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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg471006
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Endocrinologia e Metabologia)
Em relação ao Diabetes Melito tipo 1 (DM1), assinale a alternativa correta.
  1. AA fase de latência imunológica (fase 1) é caracterizada por hiperglicemia intermitente, com níveis normalização persistente da glicemia com suspensão total da insulina exógena.
  2. BA presença de autoanticorpos anti-insulina e anti-GAD é suficiente para diagnóstico definitivo de DM1, mesmo na ausência de hiperglicemia.
  3. CA fase de “lua de mel” ocorre após a instalação da hiperglicemia franca e caracteriza-se pela elevados de peptídeo C e necessidade transitória de insulinoterapia.
  4. DA destruição das células beta pancreáticas ocorre de forma abrupta em todos os pacientes, independentemente da idade ao diagnóstico ou dos marcadores autoimunes.
  5. EA medição dos anticorpos anti-GAD, anti-IA2, anti-ZnT8 e anti-insulina pode auxiliar no diagnóstico de DM1, especialmente em apresentações atípicas ou em adultos.
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GabaritoE — A medição dos anticorpos anti-GAD, anti-IA2, anti-ZnT8 e anti-insulina pode auxiliar no diagnóstico de DM1, especialmente em apresentações atípicas ou em adultos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diabetes Melito tipo 1 (DM1): fases, autoimunidade e diagnóstico

Gabarito: letra E. A medição dos autoanticorpos anti-GAD, anti-IA2, anti-ZnT8 e anti-insulina é ferramenta diagnóstica válida no DM1, especialmente em apresentações atípicas ou em adultos, conforme a literatura endocrinológica (Harrison, Diretrizes da SBD). As demais alternativas distorcem conceitos centrais da história natural da doença.

O Diabetes Melito tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune crônica caracterizada pela destruição das células beta pancreáticas, levando à deficiência absoluta de insulina. Essa destruição é mediada por linfócitos T e pela presença de autoanticorpos circulantes, que são marcadores do processo autoimune. A história natural do DM1 é dividida em fases, conforme proposto pela JDRF (Juvenile Diabetes Research Foundation) e ISPAD (International Society for Pediatric and Adolescent Diabetes), e adotado pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

A fase 1 é a fase de latência imunológica, na qual o indivíduo apresenta dois ou mais autoanticorpos positivos, mas ainda normoglicemia — ou seja, a glicemia permanece normal, sem hiperglicemia. A fase 2 é caracterizada pela presença de autoanticorpos associada à disglicemia (glicemia de jejum alterada ou tolerância diminuída à glicose), porém ainda sem sintomas clínicos. A fase 3 é o diabetes clínico, com hiperglicemia franca e sintomas, exigindo insulinoterapia. A fase 4 é o diabetes estabelecido, com necessidade contínua de insulina.

A fase de "lua de mel" é um fenômeno que ocorre após o início do tratamento com insulina, geralmente nas primeiras semanas ou meses. Caracteriza-se por uma melhora transitória da função das células beta, com redução da necessidade de insulina exógena, podendo até haver suspensão temporária. Isso ocorre porque a insulinoterapia inicial "descansa" as células beta remanescentes, reduzindo a demanda e a agressão autoimune. É importante destacar que a "lua de mel" é transitória e não representa cura, pois a destruição autoimune continua.

O diagnóstico do DM1 é essencialmente clínico, baseado na presença de hiperglicemia significativa e sintomas de insulinopenia (poliúria, polidipsia, perda de peso, cetoacidose). Os autoanticorpos são marcadores de autoimunidade que auxiliam na confirmação diagnóstica, especialmente em casos atípicos, como em adultos (LADA — Latent Autoimmune Diabetes in Adults), onde o quadro pode mimetizar DM2. Os principais autoanticorpos são: anti-GAD (descarboxilase do ácido glutâmico), anti-IA2 (tirosina fosfatase), anti-ZnT8 (transportador de zinco 8) e anti-insulina (IAA). A presença de dois ou mais autoanticorpos confere alto risco de progressão para DM1 clínico (69,5% em 10 anos e 84% em 15 anos, conforme estudos de coorte).

A destruição das células beta não é abrupta na maioria dos casos. O processo é gradual e progressivo, podendo levar anos até a manifestação clínica. A velocidade de destruição varia conforme a idade (mais rápida em crianças) e o perfil imunológico. Em adultos, o processo tende a ser mais lento, o que explica o fenótipo LADA.

A alternativa E é a correta porque reflete exatamente o papel dos autoanticorpos no diagnóstico do DM1, especialmente em situações em que o quadro clínico não é clássico, como em adultos ou em apresentações atípicas. A dosagem de autoanticorpos é recomendada pelas principais diretrizes (ADA, SBD) nesses contextos.

A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos sobre as fases do DM1 e o papel dos autoanticorpos. A banca explora a confusão entre "fase de latência" (normoglicemia) e "fase clínica" (hiperglicemia), e entre "marcador de risco" e "critério diagnóstico isolado".

  1. 1Fase 1: autoanticorpos + normoglicemia
  2. 2Fase 2: autoanticorpos + disglicemia
  3. 3Fase 3: hiperglicemia franca (clínico)
  4. 4Fase 4: diabetes estabelecido
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A fase de latência imunológica (fase 1) é caracterizada por normoglicemia, não por hiperglicemia intermitente. A hiperglicemia só aparece na fase 3 (diabetes clínico). Além disso, a "normalização persistente da glicemia com suspensão total da insulina exógena" não ocorre na fase 1, pois o paciente ainda não necessita de insulina — ele é assintomático e normoglicêmico. A alternativa confunde a fase 1 com a fase de "lua de mel", que é um fenômeno pós-tratamento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A presença de autoanticorpos não é suficiente para o diagnóstico definitivo de DM1. O diagnóstico exige a demonstração de hiperglicemia (glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, glicemia aleatória ≥ 200 mg/dL com sintomas, ou HbA1c ≥ 6,5%). Os autoanticorpos são marcadores de risco e auxiliam na confirmação, mas não substituem o critério glicêmico. A alternativa erra ao afirmar que os anticorpos são suficientes "mesmo na ausência de hiperglicemia".

Alternativa C — ❌ Incorreta

A fase de "lua de mel" ocorre após o início da insulinoterapia, não "após a instalação da hiperglicemia franca" de forma imediata. Caracteriza-se por redução da necessidade de insulina (não por "elevados de peptídeo C" — na verdade, há uma recuperação parcial da secreção, mas o peptídeo C costuma estar baixo no DM1, refletindo a deficiência de insulina). A alternativa inverte o quadro: na "lua de mel", há melhora transitória da função das células beta, com diminuição da necessidade de insulina, não "necessidade transitória de insulinoterapia" como se fosse algo novo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A destruição das células beta não ocorre de forma abrupta em todos os pacientes. O processo é gradual e progressivo, variando conforme a idade (mais rápido em crianças) e o perfil imunológico. Em adultos, a destruição tende a ser mais lenta, podendo levar anos. A alternativa generaliza indevidamente, ignorando a heterogeneidade da doença.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A medição dos anticorpos anti-GAD, anti-IA2, anti-ZnT8 e anti-insulina pode auxiliar no diagnóstico de DM1, especialmente em apresentações atípicas ou em adultos. Isso é corroborado pela literatura: em adultos com quadro sugestivo de LADA, a dosagem de autoanticorpos é fundamental para diferenciar de DM2. A alternativa está correta ao afirmar o papel dos autoanticorpos como ferramenta diagnóstica complementar, sem exagerar em sua suficiência isolada.

Gabarito: letra E

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