Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Epidemiologia
Código
qg470946
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Clínica Médica)
Acerca dos desenhos de estudos epidemiológicos, assinale a alternativa correta.
ANo estudo de coorte, os indivíduos são escolhidos de acordo com a presença ou ausência do desfecho e acompanhados ao longo do tempo.
BEstudos transversais são do tipo longitudinal e permitem avaliar a relação temporal entre exposição e desfecho.
CEnsaios clínicos randomizados são estudos observacionais que não utilizam grupo controle, pois não envolvem intervenção direta.
DO estudo caso-controle é indicado para investigar desfechos de baixa ocorrência.
EO estudo de coorte seleciona indivíduos com base no desfecho, o que o torna adequado para avaliar doenças raras.
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GabaritoD — O estudo caso-controle é indicado para investigar desfechos de baixa ocorrência.
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Desenhos de estudos epidemiológicos
Gabarito: letra D. O estudo caso-controle é o desenho mais indicado para investigar desfechos de baixa ocorrência (doenças raras), pois parte da seleção de casos já diagnosticados e compara com controles, permitindo estudar doenças pouco frequentes de forma eficiente e com menor custo. As demais alternativas invertem características fundamentais dos desenhos: coorte não seleciona pelo desfecho, transversal não é longitudinal, ensaio clínico é experimental e usa grupo controle, e coorte não é adequado para doenças raras.
Os desenhos de estudo epidemiológicos são as estruturas metodológicas que orientam a coleta e a análise de dados para responder perguntas sobre a relação entre exposições (fatores de risco, intervenções) e desfechos (doenças, complicações). Eles se dividem em dois grandes grupos: observacionais — nos quais o pesquisador apenas observa a ocorrência natural dos eventos, sem intervir — e experimentais — nos quais o pesquisador atribui ativamente a exposição (intervenção) aos participantes. Essa distinção é a base para entender cada desenho.
O estudo de coorte é um desenho longitudinal e observacional em que um grupo de indivíduos é selecionado com base na exposição (expostos e não expostos) e acompanhado ao longo do tempo para verificar quem desenvolve o desfecho. Por partir da exposição, é excelente para estudar doenças frequentes e múltiplos desfechos, mas é inadequado para doenças raras, pois exigiria um número muito grande de participantes e um longo período de seguimento. O estudo caso-controle, por sua vez, é um desenho observacional e retrospectivo em que os participantes são selecionados com base no desfecho (casos com a doença e controles sem a doença), e então se investiga a exposição passada. Essa lógica o torna ideal para doenças raras, pois permite reunir um número suficiente de casos em um tempo relativamente curto.
O estudo transversal (ou de prevalência) é um desenho observacional que avalia exposição e desfecho em um mesmo momento (corte no tempo), não permitindo estabelecer a relação temporal entre eles — não é longitudinal. Já o ensaio clínico randomizado é o desenho experimental por excelência: os participantes são randomizados para receber a intervenção ou um controle (placebo ou tratamento padrão), e o pesquisador intervém ativamente. É o padrão-ouro para avaliar eficácia de intervenções, justamente por controlar fatores de confusão por meio da randomização.
A pegadinha central desta questão é a inversão de critérios de seleção entre coorte e caso-controle: a banca troca "exposição" por "desfecho" e vice-versa. Guarde o par: coorte seleciona pela exposição e acompanha até o desfecho; caso-controle seleciona pelo desfecho e olha para trás, para a exposição. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Desenho de Estudo
Tipo
Critério de Seleção
Temporalidade
Indicação Principal
Coorte
Observacional
Exposição (expostos e não expostos)
Longitudinal (prospectivo)
Doenças frequentes; múltiplos desfechos
Caso-controle
Observacional
Desfecho (casos e controles)
Retrospectivo
Doenças raras (baixa ocorrência)
Transversal
Observacional
População (exposição e desfecho no mesmo momento)
Instantâneo (corte no tempo)
Estimar prevalência; não avalia temporalidade
Ensaio clínico randomizado
Experimental
Randomização para intervenção ou controle
Longitudinal (prospectivo)
Avaliar eficácia de intervenções (padrão-ouro)
Estudos epidemiológicos
1Observacionais
Coorte
Seleciona pela exposição
Longitudinal (acompanha no tempo)
Inadequado p/ doenças raras
Caso-controle
Seleciona pelo desfecho
Retrospectivo
Ideal p/ doenças raras
Transversal
Corte no tempo (fotografia)
Não avalia temporalidade
2Experimentais
Ensaio clínico randomizado
Intervenção ativa
Grupo controle
Padrão-ouro p/ eficácia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa inverte o critério de seleção do estudo de coorte. No coorte, os indivíduos são escolhidos pela presença ou ausência da exposição (fator de risco), não do desfecho. A seleção pelo desfecho é característica do estudo caso-controle. O erro está em trocar "exposição" por "desfecho" — uma inversão clássica de conceitos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Estudos transversais não são longitudinais: eles avaliam exposição e desfecho em um único momento (corte transversal), como uma fotografia da população. Por isso, não permitem estabelecer a relação temporal entre exposição e desfecho — não se sabe o que veio antes. A alternativa erra ao afirmar que são longitudinais e que permitem avaliar a temporalidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Ensaios clínicos randomizados são estudos experimentais, não observacionais, e utilizam grupo controle (placebo ou tratamento padrão). A randomização e o grupo controle são justamente as características que os tornam o padrão-ouro para avaliar intervenções. A alternativa erra ao classificá-los como observacionais e ao negar o grupo controle.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O estudo caso-controle é indicado para desfechos de baixa ocorrência (doenças raras), pois parte da seleção de casos já diagnosticados, permitindo estudar um número suficiente de doentes sem a necessidade de acompanhar uma grande população por longo tempo. É um desenho eficiente e de menor custo para doenças raras, exatamente o que a alternativa afirma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O estudo de coorte seleciona indivíduos com base na exposição, não no desfecho. Além disso, por exigir seguimento de uma população para observar o surgimento de novos casos, é inadequado para doenças raras — seria necessário um número enorme de participantes e um longo período de acompanhamento. A alternativa erra tanto no critério de seleção quanto na adequação para doenças raras.