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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg469305
Banca
FUNDATEC
Órgão
FUNDATEC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Multiprofisisonal - Profissão: Biomedicina
Um paciente idoso de 73 anos apresenta tremores em repouso, rigidez muscular e lentidão de movimentos progressiva nos últimos 2 anos. A tomografia revela alterações na substância negra. Considerando as caraterísticas da doença de Parkinson, uma condição neurodegenerativa comum na geriatria, analise as assertivas a seguir:I. Trata-se de um processo inflamatório agudo com destruição das fibras motoras periféricas.II. Há degeneração seletiva dos neurônios dopaminérgicos da substância negra pars compacta, reduzindo os níveis de dopamina no corpo estriado.III. Envolve falência da neurotransmissão serotoninérgica do hipotálamo, afetando o tônus muscular.IV. É causada por um distúrbio autoimune que ataca a acetilcolina nos receptores nicotínicos da medula espinhal.Quais estão corretas?
  1. AApenas II.
  2. BApenas IV.
  3. CApenas I e III.
  4. DApenas I, II e IV.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Apenas II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença de Parkinson: fisiopatologia e diagnóstico

Gabarito: letra A (Apenas II). A doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa crônica e progressiva, caracterizada pela degeneração seletiva dos neurônios dopaminérgicos da substância negra pars compacta, com consequente redução da dopamina no corpo estriado — exatamente o que afirma a assertiva II. As demais assertivas descrevem mecanismos de outras doenças (inflamação aguda com destruição de fibras motoras periféricas, falência serotoninérgica hipotalâmica e distúrbio autoimune contra receptores nicotínicos), que não correspondem à fisiopatologia da DP.

A doença de Parkinson é a forma mais comum de parkinsonismo, representando cerca de 80% dos casos. O parkinsonismo é uma síndrome clínica caracterizada por bradicinesia, rigidez muscular, tremor de repouso e instabilidade postural. Na DP, o processo neurodegenerativo afeta preferencialmente a via nigroestriatal: os neurônios dopaminérgicos da substância negra pars compacta projetam-se para o corpo estriado (caudado e putâmen), onde a dopamina modula o movimento. A degeneração desses neurônios leva à depleção de dopamina estriatal, que é o substrato fisiopatológico central dos sintomas motores.

O diagnóstico da DP é essencialmente clínico, baseado na presença de bradicinesia (sintoma cardinal) associada a pelo menos um dos seguintes: tremor de repouso, rigidez ou instabilidade postural. O tremor característico é distal, de repouso, na frequência de 3 a 6 Hz, geralmente unilateral no início. A rigidez é percebida como resistência passiva ao movimento, podendo apresentar o sinal da "roda denteada". Exames de imagem, como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética, são úteis principalmente para afastar causas secundárias de parkinsonismo (como hidrocefalia de pressão normal, parkinsonismo vascular ou atrofia de múltiplos sistemas), mas não confirmam o diagnóstico de DP. A SPECT com traçadores para o transportador de dopamina (TRODAT) pode auxiliar em casos de dúvida diagnóstica, como na distinção entre tremor essencial e parkinsonismo.

A banca explora aqui a confusão entre a fisiopatologia da DP e a de outras doenças neurológicas. A assertiva I descreve um processo inflamatório agudo com destruição de fibras motoras periféricas — isso se assemelha mais à polirradiculoneuropatia inflamatória aguda (síndrome de Guillain-Barré), que é uma doença desmielinizante aguda do sistema nervoso periférico, não uma doença neurodegenerativa crônica. A assertiva III menciona falência serotoninérgica hipotalâmica — a serotonina está mais relacionada a transtornos de humor e à regulação do apetite/sono, não ao tônus muscular; o sistema envolvido na DP é o dopaminérgico nigroestriatal. A assertiva IV descreve um distúrbio autoimune contra receptores nicotínicos de acetilcolina na medula espinhal — isso se aproxima da miastenia gravis, que é uma doença autoimune que ataca os receptores de acetilcolina na junção neuromuscular (não na medula espinhal), causando fraqueza muscular flutuante, não rigidez e tremor.

