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Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2025

MedicinaGeriatria
Código
qg471075
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Geriatria)
O delirium causa um enorme impacto na saúde dos idosos. Sabe-se, na atualidade, que há potencialmente importantes consequências adversas. Pacientes que desenvolvem delirium podem cursar com pior prognóstico, tanto na vigência da internação quanto após a alta hospitalar. Sobre essa condição em pacientes hospitalizados, analise as assertivas a seguir:I. Está relacionada a menor tempo de internação hospitalar, mas maiores custos de internação.II. Não tem sido associada a complicações como quedas.III. Há um aumento da taxa de mortalidade hospitalar, em especial, no delirium hipoativo ou misto.IV. Está correlacionada a úlceras de pressão e incontinência urinária, mas não leva a prejuízo funcional.Quais estão corretas?
  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e IV.
  5. EI, II, III e IV.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Apenas III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Delirium no idoso hospitalizado: consequências adversas

Gabarito: letra C — apenas a assertiva III está correta. O delirium está associado a maior tempo de internação, aumento da mortalidade hospitalar (especialmente nas formas hipoativa e mista), risco de quedas, úlceras de pressão, incontinência urinária e prejuízo funcional — exatamente o oposto do que afirmam os itens I, II e IV. A base para essa resposta está na literatura médica sobre a síndrome confusional aguda, que será detalhada a seguir.

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por perturbação da atenção e da consciência, com curso temporal rápido (horas a dias). É uma das "grandes síndromes geriátricas" e um marcador de gravidade no idoso hospitalizado. Sua incidência é altíssima em unidades de terapia intensiva (46 a 82% dos idosos), unidades clínicas (29 a 64%) e emergências (8 a 17%). O impacto prognóstico é devastador: está associado a maior mortalidade hospitalar (22 a 76%), mortalidade em 1 ano de até 40%, maior tempo de internação, maior risco de institucionalização, declínio funcional e cognitivo persistente, e aumento do risco de demência — o delirium age como um "acelerador" do processo demencial.

A fisiopatologia não é totalmente compreendida, mas envolve desequilíbrio de neurotransmissores (especialmente acetilcolina e dopamina), inflamação sistêmica e estresse oxidativo. As causas são múltiplas e frequentemente iatrogênicas: infecções (pneumonia, infecção urinária, sepse), distúrbios metabólicos (hiponatremia, hipercalcemia, hipoglicemia), medicamentos (benzodiazepínicos, opioides, anticolinérgicos, corticoides), privação sensorial, contenção mecânica, sondas e desidratação. A identificação e o tratamento da causa precipitante são a base do manejo, pois em pelo menos 50% dos casos o delirium é reversível e em 40% é prevenível.

O delirium se apresenta em três formas clínicas: hiperativo (agitação psicomotora, delírios, alucinações — típico da abstinência alcoólica e do uso de anticolinérgicos), hipoativo (letargia, sonolência, redução da psicomotricidade — a forma mais comum e mais subdiagnosticada) e misto (alternância entre os dois quadros). As formas hipoativa e mista têm pior prognóstico, com maior mortalidade, justamente por serem menos detectadas e por estarem associadas a maior gravidade da doença de base. Essa é a distinção central que a assertiva III explora corretamente.

As complicações do delirium são múltiplas e graves. A agitação do tipo hiperativo pode causar dissincronia com o ventilador mecânico, aumento do consumo de oxigênio, extubação acidental e remoção de cateteres. Na UTI, o delirium associa-se a maior tempo de ventilação mecânica, maior tempo de internação e, consequentemente, maior custo. Além disso, pacientes com delirium apresentam risco aumentado de quedas, úlceras de pressão, infecções nosocomiais e desnutrição. O declínio funcional é mais acentuado do que em outros pacientes hospitalizados, com maior chance de necessitar de hospitais de retaguarda ou home care após a alta. A duração do delirium associa-se a declínio cognitivo até um ano após a alta hospitalar.

A banca explora aqui a inversão de cada uma dessas consequências: troca "maior" por "menor" tempo de internação, nega complicações que são clássicas (quedas) e afirma que não há prejuízo funcional quando, na verdade, o declínio funcional é uma das marcas do delirium. O candidato que conhece o perfil de complicações da síndrome identifica imediatamente as três assertivas falsas. Guarde o mapa das consequências adversas: maior mortalidade, maior tempo de internação, maior custo, maior risco de quedas, úlceras, infecções, desnutrição, declínio funcional e cognitivo — é exatamente nesse mapa que as assertivas se dividem.

Delirium no idoso hospitalizado
  • 1Consequências adversas
    • Maior mortalidade (22–76%)
    • Maior tempo de internação
    • Maior custo
    • Quedas
    • Úlceras de pressão
    • Incontinência urinária
    • Prejuízo funcional e cognitivo
  • 2Formas clínicas
    • Hiperativo
    • Hipoativo
      • Pior prognóstico
    • Misto
      • Pior prognóstico
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Item I — ❌ Incorreto

Afirma que o delirium está relacionado a menor tempo de internação hospitalar. É o oposto: o delirium associa-se a maior tempo de permanência hospitalar, maior tempo de ventilação mecânica na UTI e, consequentemente, maiores custos. A literatura é consistente: o delirium prolonga a internação e aumenta os custos assistenciais. A banca inverteu o sentido da associação — trocou "maior" por "menor" tempo de internação, mantendo a parte dos custos correta para confundir.

Item II — ❌ Incorreto

Afirma que o delirium não tem sido associado a complicações como quedas. É falso: o delirium é um fator de risco clássico e bem documentado para quedas no idoso hospitalizado. A agitação psicomotora, o déficit de atenção e a deambulação insegura aumentam o risco de quedas, além de úlceras de pressão, infecções nosocomiais e desnutrição. A banca nega uma complicação que é amplamente reconhecida na prática clínica e na literatura.

Item III — ✅ Correto ⟵ GABARITO

Afirma que há aumento da taxa de mortalidade hospitalar, em especial no delirium hipoativo ou misto. Correto. O delirium está associado a maior mortalidade hospitalar (22 a 76%), e as formas hipoativa e mista têm pior prognóstico, com maior mortalidade, por serem mais subdiagnosticadas e por refletirem maior gravidade da doença de base. O delirium persistente é fator independente de maior mortalidade hospitalar, em 6 meses e em 1 ano. Esta é a única assertiva que espelha corretamente a literatura.

Item IV — ❌ Incorreto

Afirma que o delirium está correlacionado a úlceras de pressão e incontinência urinária, mas não leva a prejuízo funcional. A primeira parte está correta (úlceras de pressão e incontinência são complicações associadas), mas a segunda é falsa: o delirium causa prejuízo funcional significativo. O declínio funcional é uma das consequências mais marcantes, com perda da capacidade de realizar atividades de vida diária (AVDs), maior necessidade de reabilitação e maior risco de institucionalização. A banca misturou uma afirmação verdadeira com uma negação falsa para compor o distrator.

Conclusão: apenas o item III está correto. Portanto, a alternativa correta é a letra C.

Gabarito: letra C

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