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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg470984
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Endocrinologia e Metabologia Pediátrica)
Sobre a fisiologia do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal em adultos, assinale a alternativa correta.
  1. AA secreção contínua de GnRH estimula a liberação sustentada de LH e FSH pela hipófise anterior.
  2. BA inibição do eixo em homens é exercida exclusivamente pela testosterona via feedback negativo no hipotálamo.
  3. CA pulsatilidade do GnRH é essencial para a função gonadal normal em ambos os sexos.
  4. DO FSH é o principal indutor da produção de testosterona pelas células de Leydig nos testículos.
  5. EO estrogênio não exerce papel inibitório no eixo hipotálamo-hipofisário antes da menarca.
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GabaritoC — A pulsatilidade do GnRH é essencial para a função gonadal normal em ambos os sexos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Eixo hipotálamo-hipófise-gonadal: a pulsatilidade do GnRH como chave da função gonadal

Gabarito: letra C. A secreção de GnRH pelo hipotálamo é pulsátil, e é exatamente essa pulsatilidade que permite a liberação adequada de LH e FSH pela hipófise anterior, sendo essencial para a função gonadal normal em ambos os sexos. As demais alternativas contêm erros conceituais: a secreção contínua de GnRH dessensibiliza os receptores hipofisários (não estimula de forma sustentada), a inibição do eixo no homem não é exclusiva da testosterona (envolve também o estradiol e a inibina), o LH (e não o FSH) é o principal indutor da testosterona pelas células de Leydig, e o estrogênio exerce papel inibitório no eixo desde a infância, antes mesmo da menarca.

O eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (HHG) é o sistema que integra o sistema nervoso central às gônadas, regulando a reprodução. O hipotálamo secreta o hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) de forma pulsátil — ou seja, em picos rítmicos, e não de maneira contínua. Essa pulsatilidade é um requisito fisiológico fundamental: cada pulso de GnRH chega à hipófise anterior e estimula a liberação de LH e FSH. Quando o GnRH é administrado de forma contínua (como ocorre no uso terapêutico de análogos), ocorre o fenômeno da dessensibilização dos receptores hipofisários, com consequente supressão da secreção de gonadotrofinas — o oposto do que afirma a alternativa A. Esse é o princípio por trás do uso de análogos de GnRH no tratamento de puberdade precoce, endometriose e câncer de próstata.

A regulação do eixo é feita por mecanismos de feedback negativo. No homem, a testosterona é o principal esteroide inibitório, mas não o único: parte da testosterona é convertida em estradiol (pela enzima aromatase), e ambos atuam no hipotálamo e na hipófise. Além disso, a inibina B, produzida pelas células de Sertoli, exerce feedback negativo seletivo sobre a secreção de FSH. Portanto, a alternativa B erra ao afirmar que a inibição é exercida "exclusivamente" pela testosterona. Na mulher, o estrogênio e a progesterona exercem feedback negativo (e, em determinadas fases do ciclo, positivo) sobre o eixo — e isso ocorre desde a infância, muito antes da menarca, o que torna a alternativa E incorreta.

Nas gônadas, o LH e o FSH têm papéis distintos e complementares. Nos testículos, o LH liga-se aos receptores das células de Leydig e estimula a produção de testosterona; o FSH atua nas células de Sertoli, promovendo a espermatogênese. A alternativa D inverte essa função, atribuindo ao FSH o papel de indutor da testosterona — erro clássico de troca de conceito. Nas mulheres, o FSH estimula o crescimento folicular e a produção de estradiol pelos folículos ovarianos, enquanto o LH desencadeia a ovulação e mantém o corpo lúteo.

A pegadinha central desta questão é a troca de papéis entre LH e FSH e a inversão do efeito da pulsatilidade do GnRH. O candidato que decora "LH estimula testosterona" e "FSH estimula espermatogênese" acerta a alternativa D como errada; mas quem confunde os dois hormônios cai na armadilha. Da mesma forma, a ideia de que "secreção contínua estimula" parece intuitiva, mas a fisiologia mostra exatamente o contrário: a continuidade suprime, a pulsatilidade estimula. Guarde essa lógica — é ela que separa as alternativas corretas das incorretas.

Eixo HHG
  • 1GnRH (hipotálamo)
    • Pulsátil → estimula LH/FSH
    • Contínuo → dessensibiliza/suprime
  • 2Feedback negativo
    • Homem
      • Testosterona
      • Estradiol
      • Inibina B (FSH)
    • Mulher
      • Estrogênio (desde a infância)
      • Progesterona
  • 3Hormônios gonadais
    • LH → Leydig → testosterona
    • FSH → Sertoli → espermatogênese
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a secreção contínua de GnRH estimula a liberação sustentada de LH e FSH. É o inverso da fisiologia: a secreção contínua de GnRH leva à dessensibilização dos receptores hipofisários e à supressão da liberação de gonadotrofinas. A pulsatilidade é que mantém a resposta hipofisária adequada. Esse é o princípio dos análogos de GnRH de ação prolongada, usados justamente para suprimir o eixo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a inibição do eixo no homem é exercida "exclusivamente" pela testosterona via feedback negativo no hipotálamo. O erro está na palavra exclusivamente: além da testosterona, o estradiol (derivado da aromatização da testosterona) e a inibina B (produzida pelas células de Sertoli, com feedback seletivo sobre o FSH) também participam da inibição do eixo. O feedback ocorre tanto no hipotálamo quanto na hipófise.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A pulsatilidade do GnRH é, de fato, essencial para a função gonadal normal em ambos os sexos. A secreção episódica de GnRH pelo hipotálamo é o que mantém a responsividade dos gonadotrofos hipofisários e a liberação adequada de LH e FSH, que por sua vez estimulam as gônadas. Sem a pulsatilidade, o eixo é suprimido — como ocorre na administração contínua de análogos de GnRH.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o FSH é o principal indutor da produção de testosterona pelas células de Leydig. Há uma troca de hormônios: quem estimula as células de Leydig a produzir testosterona é o LH. O FSH atua nas células de Sertoli, sendo essencial para a espermatogênese. Essa inversão de papéis é uma pegadinha clássica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o estrogênio não exerce papel inibitório no eixo antes da menarca. Na verdade, o estrogênio exerce feedback negativo sobre o eixo hipotálamo-hipofisário desde a infância, mantendo os níveis de gonadotrofinas baixos no período pré-puberal. A menarca é consequência da maturação do eixo, não o início da ação inibitória do estrogênio.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora duas trocas clássicas: (1) inverte o efeito da pulsatilidade do GnRH — secreção contínua suprime, não estimula; (2) inverte os papéis de LH e FSH — quem estimula a testosterona é o LH, não o FSH. Além disso, usa o termo "exclusivamente" na alternativa B para torná-la falsa, já que a inibição do eixo no homem envolve também estradiol e inibina. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte um mapa mental do eixo: hipotálamo (GnRH pulsátil) → hipófise (LH e FSH) → gônadas (testosterona/estradiol + inibina). Lembre-se: pulsatilidade estimula, continuidade suprime; LH = Leydig (testosterona), FSH = Sertoli (espermatogênese). Essa tríade resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra C

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