Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Epidemiologia
Código
qg471282
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina Paliativa)
Sobre pesquisa, inovação e educação permanente em cuidados paliativos, assinale a alternativa INCORRETA.
AA capacitação em cuidados paliativos deve incluir não apenas equipes especializadas, mas também profissionais generalistas, considerando a relevância do cuidado integral em diferentes níveis de atenção.
BQualidade de vida, controle de sintomas e satisfação dos familiares são desfechos relevantes e frequentemente utilizados em pesquisas de cuidados paliativos.
CA inovação em cuidados paliativos inclui não só avanços farmacológicos, mas também novos modelos assistenciais, uso de telemedicina e desenvolvimento de protocolos de comunicação.
DA educação permanente em saúde, conforme políticas públicas brasileiras, é entendida como estratégia para integrar teoria e prática no cotidiano, favorecendo aprendizado em serviço melhoria contínua da assistência.
EAs pesquisas em cuidados paliativos não podem utilizar desfechos subjetivos e, por isso, devem se restringir a indicadores biomédicos mensuráveis, como curvas de sobrevida.
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GabaritoE — As pesquisas em cuidados paliativos não podem utilizar desfechos subjetivos e, por isso, devem se restringir a indicadores biomédicos mensuráveis, como curvas de sobrevida.
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Pesquisa, inovação e educação permanente em cuidados paliativos
Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que as pesquisas em cuidados paliativos não podem utilizar desfechos subjetivos e devem se restringir a indicadores biomédicos mensuráveis. Na prática, desfechos subjetivos como qualidade de vida, controle de sintomas e satisfação dos familiares são não apenas permitidos, mas frequentemente utilizados e considerados essenciais nesse campo de pesquisa.
Os cuidados paliativos constituem uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameaçam a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, identificação precoce, avaliação e tratamento da dor e outros problemas de natureza física, psicossocial e espiritual. Essa definição, amplamente aceita pela Organização Mundial da Saúde, já evidencia que o foco central não é apenas a dimensão biomédica, mas o bem-estar integral do paciente e de sua família.
A pesquisa em cuidados paliativos, portanto, enfrenta o desafio de mensurar desfechos que são, por natureza, subjetivos. Qualidade de vida, controle de sintomas, satisfação do paciente e dos familiares, bem-estar espiritual e psicológico são constructos complexos que exigem instrumentos validados e metodologias específicas, como escalas e questionários. A subjetividade desses desfechos não os torna inválidos ou menos importantes; pelo contrário, eles são os mais relevantes para avaliar a efetividade das intervenções paliativas. A alternativa E, ao afirmar que tais desfechos não podem ser utilizados, contraria frontalmente a prática e a literatura científica da área.
A educação permanente em saúde, por sua vez, é uma política pública brasileira que busca promover a aprendizagem significativa no cotidiano do trabalho, integrando teoria e prática. Ela se diferencia da educação continuada tradicional por ser uma estratégia de qualificação que parte dos problemas reais enfrentados pelos profissionais, favorecendo a melhoria contínua da assistência. No contexto dos cuidados paliativos, a educação permanente é fundamental para capacitar não apenas equipes especializadas, mas também profissionais generalistas, que atuam na atenção primária e em outros níveis de atenção, garantindo que o cuidado integral seja oferecido a todos os pacientes que dele necessitam.
A inovação em cuidados paliativos também é um campo em expansão. Ela não se limita a avanços farmacológicos, mas abrange novos modelos assistenciais, como a integração precoce dos cuidados paliativos ao tratamento curativo, o uso de telemedicina para ampliar o acesso, e o desenvolvimento de protocolos de comunicação para facilitar conversas difíceis sobre prognóstico e diretivas antecipadas. Essas inovações são essenciais para superar as barreiras de acesso e melhorar a qualidade do cuidado.
A pegadinha desta questão está na inversão do que é aceito e valorizado na pesquisa em cuidados paliativos. A banca tenta fazer o candidato acreditar que desfechos subjetivos são um problema metodológico intransponível, quando na verdade são o coração da avaliação nessa área. O erro está em afirmar que as pesquisas "não podem" utilizar tais desfechos, quando a realidade é que eles são amplamente utilizados e considerados os mais adequados para avaliar o impacto das intervenções paliativas.
Pesquisa em cuidados paliativos
1Desfechos subjetivos
Qualidade de vida
Controle de sintomas
Satisfação de familiares
2Desfechos biomédicos
Curvas de sobrevida
Não são os únicos válidos
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta
A capacitação em cuidados paliativos deve, de fato, incluir não apenas equipes especializadas, mas também profissionais generalistas. Isso porque o cuidado paliativo deve ser integrado em diversos níveis de atenção à saúde, desde a atenção primária até o hospital terciário, e todos os profissionais que lidam com pacientes com doenças graves devem ter competências básicas nessa área. O texto de apoio reforça que "cuidados paliativos básicos devem fazer parte do kit de ferramentas para todos os médicos que cuidam de pacientes em estado grave".
Alternativa B — ✅ Correta
Qualidade de vida, controle de sintomas e satisfação dos familiares são, de fato, desfechos relevantes e frequentemente utilizados em pesquisas de cuidados paliativos. O texto de apoio menciona estudos que mostraram melhorias em "qualidade de vida do paciente, taxas de depressão ou ansiedade, satisfação do paciente ou do cuidador e utilização de serviços de saúde no fim da vida", confirmando que esses são endpoints importantes e mensuráveis.
Alternativa C — ✅ Correta
A inovação em cuidados paliativos inclui, de fato, não só avanços farmacológicos, mas também novos modelos assistenciais, uso de telemedicina e desenvolvimento de protocolos de comunicação. O texto de apoio destaca a importância da integração precoce dos cuidados paliativos e a necessidade de comunicação e colaboração efetivas entre os profissionais, o que envolve inovações organizacionais e de comunicação, além das farmacológicas.
Alternativa D — ✅ Correta
A educação permanente em saúde, conforme políticas públicas brasileiras, é entendida como estratégia para integrar teoria e prática no cotidiano, favorecendo aprendizado em serviço e melhoria contínua da assistência. Essa é a definição consagrada da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde, que busca transformar as práticas de saúde a partir da reflexão sobre o trabalho real.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
Esta é a alternativa incorreta. As pesquisas em cuidados paliativos podem e devem utilizar desfechos subjetivos, como qualidade de vida, controle de sintomas e satisfação dos familiares. Esses desfechos são, na verdade, os mais relevantes para avaliar a efetividade das intervenções paliativas, pois capturam o impacto do cuidado na experiência do paciente e da família. A afirmação de que as pesquisas "não podem" utilizar tais desfechos e devem se restringir a indicadores biomédicos mensuráveis, como curvas de sobrevida, é falsa e contraria a prática consolidada na área.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o que é valorizado na pesquisa em cuidados paliativos. Ela tenta fazer o candidato acreditar que desfechos subjetivos são um problema metodológico, quando na verdade são o padrão-ouro para avaliar o impacto do cuidado. O termo "não podem" é o gatilho: na pesquisa científica, desfechos subjetivos são não apenas permitidos, mas frequentemente os mais adequados.