Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Nefrologia — FUNDATEC 2025

MedicinaNefrologia
Código
qg469301
Banca
FUNDATEC
Órgão
FUNDATEC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Multiprofisisonal - Profissão: Biomedicina
A Insuficiência Renal Aguda (IRA) é uma síndrome clínica caracterizada pela redução súbita da taxa de filtração glomerular e pelo acúmulo de escórias nitrogenadas, ocorrendo em um período de horas a poucos dias. A etiologia é variada e pode envolver alterações pré-renais, renais intrínsecas ou pós-renais. O diagnóstico baseia-se em parâmetros laboratoriais e clínicos, sendo os critérios RIFLE e AKIN atualmente utilizados para uniformizar a avaliação e o estadiamento da disfunção renal. Com base nas informações apresentadas, assinale a alternativa correta.
  1. AA IRA pré-renal é caracterizada por lesão direta das estruturas do néfron e não apresenta reversão, mesmo após a restauração da perfusão renal.
  2. BA IRA intrínseca representa a forma mais comum da síndrome, responsável por cerca de 60% dos casos, e resulta predominantemente de obstrução mecânica do trato urinário.
  3. CO sistema RIFLE classifica a IRA em dois níveis de disfunção renal e três níveis de desfecho clínico, baseando-se apenas no valor absoluto da creatinina sérica.
  4. DA IRA pós-renal ocorre devido à obstrução do fluxo urinário, sendo responsável por menos de 5% dos casos, e pode ser revertida com a desobstrução precoce.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A IRA pós-renal ocorre devido à obstrução do fluxo urinário, sendo responsável por menos de 5% dos casos, e pode ser revertida com a desobstrução precoce.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insuficiência Renal Aguda (IRA): classificação etiológica e critérios diagnósticos

Gabarito: letra D. A IRA pós-renal decorre de obstrução do fluxo urinário, corresponde a menos de 5% dos casos e é potencialmente reversível com a desobstrução precoce — exatamente o que a alternativa afirma. As demais alternativas erram ao descrever a IRA pré-renal como lesão direta irreversível, a intrínseca como a mais comum por obstrução, e o sistema RIFLE como tendo dois níveis de disfunção baseados apenas na creatinina.

A Insuficiência Renal Aguda (IRA) — também chamada de Lesão Renal Aguda (LRA) — é a deterioração súbita da função renal, manifestada em horas a poucos dias, com acúmulo de escórias nitrogenadas (azotemia), distúrbios eletrolíticos e, frequentemente, redução do débito urinário. A classificação etiológica divide a síndrome em três grandes grupos, conforme o mecanismo de produção: pré-renal (funcional, por hipoperfusão), renal intrínseca (orgânica, com lesão das estruturas do néfron) e pós-renal (obstrutiva, por obstrução do trato urinário). Essa divisão é fundamental porque orienta a conduta e o prognóstico: enquanto a pré-renal e a pós-renal são potencialmente reversíveis com a correção da causa, a intrínseca tem prognóstico mais reservado e depende da gravidade da lesão.

Na IRA pré-renal, os rins estão estruturalmente íntegros, mas há hipoperfusão renal por vasoconstrição da arteríola aferente, com queda da taxa de filtração glomerular (TFG). As causas incluem hipovolemia (hemorragias, queimaduras, perdas gastrointestinais), estados de baixo débito cardíaco (insuficiência cardíaca, arritmias, tamponamento) e situações com volume arterial efetivo diminuído (sepse, cirrose avançada, síndrome hepatorrenal). O ponto-chave é que, por haver integridade anatômica, a IRA pré-renal é rapidamente reversível se a causa for corrigida — daí a importância do diagnóstico precoce. Laboratorialmente, sugere-se FENa < 1% e relação ureia/creatinina > 40.

A IRA intrínseca (ou renal) envolve lesão direta das estruturas do néfron — glomérulos, túbulos, interstício ou vasos. A necrose tubular aguda (NTA) é a causa mais comum, frequentemente secundária a isquemia ou nefrotoxinas. Diferentemente do que afirma a alternativa B, a IRA intrínseca não resulta de obstrução mecânica do trato urinário — essa é a definição da IRA pós-renal. Além disso, a forma mais comum de IRA na comunidade é a pré-renal, não a intrínseca. A FENa > 2% sugere NTA, e a mortalidade varia de 30% a 80% conforme a gravidade.

A IRA pós-renal é causada por obstrução do fluxo urinário em qualquer nível — ureteres, bexiga ou uretra —, como em hipertrofia prostática, litíase, neoplasias pélvicas ou compressão extrínseca. É a forma menos comum, responsável por menos de 5% dos casos, e o prognóstico é bom se a obstrução for diagnosticada e tratada precocemente, com recuperação da função renal após a desobstrução. A ultrassonografia com Doppler é útil na avaliação, podendo evidenciar hidronefrose.

