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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg470963
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Clínica Médica)
Paciente do sexo feminino, 24 anos, IMC 22 kg/m², sem antecedentes de obesidade, é encaminhada ao ambulatório por diagnóstico recente de diabetes melito. Refere que seu pai e sua avó paterna também foram diagnosticados com diabetes antes dos 30 anos, ambos tratados sem insulina por muitos anos. No momento, apresenta bom controle glicêmico com uso de sulfonilureia, sem episódios de cetoacidose. Não há presença de autoanticorpos (anti-GAD, anti-IA2 e anti-insulina negativos). Considerando esse caso e os diferentes tipos de diabetes, assinale a alternativa correta.
  1. ATrata-se de um caso típico de LADA, caracterizado pela ausência de autoanticorpos, início precoce e boa resposta inicial a secretagogos de insulina.
  2. BO diabetes LADA é uma forma monogênica de diabetes, associado à herança autossômica dominante, como sugere o histórico familiar da paciente.
  3. CO quadro sugere diabetes tipo MODY, caracterizado por início precoce, padrão familiar autossômico dominante e, em alguns subtipos, boa resposta a sulfonilureias.
  4. DA presença de autoanticorpos negativos descarta tanto LADA quanto MODY, indicando diagnóstico de diabetes tipo 2.
  5. ETanto no MODY quanto no LADA, há destruição autoimune das células beta, sendo obrigatório o uso de insulina desde o diagnóstico.
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GabaritoC — O quadro sugere diabetes tipo MODY, caracterizado por início precoce, padrão familiar autossômico dominante e, em alguns subtipos, boa resposta a sulfonilureias.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diabetes MODY: diagnóstico diferencial em paciente jovem não obeso

Gabarito: letra C. O quadro descrito — diabetes de início precoce (antes dos 30 anos), padrão familiar autossômico dominante (pai e avó paterna), ausência de autoanticorpos, sem cetoacidose e com boa resposta a sulfonilureia — é altamente sugestivo de diabetes monogênico tipo MODY (Maturity-Onset Diabetes of the Young), conforme a classificação etiológica do diabetes melito. A alternativa C sintetiza corretamente essas características.

O diabetes melito não é uma doença única, mas um grupo de distúrbios metabólicos caracterizados por hiperglicemia crônica, decorrente de defeitos na secreção de insulina, na ação da insulina ou em ambos. A classificação atual divide o diabetes em quatro grandes categorias: tipo 1 (DM1), tipo 2 (DM2), diabetes gestacional e outros tipos específicos — sendo o MODY uma das principais formas incluídas nesta última categoria. O MODY é uma doença monogênica, ou seja, causada por mutação em um único gene, com herança autossômica dominante, o que explica o padrão familiar observado na paciente (pai e avó paterna afetados em gerações sucessivas). Diferentemente do DM1, não há destruição autoimune das células beta pancreáticas, e por isso os autoanticorpos (anti-GAD, anti-IA2, anti-insulina) são negativos. O início costuma ocorrer antes dos 25 anos, frequentemente em indivíduos magros, sem obesidade ou síndrome metabólica — exatamente o perfil da paciente (IMC 22 kg/m²).

A resposta às sulfonilureias é uma pista clínica importante: pacientes com mutação no gene HNF1A (MODY3), o subtipo mais comum, são particularmente sensíveis a esses secretagogos, apresentando boa resposta inicial e, muitas vezes, mantendo controle glicêmico por anos sem necessidade de insulina. Já o LADA (Latent Autoimmune Diabetes in Adults) é uma forma de diabetes autoimune de progressão lenta, que se apresenta em adultos (tipicamente após os 35 anos), com positividade para autoanticorpos e necessidade de insulina em meses a poucos anos após o diagnóstico — características opostas às do caso. A distinção entre MODY e LADA é crucial, pois muda completamente a abordagem terapêutica e o prognóstico.

