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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FUNDATEC 2025

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
qg470916
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Cirurgia da Mão)
Sobre o Complexo Fibrocartilagem Triangular (CFCT), assinale a alternativa correta.
  1. AA vascularização é predominantemente central, o que favorece o reparo cirúrgico em lesões centrais do CFCT.
  2. BO CFCT é estabilizador secundário da articulação radioulnar distal.
  3. CIndicação de intervenção cirúrgica inclui dor do lado ulnar sem melhora com manejo conservador por 3 meses, especialmente na presença de instabilidade sintomática da ARUD.
  4. DNa classificação de Palmer, o tipo 1 A refere-se a uma lesão degenerativa com perfuração central.
  5. EO hook test, descrito por Atzei, é realizado durante a artroscopia do punho com o objetivo de avaliar uma lesão periférica do CFCT.
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GabaritoC — Indicação de intervenção cirúrgica inclui dor do lado ulnar sem melhora com manejo conservador por 3 meses, especialmente na presença de instabilidade sintomática da ARUD.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Complexo Fibrocartilagem Triangular (CFCT) do punho

Gabarito: letra C. A indicação cirúrgica no CFCT inclui dor ulnar persistente após 3 meses de tratamento conservador, especialmente com instabilidade sintomática da articulação radioulnar distal (ARUD) — exatamente o que a alternativa C afirma. As demais alternativas contêm erros conceituais: a vascularização do CFCT é predominantemente periférica (não central), ele é estabilizador primário (não secundário) da ARUD, o tipo 1A de Palmer é traumático (não degenerativo) e o hook test avalia lesão central (não periférica).

O CFCT é uma estrutura fibrocartilaginosa em forma de "C" localizada no lado ulnar do punho, entre a cabeça da ulna e os ossos do carpo. Ele desempenha um papel fundamental na estabilidade e na transmissão de cargas através da articulação radioulnar distal (ARUD) e da articulação ulnocarpal. Anatomicamente, o CFCT é composto por várias estruturas: o disco articular (que separa a ulna do carpo), os ligamentos radioulnar dorsal e volar (que estabilizam a ARUD), o menisco homólogo, o ligamento ulnolunar e o ligamento ulnotriquetral. Essa complexidade anatômica explica por que lesões no CFCT podem causar dor ulnar significativa e instabilidade.

A vascularização do CFCT é um ponto crucial para o tratamento. Estudos anatômicos demonstram que a vascularização é predominantemente periférica, vinda da artéria interóssea anterior e do ramo dorsal da artéria ulnar. A porção central do disco articular é avascular ou hipovascular. Essa característica tem implicações clínicas diretas: lesões na periferia do CFCT têm maior potencial de cicatrização e podem ser reparadas cirurgicamente, enquanto lesões centrais, por serem avasculares, têm baixo potencial de reparo e geralmente são tratadas com desbridamento (remoção do tecido lesado) em vez de sutura. Essa é a base para a alternativa A estar incorreta.

O CFCT é considerado o estabilizador primário da articulação radioulnar distal. Ele é o principal responsável por manter a ulna e o rádio alinhados durante a pronação e supinação do antebraço. Os estabilizadores secundários incluem o músculo pronador quadrado, o extensor ulnar do carpo e a cápsula articular. A distinção entre estabilizador primário e secundário é fundamental para entender a biomecânica do punho e as consequências das lesões do CFCT. Quando o CFCT é lesado, a ARUD pode se tornar instável, levando a dor, crepitação e perda de função.

A classificação de Palmer é amplamente utilizada para categorizar as lesões do CFCT. Ela divide as lesões em dois grandes grupos: traumáticas (Tipo 1) e degenerativas (Tipo 2). O Tipo 1 é subdividido em 1A (perfuração central do disco), 1B (avulsão da inserção ulnar), 1C (avulsão da inserção distal no carpo) e 1D (avulsão da inserção radial). O Tipo 2 é subdividido em 2A a 2E, dependendo da progressão da doença degenerativa, que geralmente está associada ao conflito ulnocarpal (ulnar impaction syndrome). A alternativa D erra ao classificar o tipo 1A como degenerativo, quando na verdade é traumático.

O diagnóstico das lesões do CFCT envolve exame físico detalhado, incluindo testes específicos como o teste do fovea, o teste de estresse da ARUD e o hook test. O hook test, descrito por Atzei, é realizado durante a artroscopia do punho e consiste em tracionar o CFCT com uma pinça para avaliar a integridade da inserção periférica (na fóvea da ulna). No entanto, a alternativa E afirma que o hook test avalia uma lesão periférica, o que está incorreto — ele avalia a inserção central do CFCT na fóvea. Essa confusão entre central e periférico é uma pegadinha clássica da banca.