Quanto aos sistemas de classificação e estadiamento, o RIFLE e o AKIN foram desenvolvidos para uniformizar o diagnóstico e a gravidade da IRA. O sistema RIFLE (Risk, Injury, Failure, Loss, End-stage) classifica a disfunção renal em três níveis de gravidade (Risk, Injury, Failure) e dois níveis de desfecho clínico (Loss, End-stage), baseando-se em critérios de creatinina sérica e débito urinário — não apenas no valor absoluto da creatinina, como afirma a alternativa C. O AKIN (Acute Kidney Injury Network) também utiliza creatinina e débito urinário, com três estágios. Atualmente, o guideline KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) é o mais utilizado, integrando os critérios anteriores.

A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos entre os tipos de IRA: a banca troca as características da pré-renal (reversível, sem lesão estrutural) pela da intrínseca (lesão direta), e atribui à intrínseca a obstrução mecânica, que é própria da pós-renal. Além disso, distorce o sistema RIFLE ao afirmar dois níveis de disfunção e base exclusiva na creatinina. Guarde a tríade: pré-renal = hipoperfusão reversível; intrínseca = lesão do néfron; pós-renal = obstrução reversível com desobstrução — é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Tipo de IRA

Mecanismo

Prevalência

Reversibilidade

Pré-renal

Hipoperfusão renal (rins estruturalmente íntegros)

Forma mais comum

Reversível com restauração da perfusão

Intrínseca (renal)

Lesão direta do néfron (ex.: NTA por isquemia/nefrotoxinas)

Menos comum que a pré-renal

Prognóstico mais reservado, depende da gravidade

Pós-renal

Obstrução do fluxo urinário (ureteres, bexiga, uretra)

Menos de 5% dos casos

Reversível com desobstrução precoce

Alternativa A — ❌ Incorreta

A IRA pré-renal é caracterizada por hipoperfusão renal com integridade estrutural dos rins, não por lesão direta das estruturas do néfron — essa é a definição da IRA intrínseca. Além disso, a pré-renal é rapidamente reversível com a restauração da perfusão renal, contrariando a afirmação de que "não apresenta reversão". O erro é duplo: troca o mecanismo (hipoperfusão por lesão direta) e o prognóstico (reversível por irreversível).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A IRA intrínseca não é a forma mais comum da síndrome — a IRA pré-renal é a mais frequente, especialmente em ambiente comunitário. Além disso, a intrínseca resulta de lesão direta das estruturas do néfron (como necrose tubular aguda por isquemia ou nefrotoxinas), e não de obstrução mecânica do trato urinário, que é a causa da IRA pós-renal. A alternativa inverte completamente os conceitos: atribui à intrínseca a etiologia obstrutiva da pós-renal e ainda erra a prevalência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O sistema RIFLE classifica a IRA em três níveis de disfunção renal (Risk, Injury, Failure) e dois níveis de desfecho clínico (Loss, End-stage), não o contrário como afirma a alternativa. Além disso, baseia-se em critérios de creatinina sérica E débito urinário, não apenas no valor absoluto da creatinina. A alternativa inverte os números de níveis e restringe indevidamente os critérios diagnósticos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A IRA pós-renal ocorre devido à obstrução do fluxo urinário em qualquer nível do trato urinário (ureteres, bexiga, uretra), sendo responsável por menos de 5% dos casos — a forma menos comum da síndrome. O ponto decisivo é a reversibilidade: se a obstrução for diagnosticada e tratada precocemente, a função renal pode ser recuperada após a desobstrução. A alternativa espelha corretamente a definição, a prevalência e o prognóstico da IRA pós-renal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter as características entre os tipos de IRA. Nesta questão, ela trocou a pré-renal (hipoperfusão reversível) pela intrínseca (lesão direta), atribuiu à intrínseca a obstrução da pós-renal, e distorceu o RIFLE. Para não cair, memorize a tríade: pré-renal = hipoperfusão, reversível; intrínseca = lesão do néfron; pós-renal = obstrução, reversível com desobstrução. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para fixar a classificação etiológica da IRA, monte uma tabela mental com três colunas — tipo, mecanismo e reversibilidade. Na prova, leia a alternativa e pergunte: "isso descreve qual tipo?" Se a descrição não bater com o rótulo, está errada. Essa questão é um exemplo clássico de como a banca testa se você domina as definições, não apenas decora nomes.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/qg469301