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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg470940
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Cirurgia de Cabeça e Pescoço)
Paciente do sexo feminino, 59 anos, foi submetida à paratireoidectomia focalizada por hiperparatireoidismo primário. Procedimento transcorreu sem intercorrências. Retorna em consulta ambulatorial no primeiro mês de seguimento pós-operatório. No momento, paciente nega sintomas e está fazendo uso via oral de carbonato de cálcio (2.500 mg ao dia) e calcitriol (0,75 mcg ao dia). Traz consigo os seguintes exames laboratoriais de controle: cálcio total 8,7 mg/dL (referência: 8,6-10,2 mg/dL), PTH 112 pg/mL (referência: 15-65 pg/mL), fósforo 2,7 mg/dL (referência: 2,7-4,5 mg/dL), fosfatase alcalina 125 U/L (referência: 35-104 U/L), vitamina D 31 ng/mL (referência: 30-60 ng/mL), creatinina 0,7 mg/dL (referência: 0,5-0,9 mg/dL). Considerando o caso apresentado, assinale a alternativa que indica a melhor conduta a ser tomada nesse momento.
  1. ASolicitação de nova ultrassonografia cervical ou cintilografia de paratireoide.
  2. BIndicação de reexploração cervical, sem necessidade de novos exames.
  3. CObservação clínica com novo controle laboratorial em 2 meses.
  4. DInvestigação de presença de paratireoide ectópica em tórax.
  5. ESuspensão de reposições orais de cálcio e calcitriol e introdução colecalciferol.
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GabaritoC — Observação clínica com novo controle laboratorial em 2 meses.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Seguimento pós-operatório de paratireoidectomia: interpretação laboratorial e conduta

Gabarito: letra C. A paciente apresenta PTH elevado (112 pg/mL) com cálcio total normal (8,7 mg/dL) no primeiro mês após paratireoidectomia focalizada por hiperparatireoidismo primário — quadro compatível com hiperparatireoidismo secundário à depleção de cálcio e vitamina D, e não com doença persistente. A conduta correta é a observação clínica com novo controle laboratorial em 2 meses, mantendo a suplementação de cálcio e calcitriol, pois a elevação do PTH nesse contexto é esperada e tende a regredir com a correção dos níveis de cálcio e vitamina D.

O hiperparatireoidismo primário é caracterizado por hipercalcemia com PTH elevado ou inapropriadamente normal, geralmente causado por adenoma ou hiperplasia das paratireoides. A paratireoidectomia focalizada é o tratamento curativo, e o sucesso cirúrgico é definido pela normalização do cálcio sérico. No pós-operatório imediato, é comum a queda do cálcio, que pode ser acentuada em pacientes com doença óssea grave, levando à síndrome da fome óssea — condição em que o osso em remodelação capta cálcio e fósforo rapidamente, causando hipocalcemia prolongada. Por isso, a suplementação profilática com cálcio e calcitriol é rotina após a cirurgia, especialmente quando há doença óssea significativa.

No caso apresentado, a paciente está em uso de carbonato de cálcio (2.500 mg/dia) e calcitriol (0,75 mcg/dia), e os exames mostram cálcio total normal (8,7 mg/dL), fósforo no limite inferior (2,7 mg/dL), fosfatase alcalina discretamente elevada (125 U/L) e vitamina D no limite inferior (31 ng/mL). O PTH elevado (112 pg/mL) com cálcio normal é a chave do raciocínio: em vez de indicar doença persistente (que cursaria com hipercalcemia), sugere hiperparatireoidismo secundário à hipocalcemia relativa ou à deficiência de vitamina D. A fosfatase alcalina elevada reflete o turnover ósseo aumentado, que pode persistir por meses após a cirurgia, e a vitamina D no limite inferior contribui para a elevação do PTH.

A conduta correta, portanto, é manter a suplementação e reavaliar em 2 meses, pois a tendência é a normalização progressiva do PTH à medida que o cálcio e a vitamina D se estabilizam. A reexploração cirúrgica ou a investigação de paratireoide ectópica só se justificam se houver hipercalcemia persistente com PTH elevado, o que não ocorre aqui. A suspensão das reposições seria inadequada, pois a paciente ainda depende delas para manter a normocalcemia. A introdução de colecalciferol pode ser considerada, mas não substitui a conduta de observação e reavaliação laboratorial.

A pegadinha desta questão está em interpretar o PTH elevado como sinal de doença persistente, quando na verdade ele é secundário à depleção de cálcio e vitamina D. O candidato deve lembrar que, no pós-operatório de paratireoidectomia, o PTH elevado com cálcio normal ou baixo indica hiperparatireoidismo secundário, e não recidiva. A distinção entre doença persistente (hipercalcemia + PTH elevado) e hiperparatireoidismo secundário (cálcio normal/baixo + PTH elevado) é o critério decisivo que separa as alternativas.

PTH elevado pós-paratireoidectomia
  • 1Cálcio normal/baixo
    • Hiperparatireoidismo secundário
      • Depleção de cálcio/vitamina D
      • Conduta: observação e reavaliação
  • 2Cálcio alto
    • Doença persistente
      • Conduta: reexploração ou ectopia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A solicitação de nova ultrassonografia cervical ou cintilografia de paratireoide seria indicada se houvesse suspeita de doença persistente, ou seja, hipercalcemia com PTH elevado. No caso, o cálcio está normal, o que afasta a persistência do hiperparatireoidismo primário. A imagem não é útil para avaliar hiperparatireoidismo secundário, que é a hipótese mais provável.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A reexploração cervical sem novos exames é uma conduta agressiva e prematura. Ela só seria considerada se houvesse evidência clara de doença persistente (hipercalcemia + PTH elevado), o que não é o caso. Além disso, a reexploração sem exames de localização prévios é contraindicada, pois aumenta o risco de complicações e falha cirúrgica.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A observação clínica com novo controle laboratorial em 2 meses é a conduta adequada. O PTH elevado com cálcio normal indica hiperparatireoidismo secundário à depleção de cálcio e vitamina D, que tende a regredir com a manutenção da suplementação. A reavaliação em 2 meses permite verificar a tendência de normalização do PTH e ajustar a terapia se necessário.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A investigação de paratireoide ectópica em tórax seria indicada se houvesse hipercalcemia persistente com PTH elevado após paratireoidectomia, sugerindo adenoma ectópico não ressecado. No caso, o cálcio está normal, afastando essa hipótese. A ectopia é uma causa de doença persistente, não de hiperparatireoidismo secundário.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A suspensão das reposições orais de cálcio e calcitriol seria perigosa, pois a paciente ainda depende delas para manter a normocalcemia. A introdução de colecalciferol pode ser benéfica para corrigir a deficiência de vitamina D, mas não deve substituir a suplementação de cálcio e calcitriol neste momento. A conduta correta é manter as reposições e reavaliar.

Gabarito: letra C — observação clínica com novo controle laboratorial em 2 meses, mantendo a suplementação de cálcio e calcitriol.

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