Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2025
- Código
- qg471067
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Geriatria)
- ACalculose renal.
- BNecrose papilar.
- CVaginite.
- DDiabetes descompensado.
- ENefrite intersticial.
GabaritoD — Diabetes descompensado.
Gabarito: letra D. O diabetes descompensado é a condição que, entre as listadas, mais frequentemente se associa à piúria por infecção urinária de origem bacteriana, pois a glicosúria e a imunossupressão relativa favorecem a proliferação bacteriana no trato urinário. As demais alternativas (calculose renal, necrose papilar, vaginite e nefrite intersticial) podem cursar com piúria, mas por mecanismos predominantemente não infecciosos ou por inflamação estéril, não sendo a causa bacteriana a mais frequente.
A piúria é definida como a presença de leucócitos (piócitos) na urina, sendo um marcador sensível de inflamação do trato urinário. No contexto do idoso, a infecção do trato urinário (ITU) é uma das causas mais comuns de piúria, e o diabetes mellitus descompensado é um fator de risco clássico para ITU bacteriana, especialmente em mulheres idosas. A hiperglicemia promove glicosúria, que serve de substrato para o crescimento bacteriano, além de prejudicar a função dos neutrófilos e a imunidade da mucosa, aumentando a suscetibilidade a infecções. Por isso, quando se encontra piúria no EQU de um paciente diabético descompensado, a hipótese mais provável é a de infecção urinária bacteriana.
As outras condições listadas são causas de piúria estéril ou de piúria por mecanismos não infecciosos. A calculose renal (litíase) causa piúria por irritação mecânica da mucosa, sem necessariamente haver infecção bacteriana. A necrose papilar, frequentemente associada ao diabetes ou ao uso de anti-inflamatórios, é uma complicação isquêmica que pode cursar com piúria, mas não é uma infecção bacteriana primária. A vaginite, especialmente a atrófica na mulher idosa, pode causar disúria e leucocitúria por contaminação da amostra, mas não é uma infecção do trato urinário. A nefrite intersticial, que pode ser aguda ou crônica, é uma inflamação do interstício renal, geralmente de causa medicamentosa, autoimune ou infecciosa, mas a forma bacteriana não é a mais frequente; a piúria nesse caso costuma ser estéril.
É importante destacar que a presença de piúria é praticamente universal na cistite e na pielonefrite bacterianas, e a ausência de piúria sugere fortemente um diagnóstico alternativo não infeccioso. No entanto, a piúria isolada não confirma ITU, sendo necessária a urocultura para o diagnóstico definitivo. No idoso, a ITU é considerada complicada, especialmente em homens, devido à frequente associação com anormalidades estruturais, como a hipertrofia prostática. O diabetes descompensado, por sua vez, é um fator de risco bem estabelecido para ITU bacteriana, o que torna a alternativa D a mais correta.
A pegadinha da questão está em associar a piúria a qualquer condição que cause inflamação ou irritação do trato urinário, sem distinguir a origem infecciosa bacteriana da não infecciosa. O candidato pode ser tentado a escolher a calculose renal ou a nefrite intersticial, mas a pergunta é específica: qual patologia está mais frequentemente relacionada à infecção urinária de origem bacteriana? O diabetes descompensado é a condição que mais predispõe a essa infecção, sendo a resposta correta.
A calculose renal (litíase) pode causar piúria por irritação mecânica da mucosa urinária, mas não é a causa mais frequente de infecção urinária bacteriana. A litíase pode, inclusive, ser uma complicação de ITU, mas a piúria nesse caso é predominantemente estéril, a menos que haja obstrução e infecção secundária. A alternativa erra ao sugerir que a calculose é a patologia mais frequentemente relacionada à infecção bacteriana, quando na verdade o diabetes descompensado é o principal fator de risco.
A necrose papilar é uma complicação isquêmica do rim, frequentemente associada ao diabetes mellitus, à pielonefrite ou ao uso de anti-inflamatórios não esteroidais. Ela pode cursar com piúria, mas não é uma infecção bacteriana primária. A alternativa erra ao associar a necrose papilar à infecção urinária bacteriana, quando na verdade é uma consequência de outras condições, e a piúria nesse caso é secundária à necrose, não à infecção bacteriana.
A vaginite, especialmente a atrófica na mulher idosa, pode causar disúria e leucocitúria por contaminação da amostra de urina, mas não é uma infecção do trato urinário. A alternativa erra ao sugerir que a vaginite é a patologia mais frequentemente relacionada à infecção urinária bacteriana, quando na verdade a vaginite é um diagnóstico diferencial de ITU, mas não é a causa mais comum de piúria bacteriana.
O diabetes descompensado é a condição que mais frequentemente se associa à infecção urinária bacteriana, devido à glicosúria que favorece o crescimento bacteriano e à imunossupressão relativa. A piúria no EQU de um paciente diabético descompensado é um forte indicativo de ITU bacteriana, sendo a alternativa correta. A hiperglicemia crônica prejudica a função dos neutrófilos e a imunidade da mucosa, aumentando a suscetibilidade a infecções, o que torna o diabetes o principal fator de risco entre as opções.
A nefrite intersticial é uma inflamação do interstício renal, geralmente de causa medicamentosa, autoimune ou infecciosa, mas a forma bacteriana não é a mais frequente. A piúria na nefrite intersticial costuma ser estéril, e a infecção bacteriana não é a causa mais comum. A alternativa erra ao sugerir que a nefrite intersticial é a patologia mais frequentemente relacionada à infecção urinária bacteriana, quando na verdade o diabetes descompensado é o principal fator de risco.
Gabarito: letra D
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