Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
qg470991
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Endocrinologia e Metabologia)
Em relação ao diagnóstico e manejo do Diabetes Melito Gestacional (DMG), assinale a alternativa correta.
AO Teste Oral de Tolerância à Glicose de 75 g (TOTG) deve ser realizado de forma universal apenas entre 28 e 32 semanas de gestação, para reduzir falsos-positivos.
BA principal indicação para iniciar insulinoterapia no DMG é a presença de cetonúria persistente, independentemente dos níveis glicêmicos de jejum.
CO controle glicêmico no DMG visa manter glicemia de jejum <105 mg/dL e pós-prandial de 2h <160 mg/dL, conforme critérios atuais da Associação Americana de Diabetes (ADA).
DA metformina pode ser considerada uma alternativa à insulina em casos selecionados, mas atravessa a placenta e ainda não há evidência robusta sobre segurança em longo prazo.
EO rastreamento para DMG em gestantes com IMC <25 kg/m² e sem fatores de risco é desnecessário, mesmo em populações com alta prevalência da doença.
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GabaritoD — A metformina pode ser considerada uma alternativa à insulina em casos selecionados, mas atravessa a placenta e ainda não há evidência robusta sobre segurança em longo prazo.
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Diabetes Melito Gestacional: diagnóstico e manejo
Gabarito: letra D. A metformina pode ser considerada alternativa à insulina em casos selecionados de DMG, mas atravessa a placenta e faltam evidências robustas de segurança em longo prazo — exatamente o que a alternativa afirma. As demais opções erram ao fixar janelas de rastreamento restritas, indicar insulinoterapia por cetonúria isolada, adotar metas glicêmicas superiores às recomendadas ou dispensar rastreamento em gestantes de baixo risco.
O Diabetes Melito Gestacional (DMG) é a hiperglicemia reconhecida pela primeira vez durante a gestação, decorrente do ambiente hormonal gravídico que induz resistência à insulina. O rastreamento é rotineiro entre 24 e 28 semanas, mas mulheres de alto risco (obesidade, história prévia de DMG, glicosúria ou parente de primeiro grau com DM) devem ser rastreadas já na primeira consulta pré-natal. O diagnóstico é feito com glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL em qualquer fase, ou no TOTG de 75 g (24–28 semanas) com valores de jejum ≥ 92 mg/dL, 1h ≥ 180 mg/dL ou 2h ≥ 153 mg/dL.
As metas glicêmicas no DMG são mais rígidas que fora da gestação, para minimizar a exposição fetal à hiperglicemia: jejum ≤ 95 mg/dL, 1h pós-prandial ≤ 140 mg/dL e 2h pós-prandial ≤ 120 mg/dL. O tratamento baseia-se em dieta, exercícios e, se necessário, hipoglicemiantes orais ou insulina. A insulina é a primeira escolha segundo ADA, Febrasgo e SBD; a metformina surge como alternativa em casos selecionados — gestantes que recusam insulina, obesas ou com risco elevado de hipoglicemia — mas atravessa a placenta e não há evidência robusta de segurança em longo prazo para o concepto.
A banca explora aqui a confusão entre as metas glicêmicas do DMG e as do diabetes fora da gestação, e entre o rastreamento seletivo e o universal. Guarde os números: jejum 95, 1h 140, 2h 120 — são os valores que separam as alternativas corretas das incorretas.
DMG: diagnóstico e manejo
1Rastreamento
Universal (24–28 semanas)
Alto risco: 1ª consulta
2Diagnóstico
Jejum ≥ 92 mg/dL
TOTG 75g: jejum ≥ 92, 1h ≥ 180, 2h ≥ 153
3Metas glicêmicas
Jejum ≤ 95 mg/dL
1h pós-prandial ≤ 140 mg/dL
2h pós-prandial ≤ 120 mg/dL
4Tratamento
Dieta e exercício
Insulina (1ª escolha)
Metformina (alternativa)
Atravessa a placenta
Sem evidência robusta de longo prazo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o TOTG de 75 g deve ser realizado universalmente apenas entre 28 e 32 semanas. Erra duplamente: o rastreamento é feito entre 24 e 28 semanas, e não é universal nessa janela — mulheres de alto risco são rastreadas já na primeira consulta. Além disso, o TOTG não é o único método; a glicemia de jejum também pode diagnosticar DMG.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a principal indicação de insulinoterapia é cetonúria persistente, independentemente da glicemia. A insulinoterapia é indicada quando as metas glicêmicas não são atingidas com dieta e exercício — jejum > 95 mg/dL ou pós-prandial > 140/120 mg/dL. Cetonúria pode ocorrer por jejum prolongado ou restrição calórica excessiva, mas não é o gatilho principal para iniciar insulina.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Estabelece metas de jejum < 105 mg/dL e pós-prandial de 2h < 160 mg/dL. Os valores corretos são mais rígidos: jejum ≤ 95 mg/dL, 1h ≤ 140 mg/dL e 2h ≤ 120 mg/dL. Os números da alternativa correspondem a metas de diabetes fora da gestação, não ao DMG.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A metformina pode ser alternativa à insulina em casos selecionados (recusa de insulina, obesidade, risco de hipoglicemia), mas atravessa a placenta e não há evidência robusta de segurança em longo prazo. É exatamente o que a alternativa afirma, alinhada às diretrizes atuais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Dispensa o rastreamento em gestantes com IMC < 25 kg/m² e sem fatores de risco, mesmo em populações de alta prevalência. O rastreamento universal é recomendado na maioria das diretrizes, independentemente do IMC, pois o DMG pode ocorrer em qualquer gestante. A alternativa confunde rastreamento seletivo com universal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca as metas glicêmicas do DMG pelas do diabetes fora da gestação (jejum 105 vs. 95; 2h 160 vs. 120) e inverte a janela de rastreamento (28–32 vs. 24–28 semanas). Decore os valores do DMG: jejum 95, 1h 140, 2h 120 — e lembre que o rastreamento é universal, com antecipação para alto risco.
PEGA ESSA DICA!
Monte uma tabela mental com as metas do DMG versus as do diabetes não gestacional. Na prova, qualquer valor acima de 95/140/120 em gestante deve acender o alerta de distrator.