Herpes-Zóster: reativação do vírus varicela-zóster
Gabarito: letra A. O herpes-zóster (HZ) é a reativação da infecção latente pelo vírus varicela-zóster (VVZ), que permanece nos gânglios da raiz dorsal dos nervos sensoriais após a varicela — exatamente o que a alternativa A descreve. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre epidemiologia, recorrência, vacina e complicações.
O herpes-zóster, popularmente chamado de "cobreiro", é uma doença neurocutânea causada pelo mesmo vírus da varicela: o vírus varicela-zóster (VVZ), também chamado de herpesvírus humano tipo 3 (HHV-3). A varicela é a infecção primária, que cursa com viremia e disseminação do vírus para a pele e para os gânglios nervosos. Após a resolução da varicela, o vírus não é eliminado do organismo: ele permanece em estado de latência nas células dos gânglios da raiz dorsal dos nervos sensoriais (gânglios sensitivos). Anos ou décadas depois, diante de queda da imunidade celular — por envelhecimento, imunossupressão, malignidades hematológicas, HIV/AIDS, trauma local — o vírus pode reativar, migrar pelo axônio e causar a erupção vesicular característica em distribuição dermatômica (unilateral, seguindo o trajeto de um nervo).
Essa é a base fisiopatológica que a alternativa A descreve com precisão. A reativação está associada à diminuição da resposta imune celular, o que explica por que o HZ é mais comum em idosos (> 50 anos) e imunossuprimidos. A principal complicação é a neuralgia pós-herpética (NPH), definida como dor que persiste por mais de 3 meses após o episódio agudo — mais frequente e mais grave justamente nos idosos. O tratamento antiviral (aciclovir, valaciclovir ou fanciclovir) deve ser iniciado precocemente, idealmente em até 72 horas do início do quadro, para reduzir o risco de NPH.
A prevenção é feita por vacinas. Existem duas: a vacina de vírus vivo atenuado (Zostavax®) e a vacina recombinante (Shingrix®), esta última constituída pela glicoproteína E do VVZ combinada a um adjuvante (AS01B), aplicada em duas doses por via intramuscular, e que pode ser usada em imunocomprometidos. A vacina recombinante é a preferida por ter eficácia mais duradoura e por ser segura em imunossuprimidos.
A banca explora, nesta questão, o conhecimento da fisiopatologia do HZ e das suas principais características epidemiológicas e clínicas. A pegadinha central está em inverter dados epidemiológicos (percentual de acometidos), em afirmar que a gravidade é menor em idosos (quando é maior), em inverter o risco de recorrência, em descrever incorretamente a vacina recombinante e em negar a possibilidade de dor crônica mesmo com tratamento precoce. Guarde esses pontos: são exatamente eles que separam as alternativas.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente a fisiopatologia do HZ: reativação da infecção latente pelo VVZ, que permanece nos gânglios da raiz dorsal dos nervos sensoriais após a infecção primária (varicela). É a definição clássica e consensual da doença. O termo "cobreiro" é o nome popular. A alternativa está correta em todos os seus elementos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que "aproximadamente 50% das pessoas com mais de 85 anos" terão HZ na vida. Os dados epidemiológicos indicam que cerca de 10 a 20% da população geral terá um episódio de HZ ao longo da vida. Além disso, a alternativa afirma que "a gravidade é menor nas faixas etárias maiores" — o oposto é verdadeiro: a gravidade e a incidência de complicações, especialmente a neuralgia pós-herpética, aumentam com a idade. O erro está tanto no percentual quanto na relação com a idade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que há "risco menor de recorrência da doença, com taxa de incidência menor que a do primeiro episódio". Isso está incorreto: como o surto de HZ não confere imunidade duradoura, é possível ter novos episódios ao longo da vida. A recorrência não é menor que o primeiro episódio; pelo contrário, o risco de recorrência existe e não é desprezível, especialmente em imunossuprimidos. A alternativa inverte a lógica: o HZ pode recorrer, e a taxa de recorrência não é menor que a do primeiro episódio.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa descreve a vacina zóster recombinante (VZR) de forma incorreta. A VZR (Shingrix®) é constituída pela glicoproteína E do VVZ (uma subunidade proteica, não o vírus inteiro) combinada a um adjuvante (AS01B). A alternativa erra ao dizer que é constituída "da glicoproteína e do vírus varicela-zóster" — não contém o vírus, apenas a glicoproteína. Além disso, a alternativa afirma que "em pacientes imunossuprimidos tem risco elevado de desenvolver a doença ativa do HZ" — isso é falso: a vacina recombinante é justamente a indicada para imunocomprometidos, pois não é feita de vírus vivo e, portanto, não causa doença ativa. A vacina de vírus vivo atenuado (Zostavax®) é que é contraindicada em imunossuprimidos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "a dor crônica não é uma complicação da HZ quando o idoso recebe tratamento precoce". Isso é incorreto: a neuralgia pós-herpética (dor crônica) é a principal complicação do HZ, e embora o tratamento antiviral precoce (até 72 horas) reduza o risco, ele não elimina a possibilidade de NPH. A dor crônica pode ocorrer mesmo com tratamento adequado e precoce, especialmente em idosos, que são o grupo de maior risco. A alternativa apresenta o tratamento precoce como garantia de ausência de complicação, o que não é verdade.
Gabarito: letra A