Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
qg470994
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Endocrinologia e Metabologia)
Em relação à crise tireotóxica, assinale a alternativa correta.
AA dosagem isolada de T4 livre é suficiente para confirmar o diagnóstico de tempestade tireoidiana, dispensando critérios clínicos compostos.
BA administração de propiltiouracil deve preceder a de iodo inorgânico para evitar exacerbação da síntese hormonal pelo efeito Jod-Basedow.
CA metilprednisolona está contraindicada na crise tireotóxica, por potencial de aumento do metabolismo periférico dos hormônios tireoidianos.
DO betabloqueador é utilizado para controle da frequência cardíaca, sem efeito sobre a conversão periférica de T4 em T3.
EA escala de Burch-Wartofsky avalia parâmetros laboratoriais de TSH e T3 como principais critérios de gravidade para definição de crise.
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GabaritoB — A administração de propiltiouracil deve preceder a de iodo inorgânico para evitar exacerbação da síntese hormonal pelo efeito Jod-Basedow.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crise tireotóxica: diagnóstico e manejo
Gabarito: letra B. Na crise tireotóxica, o propiltiouracil (PTU) deve ser administrado antes do iodo inorgânico, pois o iodo, se dado primeiro, pode ser captado pela tireoide e exacerbar a síntese hormonal — o chamado efeito Jod-Basedow. Essa sequência é consenso nas diretrizes de manejo da tempestade tireoidiana.
A crise tireotóxica (ou tempestade tireoidiana) é a complicação mais grave do hipertireoidismo: uma exacerbação súbita das manifestações clínicas, com descompensação de múltiplos sistemas e risco de morte. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em febre, taquicardia, disfunção do sistema nervoso central e sintomas gastrointestinais, podendo ser auxiliado por escores como o de Burch-Wartofsky. Os exames laboratoriais (TSH suprimido, T4 livre e T3 elevados) não diferenciam a crise do hipertireoidismo compensado — por isso, a alternativa A está errada.
O tratamento tem quatro pilares: (1) bloquear a síntese de novos hormônios com tionamidas (PTU ou metimazol); (2) bloquear a liberação com iodo inorgânico (só após as tionamidas); (3) bloquear a conversão periférica de T4 em T3 (PTU, propranolol, corticosteroides); e (4) bloquear os efeitos periféricos com betabloqueadores. A ordem correta é: betabloqueador (se taquicárdico), depois PTU/metimazol, e só então o iodo — iniciado após 2 horas da tionamida. Essa sequência evita que o iodo seja usado como substrato para nova síntese hormonal.
Os corticosteroides (como hidrocortisona ou dexametasona) são indicados na crise, pois inibem a conversão periférica de T4 em T3 e tratam possível insuficiência adrenal relativa — a alternativa C, que os contraindica, está errada. Os betabloqueadores, além de controlar a frequência cardíaca, também reduzem a conversão periférica de T4 em T3 (propranolol é o mais usado) — a alternativa D está errada. Por fim, a escala de Burch-Wartofsky avalia parâmetros clínicos (temperatura, taquicardia, SNC, gastrointestinais, ICC, fibrilação atrial, história precipitante), não TSH e T3 — a alternativa E está errada.
Guarde a sequência farmacológica e o que cada droga faz: é exatamente nesses dois pontos que as alternativas se dividem.
1Betabloqueador (controle FC)
2Tionamida (bloqueia síntese)
3Iodo inorgânico (após 2h)
4Corticoide (bloqueia conversão)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A dosagem isolada de T4 livre não é suficiente para diagnosticar tempestade tireoidiana. O diagnóstico é clínico, e os exames laboratoriais (TSH indetectável, T3 e T4 livres aumentados) não diferenciam a crise do hipertireoidismo compensado. A banca tenta fazer o candidato acreditar que um único exame resolve, mas a prática exige critérios clínicos compostos (escore de Burch-Wartofsky ou critérios da Japan Thyroid Association).
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A administração de propiltiouracil deve preceder a de iodo inorgânico. O PTU bloqueia a síntese de novos hormônios; o iodo, dado antes, seria captado pela tireoide e poderia exacerbar a produção hormonal — o efeito Jod-Basedow. A sequência correta é: PTU (ou metimazol) primeiro, e o iodo só após 2 horas da tionamida, para inibir a liberação hormonal sem risco de piora.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A metilprednisolona não está contraindicada; pelo contrário, os corticosteroides são indicados na crise tireotóxica. Eles inibem a conversão periférica de T4 em T3 e ajudam a tratar possível insuficiência adrenal relativa. A banca inverte o papel da droga: em vez de contraindicar, ela é parte do arsenal terapêutico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O betabloqueador tem sim efeito sobre a conversão periférica de T4 em T3 — o propranolol, em doses altas, reduz essa conversão. Além de controlar a frequência cardíaca e os tremores, ele bloqueia os efeitos adrenérgicos do excesso hormonal. A alternativa nega um efeito que existe, confundindo o candidato que só lembra do controle da FC.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A escala de Burch-Wartofsky avalia parâmetros clínicos: temperatura, taquicardia, disfunção de SNC, sintomas gastrointestinais, insuficiência cardíaca congestiva, fibrilação atrial e história precipitante. Não usa TSH nem T3 como critérios de gravidade. A banca troca o que a escala mede — ela é clínica, não laboratorial.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter a sequência do tratamento e o papel das drogas. Aqui, ela troca a ordem PTU→iodo (correta) por iodo→PTU, e nega o efeito do betabloqueador na conversão de T4 em T3. Fique atento: na crise, a ordem é betabloqueador → tionamida → iodo (após 2h), e o propranolol reduz a conversão periférica.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar o manejo, pense nos 4 Bs: Bloquear síntese (PTU), Bloquear liberação (iodo), Bloquear conversão (PTU, propranolol, corticoide), Bloquear efeitos (betabloqueador). E lembre: o diagnóstico é clínico — exames não fecham o diagnóstico.