A banca explora exatamente a confusão entre essas duas entidades, que podem ter apresentação clínica semelhante (início em adultos jovens, ausência de obesidade, bom controle inicial com antidiabéticos orais). O elemento-chave para diferenciá-las é a presença ou ausência de autoanticorpos: no LADA eles são positivos (marcadores de autoimunidade), enquanto no MODY são negativos. Além disso, o padrão de herança autossômica dominante com múltiplos familiares afetados em gerações sucessivas é típico do MODY e incomum no LADA. Guarde essa fronteira: autoanticorpos negativos + história familiar forte + início precoce + boa resposta a sulfonilureia = pensar em MODY.

Critério

MODY

LADA

Natureza

Monogênica (mutação em um único gene)

Autoimune (destruição lenta das células beta)

Herança

Autossômica dominante

Poligênica, sem padrão mendeliano clássico

Autoanticorpos

Negativos

Positivos (anti-GAD, anti-IA2, etc.)

Idade de início

Geralmente < 25 anos

Tipicamente > 35 anos

Resposta a sulfonilureias

Boa (especialmente MODY3/HNF1A)

Inicialmente boa, mas com progressão para insulina

Necessidade de insulina

Frequentemente não obrigatória no início

Obrigatória em meses a poucos anos

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que se trata de LADA, caracterizado pela ausência de autoanticorpos. O erro está na inversão do marcador: o LADA é, por definição, uma forma autoimune de diabetes, e a presença de autoanticorpos (anti-GAD, anti-IA2, anti-ZnT8, anti-insulina) é um dos três critérios diagnósticos essenciais. A paciente tem autoanticorpos negativos, o que exclui o diagnóstico de LADA. Além disso, o LADA costuma ter início após os 35 anos, e não antes dos 30 como no caso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o LADA é uma forma monogênica de diabetes com herança autossômica dominante. Há dupla confusão: o LADA não é monogênico — é uma doença autoimune, com base poligênica e influência ambiental, sem padrão de herança mendeliana clássica. A herança autossômica dominante com múltiplos familiares afetados em gerações sucessivas é característica do MODY, não do LADA. A alternativa mistura os dois conceitos.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve com precisão o MODY: início precoce (geralmente antes dos 25 anos), padrão familiar autossômico dominante (pai e avó paterna afetados) e, em alguns subtipos (especialmente MODY3/HNF1A), boa resposta a sulfonilureias. A ausência de autoanticorpos e a ausência de cetoacidose reforçam o diagnóstico, afastando DM1 e LADA. O IMC normal também é compatível, pois o MODY não está associado à obesidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que autoanticorpos negativos descartam tanto LADA quanto MODY, indicando DM2. O erro está em descartar o MODY: a negatividade de autoanticorpos é justamente uma característica esperada no MODY (doença não autoimune). O diagnóstico de DM2 é improvável na paciente jovem, magra, sem fatores de risco metabólico e com forte história familiar autossômica dominante — o DM2 raramente se apresenta dessa forma. A presença de autoanticorpos negativos não é suficiente para fechar DM2; é preciso considerar outras etiologias, como o MODY.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que tanto no MODY quanto no LADA há destruição autoimune das células beta, sendo obrigatório o uso de insulina desde o diagnóstico. Duplo erro: (1) no MODY não há destruição autoimune — é uma doença genética monogênica, sem autoimunidade; (2) no LADA, embora haja autoimunidade, a destruição é lenta e a insulinoterapia não é obrigatória desde o diagnóstico — o paciente pode iniciar com antidiabéticos orais e evoluir para insulina em meses a anos. A alternativa generaliza indevidamente o comportamento do DM1 para outras formas de diabetes.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre LADA e MODY, duas formas de diabetes que podem se apresentar de maneira semelhante em adultos jovens. O candidato desatento pode marcar LADA por causa do início precoce e da boa resposta a secretagogos, mas a ausência de autoanticorpos é o divisor de águas: no LADA eles são positivos (é uma doença autoimune), no MODY são negativos (é uma doença genética). Fique atento a esse detalhe — ele decide a questão.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar MODY de LADA na prova, monte um quadro mental rápido: MODY = início < 25 anos, herança autossômica dominante, autoanticorpos negativos, boa resposta a sulfonilureia; LADA = início > 35 anos, autoanticorpos positivos, necessidade de insulina em até 6 anos. Se a questão trouxer autoanticorpos negativos e história familiar forte, a resposta quase sempre será MODY.

Gabarito: letra C

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