O tratamento das lesões do CFCT depende do tipo e da localização da lesão. O tratamento conservador, com imobilização, fisioterapia e anti-inflamatórios, é a primeira linha para a maioria dos casos. A cirurgia é indicada quando há falha do tratamento conservador após um período de 3 a 6 meses, especialmente na presença de instabilidade sintomática da ARUD. As opções cirúrgicas incluem reparo artroscópico (para lesões periféricas), desbridamento (para lesões centrais) e reconstrução ligamentar (para casos de instabilidade crônica). A alternativa C reflete corretamente essa indicação cirúrgica.

A pegadinha central desta questão é a inversão dos conceitos de "central" e "periférico" em relação à vascularização, ao reparo cirúrgico e ao hook test. A banca explora a confusão entre essas localizações anatômicas para induzir o candidato ao erro. Além disso, a classificação de Palmer é um ponto de memorização importante, e a banca troca o tipo traumático pelo degenerativo.

CFCT (Complexo Fibrocartilagem Triangular)
  • 1Vascularização
    • Periférica (artéria interóssea anterior e ulnar)
    • Central avascular
  • 2Estabilizador da ARUD
    • Primário (CFCT)
    • Secundários (pronador quadrado, ECU, cápsula)
  • 3Classificação de Palmer
    • Tipo 1 (traumático)
      • 1A: perfuração central
      • 1B: avulsão ulnar
      • 1C: avulsão carpal
      • 1D: avulsão radial
    • Tipo 2 (degenerativo)
      • 2A a 2E (conflito ulnocarpal)
  • 4Hook test (Atzei)
    • Avalia inserção central na fóvea
  • 5Tratamento
    • Conservador (imobilização, fisioterapia)
    • Cirúrgico (falha após 3-6 meses, instabilidade ARUD)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A vascularização do CFCT é predominantemente periférica, não central. A porção central do disco articular é avascular, o que dificulta o reparo cirúrgico de lesões centrais. Lesões periféricas, por serem vascularizadas, têm melhor potencial de cicatrização e são mais favoráveis ao reparo cirúrgico. A alternativa inverte essa relação, afirmando que a vascularização central favorece o reparo de lesões centrais — o oposto do que ocorre na prática clínica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O CFCT é o estabilizador primário da articulação radioulnar distal, não secundário. Ele é a principal estrutura que mantém a estabilidade da ARUD durante os movimentos de pronação e supinação. Os estabilizadores secundários incluem o pronador quadrado, o extensor ulnar do carpo e a cápsula articular. A alternativa rebaixa o CFCT a um papel secundário, o que contraria a anatomia funcional do punho.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa C está correta ao afirmar que a indicação de intervenção cirúrgica inclui dor ulnar sem melhora com manejo conservador por 3 meses, especialmente na presença de instabilidade sintomática da ARUD. Esse é o consenso na literatura ortopédica: o tratamento conservador é tentado inicialmente, e a cirurgia é considerada quando há falha após um período de 3 a 6 meses, particularmente se houver instabilidade da ARUD. A alternativa espelha corretamente essa diretriz clínica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Na classificação de Palmer, o tipo 1A refere-se a uma lesão traumática com perfuração central do disco, não degenerativa. As lesões degenerativas são classificadas como Tipo 2. A alternativa confunde os dois grupos principais da classificação, trocando o caráter traumático pelo degenerativo. Essa é uma pegadinha clássica de memorização da classificação de Palmer.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O hook test, descrito por Atzei, é realizado durante a artroscopia do punho para avaliar a inserção central do CFCT na fóvea da ulna, não uma lesão periférica. O teste consiste em tracionar o CFCT com uma pinça artroscópica para verificar sua estabilidade na fóvea. A alternativa troca a localização da lesão avaliada, afirmando que é periférica quando na verdade é central. Essa inversão é uma armadilha comum da banca.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter os conceitos de "central" e "periférico" em relação ao CFCT. Nesta questão, ela faz isso em três alternativas: na A (vascularização), na E (hook test) e, indiretamente, na D (classificação de Palmer). Fique atento: a vascularização é periférica, o hook test avalia a inserção central, e o tipo 1A de Palmer é traumático. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar a classificação de Palmer, lembre-se: Tipo 1 = Trauma (1A central, 1B ulnar, 1C carpal, 1D radial) e Tipo 2 = Degeneração (progressão do conflito ulnocarpal). Associe o número 1 a "trauma" e o 2 a "degeneração" — assim você não confunde na prova.

Gabarito: letra C

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