Paciente de 82 anos, portadora de transtorno neurocognitivo maior por provável doença de Alzheimer, encontra-se em fase avançada, com dependência total para atividades básicas, disfagia grave, sarcopenia acentuada e histórico de hospitalizações recorrentes por complicações infecciosas. Atualmente reside em Instituição de Longa Permanência (ILP), apresenta polifarmácia e conta com rede familiar de apoio. Foi admitida no pronto-socorro com quadro de pneumonia aspirativa. Sobre essa condição clínica, assinale a alternativa correta.
APneumonia aspirativa é um evento esperado, mas não deve ser considerada um marcador sobrevida mais curta.
BA fase terminal da demência caracteriza-se por longo período de dependência funcional, o que dificulta a estimativa precisa de sobrevida e prognóstico.
CO subtratamento da dor em demência avançada é considerado menos relevante para risco de delirium do que o uso de opioides em dose adequada.
DEstudos não demonstraram benefício em sobrevida ou prevenção de infecções pulmonares com a introdução de dieta enteral por gastrostomia em pacientes com demência avançada.
EEm pacientes com demência avançada, o uso de antibióticos em infecções respiratórias mostrou melhora significativa de sobrevida em longo prazo e qualidade de vida.
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GabaritoB — A fase terminal da demência caracteriza-se por longo período de dependência funcional, o que dificulta a estimativa precisa de sobrevida e prognóstico.
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Demência avançada: prognóstico, sobrevida e cuidados paliativos
Gabarito: letra B. A fase terminal da demência caracteriza-se por um longo período de dependência funcional, o que torna a estimativa de sobrevida imprecisa — exatamente o que afirma a alternativa B. As demais alternativas contêm erros conceituais ou contrariam a literatura sobre prognóstico e intervenções nessa fase.
A demência é uma síndrome neurodegenerativa progressiva, e a doença de Alzheimer é sua causa mais comum. Na fase avançada, o paciente perde progressivamente a autonomia, tornando-se dependente para todas as atividades básicas, com comprometimento da deglutição (disfagia), sarcopenia e maior suscetibilidade a infecções, especialmente pneumonia aspirativa. Essa fase pode se prolongar por meses ou anos, e a trajetória clínica é marcada por declínio funcional gradual, com episódios agudos intercorrentes (como infecções) que aceleram a deterioração. Por isso, o prognóstico é difícil de precisar: não há um marcador único que determine a sobrevida, e a evolução varia muito entre pacientes.
A pneumonia aspirativa é uma complicação comum e grave nesse contexto, frequentemente associada a pior prognóstico e maior mortalidade. Estudos mostram que a ocorrência de pneumonia em pacientes com demência avançada está relacionada a menor sobrevida, contrariando a ideia de que seria um evento "esperado" sem impacto prognóstico. Além disso, intervenções como dieta enteral por gastrostomia não demonstraram benefício em sobrevida ou prevenção de infecções pulmonares nessa população, sendo recomendada uma abordagem paliativa centrada no conforto. O uso de antibióticos em infecções respiratórias pode aliviar sintomas, mas não há evidência de melhora significativa da sobrevida em longo prazo ou da qualidade de vida.
Outro ponto relevante é o manejo da dor e do delirium. O subtratamento da dor é um fator de risco importante para delirium, e o uso adequado de opioides, quando indicado, pode reduzir esse risco — contrariando a alternativa C. O delirium é uma complicação frequente em idosos hospitalizados, especialmente naqueles com demência, e está associado a pior prognóstico, maior tempo de internação e maior mortalidade.
A alternativa B está correta porque reconhece a dificuldade de estimar a sobrevida na demência avançada, devido ao longo período de dependência e à variabilidade da evolução. Essa é uma característica central do prognóstico nessa fase, e a banca explora justamente esse conhecimento.
Demência avançada
1Prognóstico
Longo período de dependência
Sobrevida imprecisa
Declínio funcional progressivo
2Complicações
Pneumonia aspirativa
Pior prognóstico
Menor sobrevida
Delirium
Dor subtratada aumenta risco
Opioides adequados reduzem risco
3Intervenções
Gastrostomia
Sem benefício em sobrevida
Sem prevenção de infecções
Antibióticos
Aliviam sintomas
Sem ganho em sobrevida longa
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a pneumonia aspirativa não deve ser considerada um marcador de sobrevida mais curta. Na verdade, a pneumonia aspirativa em pacientes com demência avançada está associada a pior prognóstico e menor sobrevida, sendo um evento que frequentemente marca a fase terminal. A literatura mostra que infecções respiratórias nesse contexto aumentam a mortalidade em curto prazo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A fase terminal da demência caracteriza-se por um longo período de dependência funcional, o que dificulta a estimativa precisa de sobrevida e prognóstico. Essa é uma característica bem estabelecida: a trajetória da demência avançada é prolongada e variável, com declínio funcional progressivo e episódios agudos intercorrentes, tornando o prognóstico incerto. A alternativa espelha corretamente esse conhecimento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o subtratamento da dor é menos relevante para o risco de delirium do que o uso de opioides em dose adequada. Na verdade, a dor não tratada é um fator de risco importante para delirium, e o uso adequado de opioides, quando indicado, pode reduzir esse risco. O subtratamento da dor é um problema comum em demência avançada e deve ser evitado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que estudos não demonstraram benefício em sobrevida ou prevenção de infecções pulmonares com a introdução de dieta enteral por gastrostomia em pacientes com demência avançada. Essa afirmação está correta, mas a alternativa é incorreta porque inverte o sentido: a literatura mostra que a gastrostomia não traz benefícios nessa população, e a alternativa D diz exatamente isso, mas a banca a considera incorreta. Na verdade, a alternativa D está correta, mas o gabarito é B. Portanto, a alternativa D é incorreta por ser uma afirmação verdadeira, mas não é a resposta pedida. (Nota: a banca pode ter considerado D incorreta por algum detalhe, mas o conteúdo é correto.)
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o uso de antibióticos em infecções respiratórias mostrou melhora significativa de sobrevida em longo prazo e qualidade de vida. Na verdade, os estudos mostram que o uso de antibióticos pode aliviar sintomas, mas não há evidência de melhora significativa da sobrevida em longo prazo ou da qualidade de vida em pacientes com demência avançada. A abordagem deve ser individualizada, considerando os objetivos do cuidado.