Guarde a distinção central: a DP é uma doença neurodegenerativa crônica com degeneração dopaminérgica nigroestriatal, enquanto as outras assertivas descrevem mecanismos de doenças inflamatórias agudas, serotoninérgicas ou autoimunes — é exatamente essa fronteira que separa as alternativas.

1Fisiopatologia
Degeneração dopaminérgica nigroestriatal
Redução de dopamina no corpo estriado
2Sintomas cardinais
Bradicinesia
Rigidez (roda denteada)
Tremor de repouso (3–6 Hz)
Instabilidade postural
3Diagnóstico
Clínico
Imagem afasta causas secundárias
4Distinções
Guillain-Barré: inflamação aguda periférica
Miastenia gravis: autoimune, junção neuromuscular
Doença de Parkinson
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Doença de Parkinson: Fisiopatologia (Degeneração dopaminérgica nigroestriatal, Redução de dopamina no corpo estriado); Sintomas cardinais (Bradicinesia, Rigidez (roda denteada), Tremor de repouso (3–6 Hz), Instabilidade postural); Diagnóstico (Clínico, Imagem afasta causas secundárias); Distinções (Guillain-Barré: inflamação aguda periférica, Miastenia gravis: autoimune, junção neuromuscular)

Item I — ❌ Incorreto

A assertiva I afirma que a DP é um "processo inflamatório agudo com destruição das fibras motoras periféricas". Isso está duplamente errado: (1) a DP é uma doença neurodegenerativa crônica e progressiva, não um processo inflamatório agudo; (2) a degeneração ocorre nos neurônios dopaminérgicos da substância negra (sistema nervoso central), não nas fibras motoras periféricas. A descrição de inflamação aguda com comprometimento de fibras periféricas lembra mais a síndrome de Guillain-Barré (polirradiculoneuropatia inflamatória aguda), que cursa com fraqueza ascendente e arreflexia, não com tremor de repouso e rigidez.

Item II — ✅ Correto ⟵ GABARITO

A assertiva II descreve com precisão a fisiopatologia da DP: "degeneração seletiva dos neurônios dopaminérgicos da substância negra pars compacta, reduzindo os níveis de dopamina no corpo estriado". Essa é a via nigroestriatal, cuja degeneração é o marco patológico da doença. A depleção de dopamina estriatal é responsável pelos sintomas motores cardinais: bradicinesia, rigidez, tremor de repouso e, em fases avançadas, instabilidade postural. A resposta à levodopa (precursora da dopamina) confirma a importância dessa via na gênese dos sintomas.

Item III — ❌ Incorreto

A assertiva III afirma que a DP envolve "falência da neurotransmissão serotoninérgica do hipotálamo, afetando o tônus muscular". O erro está na via neurotransmissora: a DP é uma doença do sistema dopaminérgico nigroestriatal, não serotoninérgico hipotalâmico. A serotonina está envolvida na regulação do humor, apetite e sono, e sua disfunção está mais associada à depressão e a outros transtornos psiquiátricos. O tônus muscular na DP é afetado pela falta de dopamina no estriado, que desregula o circuito motor dos gânglios da base, resultando em rigidez — não por falência serotoninérgica hipotalâmica.

Item IV — ❌ Incorreto

A assertiva IV descreve a DP como "distúrbio autoimune que ataca a acetilcolina nos receptores nicotínicos da medula espinhal". Isso não corresponde à DP, que é uma doença neurodegenerativa, não autoimune. A descrição se aproxima da miastenia gravis, doença autoimune que produz anticorpos contra os receptores de acetilcolina na junção neuromuscular (placa motora), causando fraqueza muscular flutuante e fatigabilidade — não rigidez, tremor ou bradicinesia. Além disso, na miastenia o ataque é na junção neuromuscular, não na medula espinhal.

Conclusão: apenas a assertiva II está correta. Portanto, o gabarito é a letra A.

Gabarito: letra A

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