta resolução.

A TCAR é o pilar da avaliação radiológica nas DPPDs. Diferentemente da radiografia simples, que pode ser normal em fases iniciais, a TCAR com cortes finos (1–2 mm) e reconstruções de alta resolução consegue caracterizar padrões intersticiais típicos — como vidro fosco, reticulação, favo de mel, nódulos centrolobulares, espessamento de septos interlobulares e consolidação — que apontam para grupos etiológicos específicos (fibrosantes, granulomatosas, eosinofílicas, etc.). Além disso, a distribuição das alterações (periférica, peribroncovascular, basal, apical) orienta o local de maior rendimento para a biópsia pulmonar cirúrgica ou transbrônquica, quando necessária. É por isso que a TCAR não só diagnostica, mas também guia a abordagem invasiva.

A broncoscopia com lavado broncoalveolar (LBA) é um procedimento fundamental na investigação das DPPDs, com baixo risco e alto rendimento diagnóstico em diversas situações. O LBA permite a análise celular (contagem diferencial de linfócitos, eosinófilos, neutrófilos, macrófagos), a pesquisa de agentes infecciosos (como Pneumocystis jirovecii, micobactérias, fungos), a identificação de hemorragia alveolar e até o diagnóstico de doenças como proteinose alveolar pulmonar (aspecto leitoso do líquido) e pneumonite de hipersensibilidade. Longe de ser contraindicada, a broncoscopia é indicada justamente quando a avaliação clínica e laboratorial não fecha o diagnóstico.

Nas DPPDs agudas (menos de 4 semanas), a principal preocupação é excluir causas infecciosas — pneumonia bacteriana, viral, fúngica, Pneumocystis — que são as causas mais comuns de infiltrado pulmonar agudo, mesmo em imunocompetentes. Causas ambientais e autoimunes também devem ser consideradas, mas não são a primeira hipótese. A alternativa C inverte essa prioridade, o que é um erro conceitual grave.

As provas de função pulmonar (espirometria, pletismografia, difusão de CO) são úteis para caracterizar o padrão funcional — tipicamente restritivo nas DPPDs, com redução da capacidade vital e da difusão — e para avaliar gravidade e resposta ao tratamento. No entanto, não têm valor diagnóstico inicial para distinguir as diferentes causas de DPPD, pois o padrão restritivo é comum a todas elas. A avaliação radiológica, especialmente a TCAR, é indispensável e não pode ser dispensada.

A pegadinha central desta questão é a inversão de papéis: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a função pulmonar é o exame inicial decisivo (quando é a TCAR), que a broncoscopia é arriscada e de baixo rendimento (quando é segura e de alto rendimento), e que nas DPPDs agudas as infecções são raras (quando são a causa mais comum). A alternativa D é a única que descreve corretamente o papel da TCAR.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que as provas de função pulmonar têm alto valor diagnóstico inicial e permitem distinguir as diferentes causas de DPPD, sendo dispensável a avaliação radiológica. Há dois erros: (1) as provas de função pulmonar mostram padrão restritivo, comum a todas as DPPDs, sem especificidade para distinguir as causas; (2) a avaliação radiológica, especialmente a TCAR, é indispensável e não pode ser dispensada — é ela que caracteriza os padrões intersticiais e orienta a biópsia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que, na ausência de diagnóstico após avaliação clínica e laboratorial, é contraindicada a broncoscopia com lavado broncoalveolar por apresentar alto risco e baixo rendimento diagnóstico. É o oposto: a broncoscopia com LBA é um procedimento seguro (baixo risco) e de alto rendimento diagnóstico, sendo indicada justamente quando a avaliação inicial não fecha o diagnóstico. O LBA permite análise celular, pesquisa de agentes infecciosos e diagnóstico de doenças como proteinose alveolar e hemorragia alveolar.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que, em casos de DPPD aguda (<4 semanas), mesmo em imunocompetentes, deve-se inicialmente excluir causas ambientais e autoimunes, já que infecções raramente são responsáveis. É o inverso: nas DPPDs agudas, as infecções (pneumonia bacteriana, viral, fúngica, Pneumocystis) são as causas mais comuns, mesmo em imunocompetentes, e devem ser a primeira hipótese a ser investigada. Causas ambientais e autoimunes são consideradas, mas não são a prioridade inicial.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A tomografia computadorizada de tórax de alta resolução é um exame complementar sensível, capaz de identificar padrões intersticiais típicos (vidro fosco, reticulação, favo de mel, nódulos centrolobulares) e orientar o local mais adequado para eventual biópsia pulmonar. É exatamente o papel da TCAR na investigação das DPPDs: caracterizar o padrão radiológico, sugerir grupos etiológicos e guiar a biópsia para a área de maior rendimento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte os papéis dos exames: faz parecer que a função pulmonar é o exame inicial decisivo (quando é a TCAR), que a broncoscopia é arriscada (quando é segura e de alto rendimento) e que nas DPPDs agudas as infecções são raras (quando são a causa mais comum). Fique atento: a TCAR é o pilar da avaliação radiológica e a broncoscopia com LBA é indicada justamente quando a avaliação inicial não fecha o diagnóstico.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar o papel de cada exame nas DPPDs, pense: TCAR = caracteriza o padrão e orienta a biópsia; função pulmonar = mostra restrição, mas não distingue causas; LBA = alto rendimento, seguro, indicado quando a avaliação inicial não fecha diagnóstico; DPPD aguda = pensar primeiro em infecção.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/qg469300