O paciente em questão apresenta o seguinte estudo urodinâmico:Fase de enchimento vesical:• Capacidade vesical máxima: 170 mL (reduzida).• Contrações não inibidas do detrusor duranteintravesical.• Pressão detrusora máxima: 55 cmH2O (elevada).• Sensação de urgência e perda urinária associada às contrações involuntárias.Fase de esvaziamento vesical:• Contração detrusora presente, mas disfunção esfincteriana detrusor-esfíncter (contração simultânea de detrusor e esfíncter externo).• Fluxo urinário intermitente e baixa taxa de esvaziamento.• Resíduo pós-miccional: 120 mL.Considerando o quadro clínico e o estudo urodinâmico, assinale a alternativa correta.
AA oxibutinina tem efeito antimuscarínico que pode ser utilizado para reduzir a hiperatividade detrusora, aumentar a capacidade vesical e melhorar a continência.
BA mirabegrona está contraindicada em bexiga neurogênica espástica, sendo reservada apenas para idosos com bexiga hiperativa idiopática.
COs bloqueadores alfa-adrenérgicos são a primeira escolha para reduzir contrações involuntárias do detrusor em lesões medulares lombares.
DA toxina botulínica intravesical só é indicada em bexiga flácida ou hipotônica.
EO cateterismo vesical intermitente limpo não deve ser realizado em homens jovens devido ao alto risco de infecção.
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GabaritoA — A oxibutinina tem efeito antimuscarínico que pode ser utilizado para reduzir a hiperatividade detrusora, aumentar a capacidade vesical e melhorar a continência.
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Esta questão depende de um texto-base compartilhado com outras questões da mesma prova, que não está disponível aqui. O raciocínio abaixo é o método de resolução — confira os dados do estudo urodinâmico no enunciado original.
Bexiga hiperativa e disfunção miccional: abordagem terapêutica
Gabarito: letra A. A oxibutinina é um antimuscarínico que reduz a hiperatividade do detrusor, aumenta a capacidade vesical e melhora a continência — exatamente o que o quadro urodinâmico descrito (contrações não inibidas, capacidade reduzida, urgência e perda urinária) indica como tratamento de primeira linha. As demais alternativas contêm erros conceituais graves sobre as opções terapêuticas para bexiga neurogênica e hiperativa.
O estudo urodinâmico apresentado revela um padrão clássico de bexiga hiperativa neurogênica: na fase de enchimento, há contrações involuntárias do detrusor (hiperatividade detrusora), capacidade vesical reduzida (170 mL) e pressão detrusora elevada (55 cmH2O), com urgência e perda urinária associadas. Na fase de esvaziamento, observa-se dissinergia detrusor-esfíncter — contração simultânea do detrusor e do esfíncter externo — resultando em fluxo intermitente, baixa taxa de esvaziamento e resíduo pós-miccional elevado (120 mL). Esse conjunto é típico de lesão medular suprassacral, que remove a inibição central sobre o reflexo miccional.
O tratamento farmacológico da hiperatividade detrusora baseia-se, em primeira linha, nos antimuscarínicos (como oxibutinina, tolterodina, solifenacina). Esses fármacos bloqueiam os receptores muscarínicos M2/M3 na musculatura lisa vesical, reduzindo a amplitude e a frequência das contrações involuntárias, aumentando a capacidade funcional da bexiga e, consequentemente, melhorando a continência. A oxibutinina é um dos representantes mais clássicos dessa classe, com eficácia comprovada tanto na bexiga hiperativa idiopática quanto na neurogênica.
A mirabegrona, por sua vez, é um agonista beta-3-adrenérgico que promove relaxamento do detrusor durante a fase de enchimento. Está indicada justamente nos casos de bexiga hiperativa, incluindo a neurogênica, e não é contraindicada nesse contexto — pelo contrário, é uma alternativa válida quando há contraindicação ou intolerância aos antimuscarínicos. A afirmação de que seria "reservada apenas para idosos com bexiga hiperativa idiopática" é duplamente incorreta: não é exclusiva para idosos nem apenas para a forma idiopática.
