Questão de Nutrição — Nutrição e Saúde Pública — FUNDATEC 2025
- Código
- qg469570
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- FUNDATEC
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Residência Multiprofisisonal - Profissão: Nutrição
- AApenas I.
- BApenas III.
- CApenas I e II.
- DApenas II e III.
GabaritoB — Apenas III.
Gabarito: letra B — apenas a assertiva III está incorreta. As vacinas contra influenza e tríplice viral (SCR) podem ser administradas em alérgicos a ovo, inclusive naqueles com histórico de anafilaxia, desde que em ambiente adequado e com observação prolongada; já a vacina contra febre amarela é contraindicada em casos de alergia grave a ovo, pois é cultivada em ovo embrionado e contém proteína do ovo em quantidade relevante. A assertiva III inverte exatamente essa lógica, afirmando que a vacina de febre amarela teria menor conteúdo proteico e induziria menos reações — o oposto do que preconizam o Ministério da Saúde e as sociedades científicas.
A alergia a ovo é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, e a preocupação com a vacinação decorre do fato de algumas vacinas serem produzidas em ovos embrionados de galinha, podendo conter resíduos de proteína do ovo (principalmente ovalbumina). Historicamente, havia receio de que essas vacinas desencadeassem reações alérgicas graves em indivíduos sensibilizados. No entanto, o conhecimento científico atual e as recomendações oficiais evoluíram: para a maioria das vacinas cultivadas em ovo, o risco de reação alérgica grave é extremamente baixo, e os benefícios da imunização superam em muito os riscos.
A vacina contra influenza (gripe) é produzida em ovos embrionados, mas o processo de purificação reduz drasticamente o conteúdo de proteína do ovo. Estudos robustos demonstraram que mesmo pessoas com alergia grave a ovo, incluindo aquelas com histórico de anafilaxia, podem receber a vacina contra influenza com segurança, desde que a vacinação ocorra em ambiente com recursos para tratamento de reações alérgicas (como serviços de saúde com suporte de emergência) e que a pessoa permaneça em observação por um período adequado (geralmente 30 minutos). A vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola — SCR) também é cultivada em fibroblastos de embrião de galinha, mas o conteúdo de proteína do ovo é mínimo, e a alergia a ovo não é contraindicação para sua administração. Mesmo reações anafiláticas prévias a ovo não contraindicam a SCR, pois a quantidade de ovalbumina presente é insuficiente para desencadear reações na grande maioria dos casos.
Já a vacina contra febre amarela é a exceção: ela é produzida em ovos embrionados de galinha e contém uma quantidade maior de proteína do ovo em comparação com as vacinas contra influenza e SCR. Por isso, a alergia grave a ovo (anafilaxia) é considerada contraindicação formal para a vacina contra febre amarela. Essa contraindicação está descrita no Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) e nas recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em casos de alergia não grave (como urticária leve), a vacina pode ser administrada com cautela, mas a alergia grave contraindica. A assertiva III afirma exatamente o contrário: que a vacina contra febre amarela, por ter menor conteúdo proteico, induziria menos reações em alérgicos graves — isso é falso, pois é justamente a vacina com maior risco e contraindicação nesse grupo.
A pegadinha da questão está na inversão do raciocínio: o candidato pode pensar que, por ser uma vacina de vírus atenuado, a febre amarela teria menos proteína do ovo, mas na prática é o oposto. A banca explora a confusão entre as vacinas cultivadas em ovo e o risco real de reação alérgica. Guarde a regra: influenza e SCR podem ser dadas a alérgicos a ovo (mesmo anafiláticos, com precauções); febre amarela é contraindicada em alergia grave a ovo.
Vacina | Cultivada em ovo? | Pode ser administrada em alérgicos a ovo? | Alergia grave (anafilaxia) contraindica? |
|---|---|---|---|
Influenza (gripe) | Sim | Sim, com precauções | Não (pode, com observação prolongada) |
Tríplice viral (SCR) | Sim | Sim, com precauções | Não (pode, com observação prolongada) |
Febre amarela | Sim | Não, em casos de alergia grave | Sim (contraindicação formal) |
A assertiva I está correta. As vacinas contra influenza e tríplice viral (SCR) são cultivadas em ovos embrionados de galinha, mas podem ser oferecidas a alérgicos a ovo. O conteúdo residual de proteína do ovo é baixo, e o risco de reação alérgica grave é mínimo. As recomendações atuais do Ministério da Saúde e das sociedades científicas (SBP, SBIm) não consideram a alergia a ovo uma contraindicação para essas vacinas, mesmo em casos de anafilaxia prévia, desde que a vacinação seja feita em ambiente adequado e com observação prolongada.
A assertiva II está correta. Pessoas com histórico de anafilaxia (reação alérgica grave) podem receber as vacinas contra influenza e tríplice viral (SCR). A anafilaxia a ovo não contraindica essas vacinas, pois a quantidade de proteína do ovo presente é insuficiente para desencadear reações na grande maioria dos casos. A vacinação deve ser realizada em serviço de saúde com recursos para tratamento de emergência, e a pessoa deve permanecer em observação por pelo menos 30 minutos após a aplicação.
A assertiva III está incorreta. A vacina contra febre amarela é produzida em ovos embrionados de galinha e contém uma quantidade maior de proteína do ovo em comparação com as vacinas contra influenza e SCR. Por isso, a alergia grave a ovo (anafilaxia) é contraindicação formal para essa vacina. A assertiva inverte a lógica ao afirmar que a vacina contra febre amarela teria menor conteúdo proteico e induziria menos reações em alérgicos graves — na verdade, é a vacina com maior risco e contraindicação nesse grupo. A alergia não grave (como urticária leve) pode permitir a vacinação com cautela, mas a alergia grave contraindica.
Gabarito: letra B — apenas a assertiva III está incorreta.
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