Nos pacientes com osteoporose, a suplementação de cálcio faz parte de praticamente todos os regimes terapêuticos. Sobre essa suplementação, assinale a alternativa correta.
AEncontram-se vários tipos de sais de cálcio disponíveis, entre os quais, o carbonato é o que oferece maior percentual de cálcio elementar. Para minimizar efeitos colaterais gastrintestinais e aumentar sua absorção, preconiza-se o uso longe das refeições.
BO carbonato de cálcio é uma opção para os idosos que apresentem constipação intestinal.
CQuando há histórico de litíase renal, o citrato de cálcio pode ser a melhor opção, além de ser menos dependente do ácido gástrico para ser absorvido.
DPara melhor absorção, a dose de cálcio não precisa ser fracionada em mais de 500 mg/tomada.
EAs necessidades de ingestão diária de cálcio nos idosos é de 1.500 mg ou mais.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Quando há histórico de litíase renal, o citrato de cálcio pode ser a melhor opção, além de ser menos dependente do ácido gástrico para ser absorvido.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Suplementação de cálcio na osteoporose
Gabarito: letra C. O citrato de cálcio é a opção preferencial em pacientes com histórico de litíase renal (nefrolitíase) e, por não depender do ácido gástrico para absorção, é útil também em idosos com hipocloridria (ex.: uso de inibidor de bomba de prótons). As demais alternativas erram ao afirmar que o carbonato deve ser usado longe das refeições (na verdade, é melhor absorvido COM as refeições), que é opção para constipados (ele CAUSA constipação), que a dose não precisa ser fracionada (deve ser fracionada em doses de 500–600 mg) e que a necessidade diária do idoso é de 1.500 mg ou mais (a recomendação é de 1.200 mg para maiores de 70 anos).
A suplementação de cálcio é parte integrante do manejo da osteoporose, mas não é isenta de controvérsias. O Institute of Medicine (IOM) estabeleceu as necessidades diárias de cálcio por faixa etária: para adultos acima de 50 anos, a recomendação é de 1.200 mg/dia, tanto para homens quanto para mulheres. No Brasil, a ingestão dietética média é de apenas cerca de 400 mg/dia, muito abaixo do recomendado, o que frequentemente torna a suplementação necessária. Contudo, a prescrição universal sem avaliação da real necessidade não encontra respaldo clínico — a suplementação deve ser individualizada, preferencialmente após estimar o aporte dietético.
Existem vários sais de cálcio disponíveis, e a escolha entre eles depende de características individuais do paciente. O carbonato de cálcio é o mais tradicional, com alta biodisponibilidade (cerca de 40% de cálcio elementar), porém tem maior probabilidade de causar efeitos gastrintestinais, especialmente constipação. Sua absorção é dependente do ácido gástrico, sendo mais bem absorvido quando ingerido COM as refeições. Já o citrato de cálcio tem menor biodisponibilidade (cerca de 21%), necessitando de maior número de comprimidos para atingir a dose desejada, mas é a opção indicada em pacientes com nefrolitíase, gastrectomizados, com cirurgia bariátrica ou com hipocloridria (ex.: uso de inibidor de bomba de prótons), pois sua absorção não depende do ácido gástrico.
A absorção de cálcio é limitada por dose: a suplementação não deve exceder 500 a 600 mg por tomada, independentemente da preparação, pois o fracionamento aumenta a absorção. Doses maiores em uma única tomada reduzem a eficiência absortiva. Além disso, há relatos na literatura de potenciais aumentos de eventos cardiovasculares e de incidência de litíase renal com a suplementação, o que reforça a necessidade de prescrição criteriosa.
A pegadinha central desta questão está na inversão das orientações sobre o carbonato de cálcio: a banca troca "com as refeições" por "longe das refeições" e ignora que o carbonato é justamente o sal que mais causa constipação. Guarde o par: carbonato = com refeições + causa constipação; citrato = independente do ácido gástrico + indicado na litíase renal. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Sais de cálcio: Carbonato (40% de cálcio elementar, Com as refeições, Constipação intestinal); Citrato (21% de cálcio elementar, Independente do ácido gástrico, Indicado na litíase renal); Regra de absorção (Fracionar 500–600 mg por tomada, Necessidade do idoso: 1.200 mg/dia)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está na orientação de uso: o carbonato de cálcio deve ser administrado COM as refeições, não longe delas. A absorção do carbonato é dependente do ácido gástrico, e a presença de alimento estimula a secreção ácida, melhorando a biodisponibilidade. Embora seja verdade que o carbonato oferece alto percentual de cálcio elementar (cerca de 40%), a recomendação de uso "longe das refeições" está incorreta — essa orientação se aplica, por exemplo, ao tratamento da síndrome da fome óssea em pacientes dialíticos, mas não é a regra geral para suplementação na osteoporose.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O carbonato de cálcio é justamente o sal com maior probabilidade de causar constipação intestinal, sendo uma opção desfavorável para idosos que já apresentam esse sintoma. Para pacientes com constipação, o citrato de cálcio seria uma alternativa mais adequada, pois está associado a menor incidência desse efeito colateral. A alternativa inverte a relação: quem tem constipação deve evitar o carbonato, não escolhê-lo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O citrato de cálcio é a melhor opção em pacientes com histórico de litíase renal (nefrolitíase), pois sua absorção é menos dependente do ácido gástrico, o que também o torna útil em idosos com hipocloridria (ex.: uso de inibidor de bomba de prótons). Essa é a indicação clássica do citrato: nefrolitíase, gastrectomia, cirurgia bariátrica e hipocloridria. A alternativa está correta ao afirmar que o citrato pode ser a melhor opção na litíase renal e que é menos dependente do ácido gástrico para ser absorvido.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmação está invertida: para melhor absorção, a dose de cálcio deve ser fracionada em doses de 500 a 600 mg por tomada, não o contrário. A absorção intestinal de cálcio é saturável, e doses maiores que 500–600 mg em uma única tomada reduzem a eficiência absortiva. O fracionamento ao longo do dia (geralmente 2–3 tomadas) é a conduta recomendada para maximizar a absorção.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A necessidade diária de cálcio para idosos (> 70 anos) é de 1.200 mg, conforme as recomendações do Institute of Medicine (IOM). O valor de 1.500 mg ou mais não corresponde à recomendação vigente para essa faixa etária. A alternativa superestima a necessidade diária, o que poderia levar a uma suplementação excessiva e desnecessária.