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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg471003
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Endocrinologia e Metabologia)
Em relação à avaliação da função do eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HHA), é correto afirmar que:
  1. AO teste do ACTH de baixa dose (1 µg) é mais específico que o de alta dose (250 µg) para o diagnóstico de insuficiência adrenal primária.
  2. BA ausência de resposta adequada ao teste do ACTH não exclui insuficiência adrenal central se houver atrofia cortical prolongada por supressão crônica do eixo.
  3. CA dosagem de cortisol salivar noturno tem alta sensibilidade, mas baixa especificidade para o diagnóstico da insuficiência adrenal central.
  4. DA resposta normal do cortisol total ao teste do ACTH depende da concentração sérica de cortisol livre, independentemente da concentração de proteínas ligadoras.
  5. EA dosagem isolada de ACTH plasmático é suficiente para diferenciar a insuficiência adrenal primária da secundária, mesmo na vigência de uso recente de corticosteroides.
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GabaritoB — A ausência de resposta adequada ao teste do ACTH não exclui insuficiência adrenal central se houver atrofia cortical prolongada por supressão crônica do eixo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Avaliação do eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HHA)

Gabarito: letra B. A ausência de resposta adequada ao teste do ACTH não exclui insuficiência adrenal central quando há atrofia cortical prolongada por supressão crônica do eixo — exatamente o que a alternativa B afirma. Isso ocorre porque, na insuficiência adrenal secundária/terciária (central), a glândula adrenal perde a capacidade de responder ao ACTH exógeno após um período de supressão, mesmo que a hipófise/hipotálamo sejam a origem do problema. O teste do ACTH avalia a integridade da glândula adrenal, não diretamente a hipófise ou o hipotálamo.

O eixo HHA é o sistema que integra o hipotálamo (que secreta CRH), a hipófise anterior (que secreta ACTH) e o córtex adrenal (que secreta cortisol). A insuficiência adrenal pode ser primária (doença da glândula adrenal, como na doença de Addison), secundária (deficiência de ACTH por doença hipofisária) ou terciária (deficiência de CRH por doença hipotalâmica). O teste de estimulação com ACTH (cosintropina) é o padrão para avaliar a reserva adrenal: administra-se ACTH exógeno e mede-se o cortisol sérico após 30-60 minutos. Uma resposta normal (cortisol > 18 µg/dL) indica função adrenal preservada; uma resposta inadequada sugere insuficiência adrenal.

A grande pegadinha desta questão está na interpretação do teste do ACTH na insuficiência adrenal central. Quando há supressão crônica do eixo (por exemplo, por uso prolongado de corticosteroides exógenos ou por doença hipofisária/hipotalâmica de longa data), a glândula adrenal fica atrófica e perde a capacidade de responder ao ACTH exógeno. Assim, um teste do ACTH com resposta inadequada pode ocorrer tanto na insuficiência primária quanto na central, desde que haja atrofia cortical. Por isso, a ausência de resposta ao teste não exclui insuficiência adrenal central — é justamente o que a alternativa B afirma corretamente.

Para diferenciar a insuficiência primária da central, o passo seguinte é a dosagem do ACTH plasmático basal: na primária, o ACTH está elevado (devido à falta de feedback negativo do cortisol); na central, o ACTH está normal ou baixo. No entanto, essa diferenciação só é válida se não houver uso recente de corticosteroides, que suprimem o ACTH e podem mascarar o diagnóstico. A alternativa E erra exatamente ao ignorar essa interferência.

Outro ponto importante é o papel das proteínas ligadoras (CBG). O cortisol circula em grande parte ligado à CBG e à albumina; apenas a fração livre é biologicamente ativa. O teste do ACTH mede o cortisol total, que depende da concentração de CBG. Em situações de aumento de CBG (como uso de estrogênios orais) ou diminuição (como na sepse), o cortisol total pode não refletir adequadamente o cortisol livre, confundindo a interpretação. A alternativa D erra ao afirmar que a resposta normal independe das proteínas ligadoras.

O cortisol salivar noturno é um teste utilizado no diagnóstico da síndrome de Cushing (hipercortisolismo), não da insuficiência adrenal. Na síndrome de Cushing, ele tem alta sensibilidade e especificidade; na insuficiência adrenal, não é um teste diagnóstico. A alternativa C erra ao atribuir ao cortisol salivar noturno um papel no diagnóstico da insuficiência adrenal central.

Por fim, a alternativa A inverte a relação entre os testes de ACTH de baixa e alta dose. O teste de baixa dose (1 µg) é mais sensível para detectar insuficiência adrenal leve, pois a dose suprafisiológica de 250 µg pode estimular a adrenal mesmo quando há comprometimento parcial. A especificidade não é o diferencial do teste de baixa dose; ele é mais sensível, não mais específico.

Guarde a fronteira entre o que o teste do ACTH avalia (a glândula adrenal) e o que ele não avalia (a hipófise/hipotálamo): é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Critério

Teste do ACTH (baixa dose 1 µg)

Teste do ACTH (alta dose 250 µg)

Sensibilidade

Mais sensível para detectar insuficiência adrenal leve

Menos sensível (dose suprafisiológica pode mascarar comprometimento parcial)

Especificidade

Não é o diferencial (a alternativa A erra ao inverter)

Não é o diferencial

Indicação principal

Detecção de formas leves/parciais de insuficiência adrenal

Avaliação padrão da reserva adrenal (resposta normal: cortisol > 18 µg/dL)

Limitação

Pode não excluir insuficiência adrenal central com atrofia cortical (alternativa B correta)

Pode não excluir insuficiência adrenal central com atrofia cortical (alternativa B correta)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O teste do ACTH de baixa dose (1 µg) é mais sensível que o de alta dose (250 µg) para o diagnóstico de insuficiência adrenal, não mais específico. A dose de 250 µg é suprafisiológica e pode estimular a adrenal mesmo em casos de comprometimento parcial, reduzindo a sensibilidade. A baixa dose é mais sensível para detectar formas leves, mas a especificidade não é o diferencial. A alternativa troca sensibilidade por especificidade.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação está correta. Na insuficiência adrenal central (secundária/terciária), a glândula adrenal pode estar atrófica devido à falta de estimulação crônica pelo ACTH. Nessa situação, o teste do ACTH exógeno pode não produzir resposta adequada, mesmo que a origem do problema seja hipofisária ou hipotalâmica. Portanto, a ausência de resposta ao teste não exclui insuficiência adrenal central — é uma limitação conhecida do teste.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O cortisol salivar noturno é um teste para o diagnóstico de síndrome de Cushing (hipercortisolismo), não para insuficiência adrenal. Na síndrome de Cushing, ele tem alta sensibilidade e especificidade; na insuficiência adrenal, não é um teste diagnóstico. A alternativa atribui ao cortisol salivar noturno um papel que ele não tem no contexto da insuficiência adrenal central.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A resposta do cortisol total ao teste do ACTH depende da concentração de proteínas ligadoras (CBG). O cortisol total inclui a fração ligada e a livre; alterações na CBG (aumento por estrogênios, diminuição na sepse) afetam o cortisol total sem refletir o cortisol livre. Portanto, a afirmação de que a resposta independe das proteínas ligadoras é falsa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A dosagem isolada de ACTH plasmático não é suficiente para diferenciar insuficiência adrenal primária da secundária na vigência de uso recente de corticosteroides, pois estes suprimem o ACTH, mascarando o diagnóstico. Além disso, a interpretação do ACTH deve ser feita em conjunto com o cortisol basal e o contexto clínico. A alternativa ignora essa interferência medicamentosa.

Gabarito: letra B

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