Os bloqueadores alfa-adrenérgicos (como tansulosina, doxazosina) atuam relaxando a musculatura lisa do colo vesical e da próstata, sendo indicados para obstrução infravesical (hiperplasia prostática benigna, disfunção do esfíncter interno). Não têm papel no tratamento das contrações involuntárias do detrusor — que são de origem muscarínica, não alfa-adrenérgica. Portanto, não são primeira escolha para hiperatividade detrusora em lesões medulares.
A toxina botulínica A intravesical é uma opção de segunda/terceira linha para bexiga hiperativa refratária, incluindo a neurogênica. Ela age bloqueando a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular, paralisando temporariamente o detrusor. É indicada justamente para bexigas hiperativas/espásticas, e não para bexiga flácida ou hipotônica — que já têm contratilidade reduzida e não se beneficiariam de paralisia adicional.
O cateterismo vesical intermitente limpo é o padrão-ouro para o manejo do esvaziamento vesical em pacientes com resíduo pós-miccional elevado e dissinergia, como o caso descrito. É indicado independentemente da idade e do sexo, e o risco de infecção, embora existente, é manejável com técnica adequada e não contraindica o procedimento — pelo contrário, o cateterismo intermitente reduz complicações quando comparado ao cateter de demora.
A pegadinha central desta questão está em reconhecer que o quadro é de bexiga hiperativa (espástica), não flácida. A partir daí, as alternativas B, C, D e E cometem erros de indicação terapêutica que as tornam incorretas. A alternativa A descreve corretamente o mecanismo e a utilidade da oxibutinina nesse cenário.
Bexiga hiperativa neurogênica
1Fase de enchimento
Contrações involuntárias do detrusor
Capacidade reduzida
Pressão detrusora elevada
2Fase de esvaziamento
Dissinergia detrusor-esfíncter
Fluxo intermitente
Resíduo pós-miccional elevado
3Tratamento
Antimuscarínicos (oxibutinina)
Beta-3-agonista (mirabegrona)
Toxina botulínica A (refratário)
Cateterismo intermitente limpo
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A oxibutinina é um antimuscarínico que bloqueia os receptores muscarínicos do detrusor, reduzindo a hiperatividade detrusora (contrações involuntárias), aumentando a capacidade vesical efetiva e melhorando a continência. No quadro apresentado — hiperatividade detrusora com capacidade reduzida e urgência — essa é exatamente a indicação de primeira linha. A alternativa está correta em todos os seus termos: "efeito antimuscarínico", "reduzir a hiperatividade detrusora", "aumentar a capacidade vesical" e "melhorar a continência".
Alternativa B — ❌ Incorreta
A mirabegrona é um agonista beta-3-adrenérgico indicado para bexiga hiperativa, incluindo a neurogênica. Não é contraindicada nesse contexto — pelo contrário, é uma alternativa válida quando antimuscarínicos são ineficazes ou mal tolerados. Também não é "reservada apenas para idosos com bexiga hiperativa idiopática": pode ser usada em adultos de qualquer idade e em diversas etiologias de hiperatividade detrusora. O erro está na restrição indevida de indicação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os bloqueadores alfa-adrenérgicos relaxam o colo vesical e a musculatura lisa prostática, sendo indicados para obstrução infravesical (como HPB). Não reduzem contrações involuntárias do detrusor, que são mediadas por receptores muscarínicos — não alfa-adrenérgicos. Portanto, não são primeira escolha para hiperatividade detrusora em lesões medulares. O erro está na classe farmacológica: o correto seria antimuscarínico ou beta-3-agonista.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A toxina botulínica A intravesical é indicada para bexiga hiperativa/espástica refratária, incluindo a neurogênica — exatamente o oposto do que afirma a alternativa. Em bexiga flácida ou hipotônica, que já tem contratilidade reduzida, a toxina agravaria o problema ao paralisar ainda mais o detrusor. O erro está na inversão da indicação: toxina botulínica é para bexiga espástica, não flácida.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O cateterismo vesical intermitente limpo é o padrão-ouro para esvaziamento vesical em pacientes com resíduo pós-miccional elevado e dissinergia detrusor-esfíncter, como o caso descrito. É indicado em qualquer idade e sexo, e o risco de infecção, embora real, é manejável com técnica adequada e não contraindica o procedimento. A afirmação de que "não deve ser realizado em homens jovens devido ao alto risco de infecção" é incorreta — o cateterismo intermitente é amplamente utilizado nessa população, especialmente em lesados medulares.