A tontura é uma queixa relativamente frequente entre idosos em consultas ambulatoriais e em emergências geriátricas. Qual é o tipo mais frequente de doença vestibular periférica entre idosos?
ADoença de Ménière.
BVertigem paroxística benigna.
CVestibulopatia idiopática.
DSíndrome vestibular aguda.
ENeurinoma do acústico.
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GabaritoB — Vertigem paroxística benigna.
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Vertigem no idoso: a VPPB como causa mais frequente
Gabarito: letra B. A vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) é o tipo mais frequente de doença vestibular periférica entre idosos, sendo responsável por cerca de metade dos casos nessa faixa etária. O diagnóstico é clínico, baseado na história de vertigem desencadeada por movimentos da cabeça e confirmado pela manobra de Dix-Hallpike, com tratamento efetivo pela manobra de Epley.
A tontura é uma queixa extremamente comum na população geriátrica, e sua avaliação exige uma abordagem sistemática para diferenciar as causas periféricas das centrais. As vestibulopatias periféricas, que se originam no labirinto ou no nervo vestibular, predominam em adultos, mas na população idosa há uma particularidade: a VPPB se destaca como a causa mais prevalente. Isso ocorre porque o envelhecimento leva à degeneração dos otólitos (cristais de carbonato de cálcio) na mácula utricular, que podem se desprender e migrar para os canais semicirculares, desencadeando crises vertiginosas breves e intensas com mudanças de posição da cabeça.
A VPPB é caracterizada por episódios de vertigem rotatória de curta duração (geralmente menos de 1 minuto), desencadeados por movimentos específicos da cabeça, como rolar na cama, olhar para cima ou inclinar a cabeça para trás. O diagnóstico é essencialmente clínico, confirmado pela manobra de Dix-Hallpike, que reproduz o sintoma e evidencia o nistagmo característico. O tratamento é realizado com manobras de reposicionamento de partículas, como a manobra de Epley, que apresenta alta taxa de sucesso.
É importante distinguir a VPPB de outras vestibulopatias periféricas, como a doença de Ménière e a neurite vestibular. A doença de Ménière é caracterizada por crises de vertigem espontânea com duração de horas, acompanhadas de hipoacusia flutuante, zumbido e plenitude aural. A neurite vestibular, por sua vez, manifesta-se como uma vertigem aguda e persistente, com duração de dias, geralmente precedida por infecção viral, sem sintomas auditivos. A tabela abaixo resume as principais diferenças:
Característica
VPPB
Doença de Ménière
Neurite Vestibular
Início
Episódico, desencadeado por movimento
Episódico, espontâneo
Agudo, persistente
Duração
Segundos a < 1 minuto
Horas
Dias
Sintomas auditivos
Ausentes
Presentes (hipoacusia, zumbido, plenitude)
Ausentes
Gatilho
Movimento da cabeça
Nenhum específico
Infecção viral
Tratamento
Manobra de Epley
Dieta, diuréticos, betahistina
Sintomático, reabilitação
A banca explora a confusão entre a VPPB e a doença de Ménière, que também é uma vestibulopatia periférica comum, mas não é a mais frequente em idosos. A doença de Ménière tem pico de incidência em adultos de meia-idade (30-50 anos), enquanto a VPPB é mais prevalente em idosos. Além disso, a VPPB é a causa mais comum de vertigem em todas as idades, mas sua prevalência aumenta com o envelhecimento.
Guarde a fronteira entre a VPPB e as demais vestibulopatias periféricas: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A VPPB é a resposta correta por ser a mais frequente em idosos, enquanto as outras opções representam causas menos comuns ou apresentações clínicas diferentes.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A doença de Ménière é uma vestibulopatia periférica caracterizada por crises de vertigem espontânea com duração de horas, acompanhadas de hipoacusia flutuante, zumbido e plenitude aural. Embora seja uma causa importante de vertigem, não é a mais frequente em idosos, sendo mais comum em adultos de meia-idade. A banca a inclui como distrator por ser uma doença vestibular periférica bem conhecida, mas a prevalência em idosos é menor que a da VPPB.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) é a causa mais frequente de doença vestibular periférica em idosos. É caracterizada por episódios breves de vertigem rotatória desencadeados por movimentos da cabeça, devido à migração de otólitos para os canais semicirculares. O diagnóstico é clínico, confirmado pela manobra de Dix-Hallpike, e o tratamento é feito com manobras de reposicionamento, como a de Epley.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A vestibulopatia idiopática é um diagnóstico de exclusão, aplicado quando não se identifica uma causa específica para a disfunção vestibular. Embora possa ocorrer em idosos, não é a causa mais frequente de doença vestibular periférica nessa população. A VPPB, com sua etiologia bem definida (otólitos nos canais semicirculares), é muito mais prevalente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A síndrome vestibular aguda é um quadro clínico caracterizado por vertigem de início súbito, náuseas, vômitos e nistagmo, com duração de dias. Pode ser causada por neurite vestibular (periférica) ou por AVC (central). Não é uma doença específica, mas uma síndrome, e não representa a causa mais frequente de doença vestibular periférica em idosos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O neurinoma do acústico (schwannoma vestibular) é um tumor benigno do nervo vestibulococlear, que se manifesta com hipoacusia progressiva, zumbido e desequilíbrio, raramente com vertigem intensa. É uma causa rara de vertigem em idosos, sendo muito menos frequente que a VPPB. A banca o inclui como distrator por ser uma condição que afeta o sistema vestibular, mas sua prevalência é baixa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a VPPB e a doença de Ménière, ambas vestibulopatias periféricas. O candidato pode lembrar da doença de Ménière por ser uma condição clássica, mas a questão pede especificamente a causa mais frequente em idosos, que é a VPPB. Lembre-se: a VPPB é a causa mais comum de vertigem em todas as idades, e sua prevalência aumenta com o envelhecimento.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as vestibulopatias periféricas, foque na duração e no gatilho da vertigem. A VPPB tem crises de segundos a menos de 1 minuto, desencadeadas por movimento; a doença de Ménière tem crises de horas, espontâneas, com sintomas auditivos; a neurite vestibular tem vertigem persistente por dias, sem sintomas auditivos. Essa tríade é a chave para a maioria das questões sobre vertigem.